Como entender a vitória de Sarney nesta já histórica quarta- feira, 19 de agosto (sempre agosto!) de 2009, no indevidamente denominado Conselho de Ética do Senado da República? Antes de tudo,convém lembrar que há vitórias e vitórias. Todos conhecemos a antiga expressão “vitória de Pirro”.
No caso, temos ainda que analisar sob o ângulo de Sarney, do Presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores.
Defendo a tese que Sarney não era o candidato de Lula à Presidência do Senado. Sua candidatura resultou de articulações dos setores mais conservadores e fisiológicos da sociedade e do parlamento brasileiro.
O PMDB, sob as ordens de Renan Calheiros, primeiro inviabilizou a candidatura do petista Tião Viana e em seguida lançou Sarney que - após estar suficiente seguro do seu favoritismo em plenário - comunicou a Lula, como fato consumado, sua decisão.
Ao PT não restou outra saída senão a derrota com a candidatura do senador Tião Viana; a Lula, pragmaticamente aceitar a realidade que lhe foi imposta.
A crise que se estabeleceu no Senado, então, não foi provocada pelo bancada petista derrotada. Na realidade, essa crise é recorrente, estrutural e tem origem na primeira investidura de Sarney como Presidente da Casa, em 1995, quando, ao nomear Agaciel Maia diretor geral, montou uma estrutura de poder tão centralizada quanto corrupta.
Não é a toa que o esquema Sarney/Agaciel sobreviveu a queda de três presidentes: Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros.
Estrutura tão forte - posto que sustentada na ardilosa construção de dossiês contra senadores e funcionários, de carreira ou comissionados, - que está sobrevivendo até mesmo à queda de Agaciel e ao aparente balança-mas-não-cai de Sarney apesar da repulsa generalizada da sociedade, confirmada pelas mais diferentes pesquisas de opinião, em todo o país. Em artigo com o título “Sarney tenta impor terror ao Senado” (JP, 03/07/2009) antecipei: “Neste contexto, o não afastamento de Sarney expressaria antes de tudo o triunfo dos mais grosseiros aos mais requintados métodos de ameaças e chantagens utilizados pelo senador do Amapá contra o Presidente Lula e o PT, contra as lideranças dos mais diferentes partidos e todo o conjunto de senadores.”
Na realidade, o dramalhão oferecido pela Comissão de “Ética” à Nação, nesta quarta, ao cobrir Sarney com o manto da impunidade e submeter o senador Artur Virgílio a farsa de um julgamento em que foi absolvido pelos seus próprios acusadores (o que é isso senão o triunfo da ameaça e da chantagem?) antes de colocar um ponto final à crise desafiou os brios da Nação. Louco ou ingênuo aquele que acreditar no silêncio imposto pela intolerância das maiorias eventuais dos parlamentos desacreditados.
Naquela ocasião, afirmei ainda:
“Não é a primeira vez que a astúcia de Sarney supera o apuradíssimo faro político de Lula”
É verdade, lamento.
Lula e o PT pagarão - ou já começam a pagar - caríssimo por tamanha parvoíce que cheira a capitulação.
A fatura já é do conhecimento de todos.
No afã de defender a permanência de Sarney na presidência do Senado, o PT e Lula, como em um passe de mágica, conseguiram manter e oxigenar a caminhada (cada vez mais irreversível) de Ciro Gomes em direção ao Planalto e, de quebra, ensejaram a construção da candidatura, com ampla base de apoio social à esquerda, da senadora Marina da Silva à Presidência da República. Creio que nem os tucanos do PSDB seriam capazes de imaginar, de uma só tacada, tamanho golpe na candidatura da ministra Dilma Roussef.
É o preço do apoio do PMDB à Dilma, dirão.
Desde quando Sarney detém o controle político do PMDB, um conglomerado de interesses fisiológicos regionais que flutua ao sabor das circunstâncias as mais imprevisíveis?
E mesmo se o senador controlasse politicamente o PMDB, poderiam Lula e o PT, afrontando a sociedade e a História, depositar em mãos de Sarney o destino da candidatura Dilma?
P.S: À Lina Vieira,
Sim, é verdade. Sei que vivemos momentos difíceis, mas, mesmo assim, não cantarei como Neruda em sua Canção Desesperada: “Surgen frias estrellas, emigran negros pájaros/.../Sólo la sombra trémula se retuerce em mis manos”.
