por Luciana Galastri
Há pouco mais de 12 meses, o editor do
site The Verge Paul Miller anunciou que faria um experimento: ele queria
passar um ano todo offline. E quando dizemos offline, não estamos
falando que ele apenas parou de usar suas redes sociais, ou que
continuava mandando mensagens por WhatsApp: todas suas conexões com a
internet foram cortadas, desde o seu laptop até o seu GPS.
O seu período de isolamento virtual
terminou esta semana. E, agora, Miller volta para contar a sua
experiência. De acordo com ele, no início do experimento, sua vida ficou
melhor e mais produtiva. Escreveu mais, estudou mais, leu mais e fez
todas as coisas que internautas assíduos acham que serão capazes de
fazer se, um dia, abrirem mão de acessar a internet.
No entanto, com o passar dos meses, Paul
percebeu que estar offline não resolveria seus problemas pessoais –
eles permaneciam lá. E a procrastinação e falta de produtividade eram
seus produtos e não da internet. Fora da rede, ele encontrou outros
motivos para mantê-lo distraído e longe de suas resoluções. “Achei que
eu fosse me tornar uma pessoa melhor. Eu não queria encontrar este Paul
no fim dessa minha jornada de um ano”, escreve, em artigo publicado no
The Verge, que resume todas as mudanças que ele sentiu.
GALILEU conversou com Miller para saber
mais sobre sua experiência e ficar mais por dentro dos detalhes sobre
seu exílio da rede – confira:
GALILEU:
Antes da experiência, você acreditava que ficar longe da internet por
um ano inteiro o tornaria, de várias formas, uma pessoa melhor. Mas,
depois do teste, você diz ter encontrado formas offline de perder seu
tempo e tomar decisões erradas. Por que temos essa tendência de culpar a
internet por nossos erros?
Paul Miller: Acho que todos nós fazemos
muitas decisões erradas e adoramos a ideia de ter algo para culpar a não
ser nós mesmos. Ouvi vários casos de pessoas que resolveram se afastar
da internet e fizeram muitas coisas boas com seu tempo extra – e esse
era eu no começo, então sei que é possível ser uma pessoa melhor. Mas
você precisa, na verdade, de determinação, no período de folga da
internet. Ficar offline não resolve nenhum de seus problemas sozinho.
20
anos atrás, o primeiro website foi lançado. E, hoje, você está
respondendo uma entrevista sobre como foi ficar offline um ano inteiro –
coisa que o mundo todo encara como um feito impressionante.
Miller: Isso é uma prova de como nós
podemos nos adaptar, de como nós somos capazes de usar algo tão bizarro
quanto a internet de forma tão fluente. Mal lembramos de uma época em
que ela não existia. Mas é importante lembrar também de como a internet é
única, das diferenças que ela tem para outras experiências humanas.
Que diferenças seriam essas?
- Miller: Elas não são necessariamente boas ou ruins, mas agora que voltei para a internet eu vejo como ela é chocante e insana e posso compará-la com a nossa existência offiline. Temos tanta informação agora, tanta presença na vida de outras pessoas. E a capacidade de nunca nos sentirmos entediados de novo.