24 de junho de 2013

Sobre agressões a jornalista


Tenho lido sobre as manifestações na capital e me chamou atenção o episódio envolvendo a jornalista do O Estado de Maranhão, Thamyres D’Eça. O caso que se fala aqui, da agressão verbal, se deu em uma página do Sampaio Corrêa, após um post da jornalista, que eu considero bem infeliz e até triste, sendo ela uma formadora de opinião e que se diz neutra e apenas fazer seu trabalho de comunicadora. 
 
Fato que foi postada em sua página no facebook, onde, por ser página pessoal, ela tem todo o direito de manifestação, da forma que melhor achar, mas, por ser, como reitero, formadora de opinião, considero que foi bastante infeliz. 
 
Ela postou o seguinte: "Fala mal da Mirante, quer jogar pedra, quer tacar fogo, grita palavras de ordem. Quando precisa divulgar qualquer coisa, procura primeiro quem? Quem? Quem? Saudades coerência. Ela ta mandando beijos, abraços e disse que não sabe que horas volta. #CadaUma”. 
 
Bom, fiz questão de por na íntegra, para não parecer manipulação de texto. Aí, com esse post, sendo essa pessoa uma jornalista, que se diz trabalhadora, isenta e etc o que tem a ver alguém procurar, ser convidado, ir até a emissora Mirante para uma divulgação? Da mesma forma, se faz com outros meios de TV, jornais e rádio! Sobretudo, são CONCESSÕES PÚBLICAS, então, não há donos. Se outro canal de TV local, por exemplo, fosse filiado da Globo, teria o mesmo apelo que a Mirante tem. Trata-se de uma emissora que, por ser ligada à globo, que não podemos negar, é a de maior audiência no país, se destaca. Claro, também pelos bons profissionais que possui. Ou seja, ir à Mirante conceder entrevista, divulgar evento ou qualquer coisa, não impede de se fazer críticas a quem comanda o Sistema, que é a família Sarney, nem à linha editorial seguida pelo grupo, que inclui a TV, o impresso e as rádios AM e FM! 
 
O fato é que, há sim, comunicadores do Sistema que defendem fielmente seus donos e não a tal comunicação ou as malfadadas notícia e informação. E que, eles próprios sabem, não podem sonhar em suscitar qualquer reprovação aos seus patrões, sob pena de perder seus empreguinhos. E fico pensando que, se esta pessoa que se diz esclarecida pensa dessa forma e é mais uma das muitas empregadas do Sistema, imagina os que realmente comandam e detém poder sobre essa mídia. No mais, considerei um deboche quando a jornalista cita a “coerência”. 
 
O prédio da Prefeitura TAMBÉM sofreu ação de vândalos e outros jornalistas TAMBÉM foram hostilizados, e estes estavam NO MEIO da movimentação, trabalhando. Aí a jornalista posta esse comentário infeliz e sem argumento – o que é bem ignorante partindo de quem se diz letrada – e não quer ser alvo de respostas? - certo que houve exageros por parte de muitos dos que se manifestaram na página social. Mas, isso só mostra o quanto a isenção da jornalista é zero, o quanto ela defende empresa, quem lhe paga, em lugar do fazer comunicação e o quanto falta coerência sim, mas a ela.  
 Quanto aos protestos, certamente, as manifestações, iniciadas em Rio e São Paulo, e que alcançaram o Maranhão, devem ser pacíficas, sem violência, nem quebra-quebra, ou ataques às pessoas, e também, conforme disseminado por todos os movimentos no país, sem bandeiras políticas. Sou cidadã da capital, também batalho por direitos e estive na manifestação por boa parte.
 
E vi pessoas bem desorientadas sobre como e pelo quê protestar. O que houve em São Luís, considerando também os atos de vandalismo, que claro, são condenáveis, ainda é tímido frente ao que ocorre no resto do país. 
 
Tem-se uma pauta, que foi divulgada em facebook, e a orientação é que fosse copiada e colada e não compartilhada. É a partir e por essa pauta que se deve lutar e os manifestos que ainda virão, devem focar no atendimento destes pedidos. Há reivindicações, e bem pertinentes, aos três poderes: ao prefeito Edivaldo Holanda Junior; à governadora Roseana Sarney; e também em âmbito federal. Ocorre que há muito oportunismo nessa movimentação, a começar por aquelas eternas acusações partindo dos que carregam a bandeira do "odeio Sarney" aos que servem os Sarneys e vice-versa, e como sempre, acabaremos não chegando a um ponto comum, que deveria ser o atendimento à pauta que foi muito bem elaborada e a mim, parece bem pertinente para um bom começo.

Rosane Paulo
Enviada a redação do BNC

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