Antes, ecoar a Madrugada Camponesa de Thiago de Mello: “Faz escuro, mas eu cantoporque a manhã vai chegar.”
No caso, temos ainda que analisar sob o ângulo de Sarney, do Presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores.
Defendo a tese que Sarney não era o candidato de Lula à Presidência do Senado. Sua candidatura resultou de articulações dos setores mais conservadores e fisiológicos da sociedade e do parlamento brasileiro.
O PMDB, sob as ordens de Renan Calheiros, primeiro inviabilizou a candidatura do petista Tião Viana e em seguida lançou Sarney que - após estar suficiente seguro do seu favoritismo em plenário - comunicou a Lula, como fato consumado, sua decisão.
Ao PT não restou outra saída senão a derrota com a candidatura do senador Tião Viana; a Lula, pragmaticamente aceitar a realidade que lhe foi imposta.
A crise que se estabeleceu no Senado, então, não foi provocada pelo bancada petista derrotada. Na realidade, essa crise é recorrente, estrutural e tem origem na primeira investidura de Sarney como Presidente da Casa, em 1995, quando, ao nomear Agaciel Maia diretor geral, montou uma estrutura de poder tão centralizada quanto corrupta.
Não é a toa que o esquema Sarney/Agaciel sobreviveu a queda de três presidentes: Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros.
Estrutura tão forte - posto que sustentada na ardilosa construção de dossiês contra senadores e funcionários, de carreira ou comissionados, - que está sobrevivendo até mesmo à queda de Agaciel e ao aparente balança-mas-não-cai de Sarney apesar da repulsa generalizada da sociedade, confirmada pelas mais diferentes pesquisas de opinião, em todo o país. Em artigo com o título “Sarney tenta impor terror ao Senado” (JP, 03/07/2009) antecipei: “Neste contexto, o não afastamento de Sarney expressaria antes de tudo o triunfo dos mais grosseiros aos mais requintados métodos de ameaças e chantagens utilizados pelo senador do Amapá contra o Presidente Lula e o PT, contra as lideranças dos mais diferentes partidos e todo o conjunto de senadores.”
Na realidade, o dramalhão oferecido pela Comissão de “Ética” à Nação, nesta quarta, ao cobrir Sarney com o manto da impunidade e submeter o senador Artur Virgílio a farsa de um julgamento em que foi absolvido pelos seus próprios acusadores (o que é isso senão o triunfo da ameaça e da chantagem?) antes de colocar um ponto final à crise desafiou os brios da Nação. Louco ou ingênuo aquele que acreditar no silêncio imposto pela intolerância das maiorias eventuais dos parlamentos desacreditados.
Naquela ocasião, afirmei ainda:
“Não é a primeira vez que a astúcia de Sarney supera o apuradíssimo faro político de Lula”
É verdade, lamento.
Lula e o PT pagarão - ou já começam a pagar - caríssimo por tamanha parvoíce que cheira a capitulação.
A fatura já é do conhecimento de todos.
No afã de defender a permanência de Sarney na presidência do Senado, o PT e Lula, como em um passe de mágica, conseguiram manter e oxigenar a caminhada (cada vez mais irreversível) de Ciro Gomes em direção ao Planalto e, de quebra, ensejaram a construção da candidatura, com ampla base de apoio social à esquerda, da senadora Marina da Silva à Presidência da República. Creio que nem os tucanos do PSDB seriam capazes de imaginar, de uma só tacada, tamanho golpe na candidatura da ministra Dilma Roussef.
É o preço do apoio do PMDB à Dilma, dirão.
Desde quando Sarney detém o controle político do PMDB, um conglomerado de interesses fisiológicos regionais que flutua ao sabor das circunstâncias as mais imprevisíveis?
E mesmo se o senador controlasse politicamente o PMDB, poderiam Lula e o PT, afrontando a sociedade e a História, depositar em mãos de Sarney o destino da candidatura Dilma?
P.S: À Lina Vieira,
Sim, é verdade. Sei que vivemos momentos difíceis, mas, mesmo assim, não cantarei como Neruda em sua Canção Desesperada: “Surgen frias estrellas, emigran negros pájaros/.../Sólo la sombra trémula se retuerce em mis manos”.
Antes, ecoar a Madrugada Camponesa de Thiago de Mello: “Faz escuro, mas eu cantoporque a manhã vai chegar.”
Fonte: Ecos das Lutas
Artigo de Haroldo Saboia