8 de fevereiro de 2013

Violência em Campos (RJ) continua: mais uma militante do MST assassinada


Mulher de fibra que sempre contribuiu na militância do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Rio de Janeiro. É assim que a secretaria estadual do MST descreve a produtora rural Regina dos Santos Pinho, 56, assassinada no assentamento Zumbi dos Palmares. Sem contato com a vizinhança desde domingo, seu corpo foi encontrado somente nesta quarta-fera (6).
 
“É um crime bárbaro. Queremos ressaltar o nível de barbaridade deste assassinato e que as motivações sejam elucidadas. Em princípio não vemos relação direta com a luta pela terra e com o assassinato de Cícero. Mas não podemos descartar nada e nem afirmar nada”, afirmou a dirigente do MST, Marina dos Santos.
 
O assassinato de Regina ocorre onze dias após a execução de Cícero Guedes dos Santos, 48 anos, líder do MST em Campos dos Goytacazes. Regina foi encontrada em sua residência com um lenço vermelho amarrado no pescoço e seminua. 
 
“Foi uma morte brutal. Ainda não temos mais informações, mas indica que foi crime de violência sexual. No entanto, se trata de uma perda irreparável e este crime deve ser investigado com todo rigor”, consta em uma nota divulgada pela secretaria estadual ontem (6).
 
Conforme o delegado da 146a DP, Carlos Augusto Guimarães, está descartado o crime de latrocínio (roubo seguido de morte), já que foram encontrados dinheiro e pertences de valor na casa da vítima.  Guimarães considera as hipóteses de que tenha ocorrido um crime sexual ou que a morte tenha sido motivada por disputa pela terra. “Não descartamos crime sexual e a questão envolvendo o problema da terra. Não há sinais de luta, nem marca de sangue próximo ao corpo que estava em adiantado estado de decomposição”, afirmou.
 
Regina atuava no MST há uma década. A polícia foi acionada por vizinhos que estranharam a ausência da militante na missa de Sétimo Dia de Cícero, ocorrida na última segunda-feira (4). Regina e Cícero eram muito próximos e ambos eram referência em agroecologia no assentamento Zumbi do Palmares. Ela foi vista pela última vez no domingo, quando retornou ao assentamento de carona em uma moto. O motorista ainda não foi identificado. Segundo os vizinhos, a assentada morava sozinha e não tinha inimigos.

BNC Campo

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