*Por Paulo Cesar Ribeiro
Estamos na era do capital intelectual
(Brain Power), em que as empresas querem os melhores líderes, pois eles
lhes darão reais vantagens competitivas. Neste cenário, a Inteligência
Emocional (QE) é extremamente importante e está ligada ao sucesso
pessoal e profissional. Hoje, para ser considerado “inteligente”, o
líder tem que possuir QI (Inteligência Intelectual: raciocínio lógico,
matemático e verbal) e, principalmente, um bom QE (Inteligência
Emocional).
O termo se referia inicialmente à
capacidade de empatia e autocontrole. Novos estudos o associaram à
Inteligência Interpessoal, ou seja, à habilidade de entender outras
pessoas (suas motivações, como trabalham e como atuar cooperativamente) e
à Inteligência Intrapsíquica (autopercepção e autoconhecimento).
No caso dos líderes, este equilíbrio é
considerado essencial para se alcançar a excelência em termos de
comportamento gerencial. Estudos apontam que 20% do sucesso de alguém
está relacionado ao seu QI e 80% ao QE.
A tendência atual associa a Inteligência Emocional ao caráter e ao conjunto de talentos do líder como:
• Autoconhecimento: capacidade de reconhecer seus próprios sentimentos; ter consciência de si mesmo, conhecer a própria vida afetiva.
• Autogerência:
capacidade de controlar os impulsos e sentimentos aflitivos; ter
controle das próprias decisões; ter serenidade em situações de stress.
• Automotivação:
capacidade de buscar a realização profissional através do trabalho de
forma entusiástica e autônoma; manter o otimismo diante das frustrações e
derrota; ser persistente e tenaz.
• Empatia: habilidade
de perceber e entender os sentimentos alheios; capacidade de se colocar
no lugar do outro, mostrando ser compreensivo, apoiador e sensível.
• Engajamento/Capacidade de se relacionar: capacidade de atuar; não ver a vida como um observador; não se limitar a observar as pessoas, mas encontrar alegria no convívio.
• Resistência às frustrações:
capacidade de reagir proporcionalmente aos estímulos e de canalizar de
forma saudável e produtiva, a própria ansiedade, agressividade e
impulsividade; agir com paciência, maturidade e autocontrole.
Um líder emocionalmente inteligente não é
aquele que reprime suas emoções, mas sim o que aprende a administrá-las
para liberá-las na hora certa, com a pessoa certa e da forma mais
adequada possível. Ele mantém uma forte expectativa de que as coisas
darão certo, apesar dos reveses e das dificuldades. Essa atitude o
protege da apatia, desesperança e depressão.
Vale lembrar que QE não é o oposto de
QI. Alguns líderes são muito inteligentes e bem equilibrados
emocionalmente. Outros não conseguem manter esse equilíbrio, valendo-se
de suas capacidades intelectuais na gestão de suas equipes. Mas, via de
regra, esse comportamento intelectualizado acarreta entraves nos
relacionamentos entre os membros dessas equipes, com desgastes no clima
organizacional e perdas na produtividade. Hoje, o grande desafio é
entender como QI e QE se complementam.
Enfim, o equilíbrio emocional não é algo
fácil de ser obtido nem é uma questão genética: é algo que se aprende e
que pode ser melhorado por meio de treino, esforço e persistência. Para
tanto, o líder têm que saber exatamente o que quer alcançar,
identificar velhos hábitos e associá-los a uma reação produtiva. Depois
de algum tempo, consegue substituir as atitudes que deseja eliminar por
outras que acabam se tornando automáticas.
Um bom processo terapêutico pode
acelerar o autodesenvolvimento, assim como relações afetivas estáveis e
gratificantes, programas de desenvolvimento gerencial, viagens,
atividades culturais e de lazer etc. Ou seja, uma vida rica, estimulante
e diversificada faz com que as pessoas se mantenham intelectual e
emocionalmente ativas, felizes e saudáveis.
*Paulo Cesar T. Ribeiro é psicoterapeuta de adultos e adolescentes, coach para desenvolvimento profissional e palestrante.
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