Veja os principais trechos da entrevista do secretário-adjunto, que é formado em Medicina Veterinária, Alberto Carneiro: ao Blog Robert Lobato
FALTA DA VACINA ANTIRRÁBICA
Não é verdadeira a informação de que
falta vacina antirrábica no Maranhão. Pelo contrário, os nossos estoques
na Secretaria de Saúde são suficientes para atender a demanda deste
imunobiológico em todo o território do estado.
Ocorre que nalgumas cidades cujo sistema
de saúde local não é dotado de equipamentos e instalações adequadas
para o estoque das vacinas, nem todos os postos dispõem. Daí que as
mesmas ficam devidamente armazenadas nas principais unidades de saúde do
Município que recebe o produto diretamente da Unidade Estadual Regional
de Saúde à qual o município pertence, completando o estoque sempre
quando o Município estiver prestes a acabar o seu. O saldo atual da
vacina antirrábica humana na Central do Estado é de 20.995 doses e 1.270
de soro.
VACINAÇÃO ANIMAL
Existem campanhas
anuais de vacinação antirrábica no Maranhão. Atualmente são realizadas
duas por anos, destinadas para cães e gatos, conforme preconiza o
Ministério da Saúde. Ocorre que há casos onde a vítima é atacada por
animais silvestres, como morcegos, raposas, primatas ou outros,
silvestres ou não, como o caso de herbívoros ( bovinos, bubalinos,
caprinos, ovinos, equídeos). Desse modo, qualquer que seja o animal
agressor, a vítima deve lavar imediatamente o local da lesão, com água
potável e sabão enquanto se dirige a uma unidade de saúde para aplicação
imediata do soro e da primeira dose da vacina se o animal for
silvestre, de rua ou, se a mordida, arranhadura ou agressão ocorreu em
uma das extremidades.
Quando o animal agressor ataca e está
infectado com o vírus da Raiva, normalmente está na fase terminal da
doença, por isso se justifica manter o animal em observação (quando se
tratar de animal doméstico domiciliado) por dez dias. Nessa fase o
comportamento do animal começa a se alterar : agressividade, inclusive
com o(s) dono(s), perda do apetite, salivação intensa, paralisia dos
membros posteriores, entre outras alterações e morte.
Vale ressaltar, que regularmente há vacinação de profissionais cuja atividade implica em pré-exposição para raiva.
Outro dado importante é o trabalho que a
secretaria de Saúde tem procurado fazer em parceria com a Aged no
combate à raiva, um trabalho integrado que tem gerado bons resultados.
Veja abaixo o quadro de agressões em humanos por cães entre 2012 e 2013:
O CASO DA JOVEM ATENDIDA PELO MÉDICO NIGERIANO
Os pais da jovem que
faleceu na cidade de Mirinzal afirmam que ele foi mordido por um cão de
rua. Pelos dados documentais, que temos o médico Kinglsley Ify
Umeilechukwu não aplicou ou prescreveu o soro e tão pouco procedeu
devidamente, pois não observou quanto a necessidade da sequência de
doses que deveria ser aplicadas no paciente. Havia vacina no município e
mesmo se não houvesse na localidade em questão, bastaria ter solicitado
na Unidade Regional mais próxima, tal como expliquei acima.
MINISTÉRIO PÚBLICO
A secretaria de Saúde encaminhará este
mês a relação dos municípios que não atingiram a meta de vacinação
antirrábica, conforme dados contidos no site do SI-PNI – Sistema de
Informação do Programa Nacional de Imunizações, órgão do Ministério da
Saúde.
O Maranhão deve, no geral, bater a meta e
ficar acima dos 90% de cobertura, mas temos o dever de informar às
autoridades fiscalizadoras e à sociedade em geral, quais os municípios
não alcançaram os números estabelecidos pelo sistema.
Todo cidadão agredido por animal
suspeito de Raiva ou animal desconhecido tem todo o direito de receber
soro e vacinas e todo profissional de saúde responsável tem o dever de
proceder corretamente. O Estado está fazendo a sua parte,
disponibilizando soro e vacinas de uso humano, vacinação animal para
cães e gatos, insumos, recursos pra campanhas e capacitações.