“Andano”, “Leno” e “Dançano”: APAGAMENTO DO “D” NO GRUPO “NDO”
A língua falada é um fator
social e individual. Social por ser um comportamento inerente ao homem, e este,
por sua vez, faz parte de uma organização que está em constante mudança: a
sociedade; e individual porque, por mais que prevaleça a estrutura padrão da
linguagem, cada indivíduo dá características subjetivas ao seu modo de falar.
Portanto, a modalidade falada é heterogênea. Com base nisso, após um trabalho de
pesquisa feito com uma amostra de oito informantes da capital maranhense (2 de
ensino fundamental, 2 de ensino médio, 3 de ensino superior e 1 de ensino médio
incompleto), cujo principal objetivo foi observar como eles pronunciavam
palavras do tipo “andando”, “comendo”, “cantando”, “quando”, entre outras, chegou-se aos seguintes resultados:
- a maioria apagou a
oclusiva dental “d” do grupo “ndo”, pronunciando, por exemplo, “estudano”,
“cozinhano” e “comeno”;
- informantes de nível
superior apagaram o “d” com menos frequência do que os do nível fundamental e
do ensino médio incompleto, mostrando que, na maioria das vezes, quanto maior o
nível de escolaridade, maior o policiamento do indivíduo quanto ao emprego
gramatical da língua;
-
por fim, percebeu-se que o apagamento do “d” ocorre com mais frequência nos
verbos que estão no gerúndio, não sendo, portanto, comum em palavras como
“ando” e “quando”, que poderiam sofrer alterações na semântica (sentido).
Resultado que nos remete à teoria da Gramática Internalizada, que nos diz que
todo falante de uma língua tem certa consciência linguística e que, portanto,
já é capaz de se policiar quanto a algumas questões referentes à sua forma
padrão (Chomsky, 1986).
Percebe-se
que na língua as variações nunca acontecem por acaso ou porque o falante
simplesmente deseja falar “errado”; ao contrário, nossa cultura, influências
sociais, características individuais... enfim, muitos aspectos contribuem, e
muito, para que a língua não aparente ser uma estrutura morta e intacta.
Por Késia Rafaelle Ribeiro Andrade