Nayara Kjaer e Anderson Dutra, Administradores.com
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| Bons investimentos |
As
expectativas dos investidores têm apontado para um Brasil menos
atraente, e isso se reflete já na projeção de crescimento com a redução
recente do Produto Interno Bruto anunciada pelo governo e o menor número
de transações de fusões e aquisições.
Contudo, o Brasil começa a se posicionar
como um país que necessita amadurecer o aspecto de formação de
parcerias. Apesar da redução no volume total de fusões e aquisições,
existe um volume considerável de formação de parcerias que possuem
aspectos bastante qualitativos, principalmente para a indústria de óleo e
gás, que tem ampliado cada vez mais sua participação no PIB brasileiro.
Os investimentos recentes na 11ª rodada
de licitações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), quando 58 dos 159 blocos foram licitados em
parcerias, bem como no leilão do Campo de Libra, já apontam essa
necessidade uma vez que os investimentos no pré-sal serão extremamente
custosos e exigirão um elevado grau de objetividade e ceticismo
profissional, relacionados com a gestão dos riscos envolvidos no
processo exploratório dos campos.
Sem mencionar o sistema de partilha,
onde a Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras será a operadora e é
obrigada a participar com pelo menos 30%, algumas empresas que
tradicionalmente atuam como operadoras começam a abrir portas para
parceiros, que não necessariamente são experientes no setor, porém são
empresas com apetite financeiro para assumir o risco do investimento.
Bancos de investimentos e private equities começam a reconhecer essa
oportunidade de investimento direto.
Nesse sentido, os aspectos culturais
empresariais são poucos observados, contudo são os mais problemáticos na
formação dessas parcerias. O empresariado brasileiro no setor é
substancialmente centralizador e carrega uma cultura tradicionalmente
hierárquica. Geralmente os parceiros são estrangeiros, corporativos ou
investidores financeiros, portanto, a superação das diferenças culturais
é chave para criar valor e atingir as metas da parceria. Ao invés de
encarar essas diferenças como peças incidentais consequentes da
parceria, é importante colocá-las no centro da discussão, diminuindo os
riscos e gerando sinergias. O entendimento da forma como uma empresa
toma decisões, suas aptidões colaborativas, competitivas ou se trata-se
de uma empresa burocrática ou super focada em atingir seus objetivos
serão determinantes no alcance dos objetivos da parceria, sendo alguns
deles: aumento da capilaridade de venda, ganho de market share,
complementariedade de competências ou sinergias de know-how.
Temos acompanhado esses movimentos e
acreditamos que existem muitas oportunidades no Brasil para formação de
empreendimentos cooperados. Nossa experiência, através do assessoramento
aos nossos clientes nesse tipo de transação mostra que três ações são
essenciais para a geração de valor:
- Identificação de diferenças culturais
no início da formação da parceria, com o objetivo de mitigar riscos
culturais o mais rápido possível.
- Análise do impacto financeiro
potencial de problemas relacionados a diferenças culturais dentro da
parceria, como por exemplo: agilidade na tomada de decisão, performance
dos empregados, política internas de remuneração em descompasso,
velocidade dos processos internos, modelo mental de negócios,
planejamento estratégico, etc.
- Utilização das diferenças culturais
como fator gerador de valor na parceria. Por exemplo, a união da
expertise operacional de uma estatal de petróleo com o know how
financeiro e agilidade de um banco de investimento gera diversos
desafios, contudo, se realizado adequadamente, gerará uma vantagem
competitiva difícil de ser igualada.
Inayara Kjaer é sócia da área de
Integração e Separação da KPMG no Brasil e Anderson Dutra é diretor da
área de Petróleo e Gás da KPMG no Brasil

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