18 de maio de 2012

Coluna Semanal Cantinho das Letras


“Andano”, “Leno” e “Dançano”: APAGAMENTO DO “D” NO GRUPO “NDO”

A língua falada é um fator social e individual. Social por ser um comportamento inerente ao homem, e este, por sua vez, faz parte de uma organização que está em constante mudança: a sociedade; e individual porque, por mais que prevaleça a estrutura padrão da linguagem, cada indivíduo dá características subjetivas ao seu modo de falar. Portanto, a modalidade falada é heterogênea. Com base nisso, após um trabalho de pesquisa feito com uma amostra de oito informantes da capital maranhense (2 de ensino fundamental, 2 de ensino médio, 3 de ensino superior e 1 de ensino médio incompleto), cujo principal objetivo foi observar como eles pronunciavam palavras do tipo “andando”, “comendo”, “cantando”, “quando”, entre outras,  chegou-se aos seguintes resultados: 

- a maioria apagou a oclusiva dental “d” do grupo “ndo”, pronunciando, por exemplo, “estudano”, “cozinhano” e “comeno”;

- informantes de nível superior apagaram o “d” com menos frequência do que os do nível fundamental e do ensino médio incompleto, mostrando que, na maioria das vezes, quanto maior o nível de escolaridade, maior o policiamento do indivíduo quanto ao emprego gramatical da língua;

- por fim, percebeu-se que o apagamento do “d” ocorre com mais frequência nos verbos que estão no gerúndio, não sendo, portanto, comum em palavras como “ando” e “quando”, que poderiam sofrer alterações na semântica (sentido). Resultado que nos remete à teoria da Gramática Internalizada, que nos diz que todo falante de uma língua tem certa consciência linguística e que, portanto, já é capaz de se policiar quanto a algumas questões referentes à sua forma padrão (Chomsky, 1986).

Percebe-se que na língua as variações nunca acontecem por acaso ou porque o falante simplesmente deseja falar “errado”; ao contrário, nossa cultura, influências sociais, características individuais... enfim, muitos aspectos contribuem, e muito, para que a língua não aparente ser uma estrutura morta e intacta.

Por Késia Rafaelle Ribeiro Andrade


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