18 de fevereiro de 2014

Inteligência Emocional: conheça características do líder moderno

*Por Paulo Cesar Ribeiro
 
Estamos na era do capital intelectual (Brain Power), em que as empresas querem os melhores líderes, pois eles lhes darão reais vantagens competitivas. Neste cenário, a Inteligência Emocional (QE) é extremamente importante e está ligada ao sucesso pessoal e profissional. Hoje, para ser considerado “inteligente”, o líder tem que possuir QI (Inteligência Intelectual: raciocínio lógico, matemático e verbal) e, principalmente, um bom QE (Inteligência Emocional).

O termo se referia inicialmente à capacidade de empatia e autocontrole. Novos estudos o associaram à Inteligência Interpessoal, ou seja, à habilidade de entender outras pessoas (suas motivações, como trabalham e como atuar cooperativamente) e à Inteligência Intrapsíquica (autopercepção e autoconhecimento).

No caso dos líderes, este equilíbrio é considerado essencial para se alcançar a excelência em termos de comportamento gerencial. Estudos apontam que 20% do sucesso de alguém está relacionado ao seu QI e 80% ao QE.

A tendência atual associa a Inteligência Emocional ao caráter e ao conjunto de talentos do líder como:

• Autoconhecimento: capacidade de reconhecer seus próprios sentimentos; ter consciência de si mesmo, conhecer a própria vida afetiva.

• Autogerência: capacidade de controlar os impulsos e sentimentos aflitivos; ter controle das próprias decisões; ter serenidade em situações de stress.

• Automotivação: capacidade de buscar a realização profissional através do trabalho de forma entusiástica e autônoma; manter o otimismo diante das frustrações e derrota; ser persistente e tenaz.

• Empatia: habilidade de perceber e entender os sentimentos alheios; capacidade de se colocar no lugar do outro, mostrando ser compreensivo, apoiador e sensível.

• Engajamento/Capacidade de se relacionar: capacidade de atuar; não ver a vida como um observador; não se limitar a observar as pessoas, mas encontrar alegria no convívio.

• Resistência às frustrações: capacidade de reagir proporcionalmente aos estímulos e de canalizar de forma saudável e produtiva, a própria ansiedade, agressividade e impulsividade; agir com paciência, maturidade e autocontrole.

Um líder emocionalmente inteligente não é aquele que reprime suas emoções, mas sim o que aprende a administrá-las para liberá-las na hora certa, com a pessoa certa e da forma mais adequada possível. Ele mantém uma forte expectativa de que as coisas darão certo, apesar dos reveses e das dificuldades. Essa atitude o protege da apatia, desesperança e depressão.

Vale lembrar que QE não é o oposto de QI. Alguns líderes são muito inteligentes e bem equilibrados emocionalmente. Outros não conseguem manter esse equilíbrio, valendo-se de suas capacidades intelectuais na gestão de suas equipes. Mas, via de regra, esse comportamento intelectualizado acarreta entraves nos relacionamentos entre os membros dessas equipes, com desgastes no clima organizacional e perdas na produtividade. Hoje, o grande desafio é entender como QI e QE se complementam.

Enfim, o equilíbrio emocional não é algo fácil de ser obtido nem é uma questão genética: é algo que se aprende e que pode ser melhorado por meio de treino, esforço e persistência. Para tanto, o líder têm que saber exatamente o que quer alcançar, identificar velhos hábitos e associá-los a uma reação produtiva. Depois de algum tempo, consegue substituir as atitudes que deseja eliminar por outras que acabam se tornando automáticas.

Um bom processo terapêutico pode acelerar o autodesenvolvimento, assim como relações afetivas estáveis e gratificantes, programas de desenvolvimento gerencial, viagens, atividades culturais e de lazer etc. Ou seja, uma vida rica, estimulante e diversificada faz com que as pessoas se mantenham intelectual e emocionalmente ativas, felizes e saudáveis.

*Paulo Cesar T. Ribeiro é psicoterapeuta de adultos e adolescentes, coach para desenvolvimento profissional e palestrante.

BNC Notícias

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