O vereador de Campestre, Amarildo Macedo entregou para os membros da Comissão de Direitos Humanos da AL dois projéteis de calibre 762 (fuzil) encontrados junto aos policias militares durante a manifestação ocorrida na sexta-feira após a morte de Tamires Vargas no município de Campestre. "Fica claro que a polícia usou armamento letal pesado para conter os manifestantes. Os projéteis serão encaminhados ao ICRIM para emissão de laudo pericial", informou a presidente da comissão, deputada Eliziane Gama. Nesta quinta-feira, dia 24, os deputados integrantes da Comissão de Direitos Humanos da AL realizaram reuniões nas cidades de Campestre do Maranhão e Porto Franco, na região sul do estado, com o objetivo de acompanhar as investigações sobre o caso envolvendo a jovem Tamires Pereira Vargas, de 19 anos, encontrada morta em uma cela da delegacia de Porto Franco.
Segundo Eliziane Gama, durante a visita aos municípios de Campestre e Porto Franco houve algumas contradições no que foi relatado pela polícia e o carcereiro, por causa disto será pedida nova perícia. Outro motivo para um novo laudo seria os policiais investigados serem da polícia na localidade em que a perícia foi feita. "Precisamos fazer um comparativo, principalmente se tratando de uma polícia local", disse.
A deputada comentou ainda que em Campestre os parlamentares ouviram o depoimento de uma senhora de 70 anos que todos os anos faz uma mobilização no Dia Internacional da Mulher no município, e este ano a manifestação foi realizada na sexta-feira seguinte, em virtude do dia ter sido comemorado na Terça-Feira de Carnaval. "A manifestação era pacífica, todos os anos fazemos. Na hora o povo começou a gritar 'Tamires' e quando vimos havia uma multidão", disse Dona Ivone.
Eliziane Gama lamentou os atos de violência da polícia e ressaltou a importância do trabalho de Dona Ivone na defesa dos direitos das mulheres. "Fico feliz que em uma cidade pequeno tenha uma mulher tão aguerrida e militante como Dona Ivone, que luta pelos direitos da mulher", frisou.
De acordo com os relatos da população, 12 pessoas foram presas durante a manifestação, casas foram invadidas por policiais, inclusive a residência do presidente da Câmara Municipal, além de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, e balas de borrachas para acabar com o tumulto. A Comissão de Direitos Humanos tem as fotos de pessoas que foram agredidas durante a confusão.
BNC Parlamento