Além da estudante Luana Priscyla Fernandes Soares, 21, que morreu dois dias após participar da "roda de tereré",
em Campo Grande (MS), outros dez participantes do evento que premiava
com R$ 5.000 o grupo que mais consumisse a mistura de água gelada com
erva-mate também tiveram de receber atendimento médico.
As pessoas tiveram dor de cabeça e náuseas e foram atendidas pelo
Sistema de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que acompanhava o
torneio.
Uma delas foi liberada somente na sexta-feira (3), informou a
assessoria de imprensa do hospital da Santa Casa. Um rapaz de 19 anos de
idade ficou internado de domingo à noite até a tarde de sexta-feira
para tratar de "distúrbio metabólico", segundo a assessoria do hospital.
Luana, que cursava serviço social e era mãe de um bebê de oito meses,
sentiu dores de cabeça, náuseas e vomitou uma hora após o início da
competição, no domingo à tarde. O grupo dela, formado por dez pessoas,
tinha consumido em torno de 50 litros da bebida típica do Estado.
Foi a segunda vez que ocorreu a competição na cidade, promovida pela
rádio FM Blink 102. Na primeira, o evento juntou 50 mil pessoas, segundo
os organizadores.
A estudante concorria ao lado do marido, o auxiliar de escritório
Welton Godoy Miranda, 29. Ela sentiu-se mal, foi levada para um posto de
saúde, depois para o hospital, onde morreu na terça-feira à tarde.
Miranda disse que, no atestado de óbito, a causa da morte foi definida como Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Luiz Ovando, médico cardiologista, disse à imprensa de Campo Grande que
o excesso de água pode provocar o que chamou de intoxicação hídrica. As
células incham – inclusive do cérebro, daí a dor de cabeça -, segundo o
médico, e isso leva à convulsão. Para Ovando, a pessoa que for
participar de evento como a "roda do tereré" deve antes ser submetida a
uma avaliação médica.
O marido da estudante disse que a mulher não tinha problemas de saúde e
que a única vez que precisou de ir a médico foi quando deu à luz a
filha, hoje com oito meses.
O delegado Wellington de Oliveira disse que por enquanto não pensa em
instaurar inquérito por achar que "tomar tereré não é crime e pelo
informado pelo hospital a estudante sofreu um AVC".
A direção da emissora de rádio manifestou-se no dia seguinte à morte de
Luana. Informou, por meio de nota, que prestou atendimento à estudante e
que lamentava o ocorrido.
Fonte:Uol
BNC Notícias
