22 de novembro de 2010

Cinco mulheres que derrubaram uma ditadura militar

Angélica de Flores, Aurora de Lora, Nelly de Paniagua, Luzmila Rojas e Domitila Barrios de Chungara.
Muito provavelmente você nunca ouviu falar sobre qualquer uma destas mulheres.

Nestes cinco dias de ativismo (20 a 25 de novembro, ou seja, seis dias, na realidade) pelo fim da violência contra a mulher, creio ser bem pertinente divulgar a história das cinco mulheres bolivianas que derrubaram uma ditadura militar.

Cinco mulheres

– O inimigo principal qual é? A ditadura militar? A burguesia boliviana? O Imperialismo? Não, companheiros. Eu quero dizer só isso: nosso inimigo principal é o medo. Temos medo por dentro.

Só isso disse Domitila na mina de estanho de Catavo e então veio para La Paz, a capital da Bolívia, com outras quatro mulheres e uma vintena de filhos. No Natal começaram a greve de fome. Ninguém acreditou nelas. Vários acharam que esta piada era boa:

– Quer dizer que cinco mulheres vão derrubar a ditadura?

O sacerdote Luis Espinal é o primeiro a se somar. Num minuto já são mil e quinhentos os que passam fome na Bolívia inteira, de propósito. As cinco mulheres, acostumadas à fome desde que nasceram, chamam a água de franco ou peru, de costeleta o sal, e o riso as alimenta.

Multiplicam-se enquanto isso os grevistas de fome, três mil, dez mil, até que são incontáveis os bolivianos que deixam de comer e deixam de trabalhar e vinte e três dias depois do começo da greve de fome o povo se rebela e invade as ruas e já não há como parar isso.

Em 1978, as cinco mulheres derrubam a ditadura militar.
Eduardo Galeano, Memória do Fogo III – O século do vento
BNC Brasil

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