22 de fevereiro de 2012

Apenas 0,02% dos presos brasileiros fazem graduação

Eric Barbosa*, 27 anos, já foi vigilante, motorista de van, cobrador de ônibus, segurança. Tornou-se presidiário e, hoje, é exemplo a seus ex-companheiros. Eric é um gestor em recursos humanos e trabalha no Ministério da Justiça. Cumpriu suas dívidas com a Justiça e tenta construir capítulos bem diferentes dos que o levaram para a prisão. 

Preso por participar de um assalto, Eric não pensa em cometer os mesmos erros, como ele mesmo define. Entrou no mundo do crime para manter uma vida de luxos que não podia ter facilmente. “Mas atalhos não compensam. Acho que deveria haver mais ajuda para preparação para o vestibular e o Enem nas prisões”, comenta. 
Personagem raro nos presídios brasileiros, Eric era um dos 21 custodiados pelo sistema carcerário do Distrito Federal que fazia faculdade em 2011. Ao todo, Brasília era responsável por 9.822 detentos. No País, apenas 0,02% da população carcerária – que chega a meio milhão – estava no ensino superior no ano passado. 

Os dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (InfoPen), do Ministério da Justiça, mostram que a quantidade de estudantes nos presídios é ruim em todas as etapas. Em junho de 2011, quando o último balanço foi feito pelo Ministério da Justiça, apenas 8,4% dos 513.802 detentos brasileiros dedicavam parte de seu tempo aos estudos. 

Dentro de centros de detenção, se concentra uma massa de analfabetos ou de pessoas que aprenderam apenas a escrever o próprio nome ou ler frases curtas. Quase 88 mil das 513.802 pessoas que compõem a população carcerária do País se declaram analfabetas ou admitem ter passado pela alfabetização apenas. 

Dos 43.330 estudantes de 2011, 9.938 (23%) estavam nas turmas de alfabetização, 25.145 no ensino fundamental, 6.930 no ensino médio, 1.190 em cursos técnicos e 127 no ensino superior.

BNC Educação

Nenhum comentário:

Postar um comentário

quero comentar