25 de fevereiro de 2011

Por vaga, boias-frias antecipam migração e 'inflam' cidades

Para garantir trabalho, nordestinos chegam 2 meses antes do previsto à região da cana-de-açúcar em SP

Há uma semana, Fernando Santos Santiago, 18, tenta se acostumar à nova realidade em Guariba (337 km de SP), cidade de 35.491 habitantes na região de Ribeirão Preto.

Ele é um dos milhares de trabalhadores vindos de estados do Nordeste, como o Maranhão, para garantir uma vaga de cortador de cana-de-açúcar na safra que vai começar só em abril.

A diferença neste ano é que Santiago e algumas centenas de boias-frias já estão na região desde janeiro. Antes, chegavam só em março.

“Vim mais cedo porque disseram que está difícil conseguir emprego por causa das máquinas”, disse Santiago, que pela primeira vai trabalhar no corte da cana.

As “máquinas” se referem à crescente mecanização da lavoura. Um acordo ambiental entre o Estado e as usinas prevê o fim das queimadas da palha da cana até 2014. Com isso, cada vez mais aumenta o número de colheitadeiras e diminui o número de vagas.

Segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão da Secretaria de Estado da Agricultura, a cada máquina, 80 vagas são fechadas.

Impacto – Ao menos dez ônibus com cortadores nordestinos chegaram a Guariba desde janeiro, diz Inês Facioli, coordenadora da Pastoral do Migrante.

A antecipação já gerou impacto em Guariba e outras cidades canavieiras, como Pontal e Pradópolis.

Os postos de saúde são os que têm maior reflexo. O número de atendimentos chega aumentar 65%. “Não temos mais como suportar esse crescimento”, disse a secretária de Saúde de Guariba, Elizabeth Porto.

BNC Brasil

Nenhum comentário:

Postar um comentário

quero comentar