21 de julho de 2011

Juiz está beneficiando matadores de casal extrativista no Pará, diz CPT

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) criticou, em nota pública divulgada nesta quinta-feira (21), o juiz Murilo Lemos Simão, da 4ª Vara Penal da comarca de Marabá, que por duas vezes rejeitou os pedidos de prisão contra os três homens apontados pela Polícia Civil como os responsáveis pelas mortes do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva em 24 de maio.

Quase dois meses após os crimes, que tiveram repercussão internacional, ninguém foi preso. Ontem, a Polícia Civil divulgou o nome dos supostos envolvidos nos crimes. Segundo a polícia, o mandante do assassinato foi José Rodrigues Moreira, 42, e os executores foram Lindonjonson Silva Rocha (irmão de Moreira), 29, e Alberto Lopes do Nascimento, 29, conhecido como “Neguinho”.

Ao longo das investigações a polícia pediu a prisão dos três em duas ocasiões. Na primeira, o pedido rejeitado foi de prisão temporária (detenção por no máximo 60 dias) e teve parecer favorável do Ministério Público (MP). Após juntar novas provas, a polícia pediu a prisão preventiva (por prazo indeterminado) dos três, também com parecer favorável do MP, mas novamente o juiz negou o pedido.

Nos dois casos Simão alegou não haver provas suficientes contra os supostos responsáveis pelos crimes. Um terceiro pedido de prisão ainda está sendo analisado pelo juiz. Já o inquérito policial foi encaminhado à promotoria de Marabá e nos próximos dias será remetido ao juiz.

Segundo a CPT, a rejeição dos pedidos de prisão permitiu que os suspeitos fugissem da região. “Os acusados já fugiram da região e se vislumbra novamente o cenário da impunidade também nesse caso”, afirma a pastoral. O mesmo juiz que rejeitou as prisões decretou sigilo das investigações, mesmo sem solicitação do Ministério Público ou da Polícia Civil, o que é incomum. 

BNC Norte

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