Tenho
lido sobre as manifestações na capital e me chamou atenção o episódio
envolvendo a jornalista do O Estado de Maranhão, Thamyres D’Eça. O caso
que se fala aqui, da agressão verbal, se deu em uma página do Sampaio
Corrêa, após um post da jornalista, que eu considero bem infeliz e até
triste, sendo ela uma formadora de opinião e que se diz neutra e apenas
fazer seu trabalho de comunicadora.
Fato que foi postada em sua página
no facebook, onde, por ser página pessoal, ela tem todo o direito de
manifestação, da forma que melhor achar, mas, por ser, como reitero,
formadora de opinião, considero que foi bastante infeliz.
Ela postou o
seguinte: "Fala mal da Mirante, quer jogar pedra, quer tacar fogo, grita
palavras de ordem. Quando precisa divulgar qualquer coisa, procura
primeiro quem? Quem? Quem? Saudades coerência. Ela ta mandando beijos,
abraços e disse que não sabe que horas volta. #CadaUma”.
Bom, fiz
questão de por na íntegra, para não parecer manipulação de texto. Aí,
com esse post, sendo essa pessoa uma jornalista, que se diz
trabalhadora, isenta e etc o que tem a ver alguém procurar, ser
convidado, ir até a emissora Mirante para uma divulgação? Da mesma
forma, se faz com outros meios de TV, jornais e rádio! Sobretudo, são
CONCESSÕES PÚBLICAS, então, não há donos. Se outro canal de TV local,
por exemplo, fosse filiado da Globo, teria o mesmo apelo que a Mirante
tem. Trata-se de uma emissora que, por ser ligada à globo, que não
podemos negar, é a de maior audiência no país, se destaca. Claro, também
pelos bons profissionais que possui. Ou seja, ir à Mirante conceder
entrevista, divulgar evento ou qualquer coisa, não impede de se fazer
críticas a quem comanda o Sistema, que é a família Sarney, nem à linha
editorial seguida pelo grupo, que inclui a TV, o impresso e as rádios AM
e FM!
O fato é que, há sim, comunicadores do Sistema que defendem
fielmente seus donos e não a tal comunicação ou as malfadadas notícia e
informação. E que, eles próprios sabem, não podem sonhar em suscitar
qualquer reprovação aos seus patrões, sob pena de perder seus
empreguinhos. E fico pensando que, se esta pessoa que se diz esclarecida
pensa dessa forma e é mais uma das muitas empregadas do Sistema,
imagina os que realmente comandam e detém poder sobre essa mídia. No
mais, considerei um deboche quando a jornalista cita a “coerência”.
O
prédio da Prefeitura TAMBÉM sofreu ação de vândalos e outros jornalistas
TAMBÉM foram hostilizados, e estes estavam NO MEIO da movimentação,
trabalhando. Aí a jornalista posta esse comentário infeliz e sem
argumento – o que é bem ignorante partindo de quem se diz letrada – e
não quer ser alvo de respostas? - certo que houve exageros por parte de
muitos dos que se manifestaram na página social. Mas, isso só mostra o
quanto a isenção da jornalista é zero, o quanto ela defende empresa,
quem lhe paga, em lugar do fazer comunicação e o quanto falta coerência
sim, mas a ela.
Quanto
aos protestos, certamente, as manifestações, iniciadas em Rio e São
Paulo, e que alcançaram o Maranhão, devem ser pacíficas, sem violência,
nem quebra-quebra, ou ataques às pessoas, e também, conforme disseminado
por todos os movimentos no país, sem bandeiras políticas. Sou cidadã da
capital, também batalho por direitos e estive na manifestação por boa
parte.
E vi pessoas bem desorientadas sobre como e pelo quê protestar. O
que houve em São Luís, considerando também os atos de vandalismo, que
claro, são condenáveis, ainda é tímido frente ao que ocorre no resto do
país.
Tem-se uma pauta, que foi divulgada em facebook, e a orientação é
que fosse copiada e colada e não compartilhada. É a partir e por essa
pauta que se deve lutar e os manifestos que ainda virão, devem focar no
atendimento destes pedidos. Há reivindicações, e bem pertinentes, aos
três poderes: ao prefeito Edivaldo Holanda Junior; à governadora Roseana
Sarney; e também em âmbito federal. Ocorre que há muito oportunismo
nessa movimentação, a começar por aquelas eternas acusações partindo dos
que carregam a bandeira do "odeio Sarney" aos que servem os Sarneys e
vice-versa, e como sempre, acabaremos não chegando a um ponto comum, que
deveria ser o atendimento à pauta que foi muito bem elaborada e a mim,
parece bem pertinente para um bom começo.
Rosane Paulo
Enviada a redação do BNC