Reitor Natalino Salgado
“A
ausência do debate no âmbito da instituição, o discurso raivoso em
detrimento às aspirações da classe, e da universidade como um todo,
foram as marcas mais contundentes do processo eleitoral”
A nova diretoria da
Associação dos Professores da Universidade Federal do Maranhão – APRUMA,
eleita na última quinta-feira em um processo eleitoral esvaziado, terá
uma árdua tarefa pela frente. Na história daquela seção sindical,
protagonizou um pleito que passou despercebido pela grande maioria da
classe.
De um universo formado por 1.374
docentes, apenas 192 foram às urnas. Destes, 183 sufragaram a chapa
eleita, uma vez que não houve concorrentes. Nove eleitores preferiram
votar em branco. O resultado, antes de significar uma vitória, precisa
ser visto com atenção. A abstenção recorde é um recado da maioria que se
opõe à equivocada atuação do grupo e do seu projeto político:
credenciar-se, minimamente, às eleições do próximo reitor em 2015.
Ficou claro que a maior parte do
corpo docente da UFMA não concorda com a modus operandi daqueles que
passarão a dirigir a APRUMA. A ausência do debate no âmbito da
instituição, o discurso raivoso em detrimento às aspirações da classe, e
da universidade como um todo, foram as marcas mais contundentes do
processo eleitoral. No lugar de propostas, o ataque puro e simples, o
radicalismo, a intransigência, a intolerância. O isolamento a que o
grupo parece relegado, porém, não causou estranheza a quem conhece de
perto as minúcias da política universitária.
No recente episódio da greve de fome
dos estudantes as digitais desta minoria foram mais do que visíveis. A
ponto de insuflar manifestantes e a eles se juntarem em um circo armado
para constranger o reitor Natalino Salgado na porta da sua casa. Nada a
ver com solidariedade e apoio à causa que motivou o protesto: a
construção da Casa do Estudante no Campus. O objetivo era o achincalhe, a
intimidação, a exacerbação da crise para provocar o desgaste do
dirigente maior da instituição.
Não satisfeitos, se uniram em
bloqueios as vias de acesso à UFMA provocando o caos na Avenida dos
Portugueses e um enorme transtorno à população que por lá transita
diariamente. O excesso típico dos arroubos juvenis foi usado como massa
de manobra para chamar a atenção da comunidade e buscar o apoio de
segmentos menos esclarecidos da população.
Era preciso confundir a opinião
pública e fazer a sociedade crer que os alunos eram pobres vítimas e não
recebiam qualquer assistência da administração. Embora soubessem que
todos eram moradores da residência estudantil com direitos garantidos,
como bolsa-auxílio, alimentação gratuita e outros benefícios.
Contrários a essa atitude, uma
parcela muito maior de professores divulgou uma nota sobre o movimento.
Nela, pedia a solução negociada do impasse, reconhecia os incontestáveis
avanços da UFMA na atual administração e se solidarizava com o reitor
diante das agressões e ele dirigidas. Não tardou para serem taxados de
puxa-sacos e outros adjetivos impublicáveis, que os reacionários sempre
atribuem àqueles que não compartilham de suas idéias.
Agora se voltam contra a Academia
Maranhense de Letras, instituição que reúne os nomes mais destacados da
literatura no Maranhão, símbolo maior da cultura deste estado.
Simplesmente por que o seu atual presidente Benedito Buzar e o ex, Jomar
Moraes, saíram em defesa do confrade que dirige a Universidade Federal
do Maranhão, enaltecendo a magnitude da obra que ele legará àquela
instituição.
Recentemente, uma professora mais
dedicada a arquitetar factóides contra o reitor do que à sala de aula,
chegou ao absurdo de proclamar que o estudante Josemiro, o primeiro a
fazer greve de fome, “certamente será mais lembrado e reconhecido do que
muitos imortais da AML”. Outro, de currículo acadêmico inexpressivo,
mexeu com os brios dos imortais ao usar termos como “instituição
fantasma”, “expressão do que há de mais esclerosado em nossa cultura”,
“servilismo de uma ordem oligárquica”, para se referir a AML.
Tentam, dessa forma, ocultar as
verdadeiras motivações político-partidárias que movem os seus passos,
desqualificando qualquer um que os desaprovem. Arvoram-se como os
legítimos e únicos capazes da “elaboração crítica”, da construção de um
processo democrático. Acusam de cegueira quem afirmar o contrário. Na
verdade têm horror a crítica e a oposição.
O resultado da eleição, no entanto,
provou o quanto estão enganados. Não há mais espaço na universidade para
a intolerância, o radicalismo e a insensatez. Se a diretoria que
comandará a APRUMA não entender o recado das urnas e estabelecer uma
agenda positiva para a entidade corre o risco de ficar pregando no
deserto. Para o bem da UFMA, os ventos da prosperidade e do
desenvolvimento continuarão soprando.
BNC Artigo
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