5 de janeiro de 2011

Os Grilhões do Maranhão.

Mais um resultado negativo alcançado pelo nosso glorioso Maranhão: 2º lugar no ranking do trabalho escravo no Brasil.

Gostaríamos muito de termos iniciado o ano de 2011 com um texto que retratasse algum aspecto louvável e digno de publicação concernente a este torrão da República. Porém, a lista divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) não quis que isso acontecesse.

Infelizmente, o Maranhão adquiriu para sua fétida coleção mais um índice vergonhoso. Empatando com Tocantins, que também registrou 22 casos de pessoas físicas e jurídicas cometendo o crime de exploração de mão-de-obra em regime análogo à escravidão, o Maranhão ficou atrás apenas do Pará, com 57 ocorrências.

O levantamento do MTE é o exemplo clássico de que as coisas continuam não indo nada bem por estas bandas, apesar de todo o escarcel montado pelas classes dirigentes e pela mídia complacente que afirmam justamente o oposto.

Oposição. Esta é a palavra que define bem mais esta medalha meritocrática conquistada pelo Estado, que há bem pouco tempo subiu ao podium para receber o seu trófeu de segunda pior educação do país, perdendo o título para Alagoas.

Mas por que oposição? Você deve estar se perguntando, atencioso leitor. Oposição no sentido de separação mesmo. Senão vejamos: de um lado a classe política do Estado exaltando o desenvolvimento latente de uma economia que, desde a época áurea da agroexportação das lavouras de arroz e do plantio de algodão, nunca significaram a diminuição da pobreza da maioria da população, que, por seu turno, sempre esteve do outro lado da margem do rio, alijada do processo de lambuzamento junto às doces benesses capitalistas.

Além disso, oposição no sentido de que as forças econômicas e políticas dos grandes proprietários de terras nunca se sentaram na mesma mesa dos trabalhadores rurais, que se submetiam (e ainda o fazem) às agruras de um sub-emprego por não terem melhores perspectivas muito menos outras oportunidades.

E mais, oposição sob a ótica do silêncio, uma vez que praticamente quase todos os veículos midiáticos fecharam os olhos para o sofrimento histórico vivido pelos trabalhadores maranhenses do campo - submissos e bestializados pelos latifundiários em troca de um punhado de moedas - desviando-se assim de seu papel fundante e primordial: o interesse social.

Finalmente, oposição no sentido GOVERNO X POVO. O primeiro porque se apóia no segundo apenas para dar legitimidade a si próprio e, ao mesmo tempo, subjuga-o utilizando-se dele como mera massa de manobra eleitoral.

Já o povo se apóia no governo e nas perspectivas bienais de mudança para tentar respirar um ar mais puro e mais leve, adquirindo novo fôlego para suportar a fauna diária e continuar na batalha corriqueira de tentar sobreviver com o suor de seu rosto e com um "honroso" salário mínimo como recompensa.

Mas, à medida que o povo apenas alimenta a "esperança" por dias melhores e não lhe resta mais força para pensar em outra coisa a não ser em sua sofrível sobrevivência, ele afasta-se de si mesmo, faz oposição a si próprio, pois abre mão de sua dignidade e de seu verdadeiro poder para entregá-los a quem supostamente deveria zelar por eles.

E, nesse estado contínuo de simbólica e crível oposição, muitos preferem menos as asas sem destino da liberdade do que o beijo amargo da consentida escravidão.
Por Hugo Freitas
BNC Maranhão

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