Da editoria de Política (O Estado do MA)
São Luis - Na sexta-feira (14), o PT do Maranhão
iniciará os debates sobre a tática eleitoral a ser seguida nas eleições
deste ano. Nesses encontros da executiva estadual também será tratado o
posicionamento do partido em relação à eleição indireta na Assembleia
Legislativa. Sobre esse assunto, a legenda está dividida, e a orientação
nacional é para que não haja participação dos petistas nesse processo.
A argumentação da nacional é de que a
participação do PT na eleição indireta – caso ela ocorra – poderia
antecipar uma decisão sobre o posicionamento do partido para as eleições
de outubro no Maranhão. De acordo com o presidente estadual do PT,
Raimundo Monteiro, que admitiu que há esse receio da direção nacional, a
participação do PT na indireta poderia até atrapalhar as negociações da
sigla em outros estados.
“O partido está com o pé no freio sobre a
eleição indireta. Alguns acreditam que podemos antecipar o que será
decidido no encontro do PT conforme o nosso calendário. De qualquer
forma, isso [a eleição indireta] será discutido internamente e quem
decidirá será a maioria”, garantiu Monteiro.
Dentro das alas petistas no Maranhão,
essa discussão sobre o pleito na Assembleia divide opiniões. Existem
membros da Construindo um Novo Brasil (CNB) – que é do presidente
Raimundo Monteiro e defende a manutenção da aliança do PT com o PMDB no
estado – que não querem o envolvimento do PT na indireta. Assim como
membros de alas que querem a candidatura própria ou aliança com o PCdoB
acreditam que o partido não pode deixar de participar desse pleito.
O presidente estadual, por exemplo,
declarou, assim que foi confirmada sua vitória no Processo de Eleição
Direta (PED) pela direção nacional, que historicamente o PT é contra
eleição de colegiado (com escolha de representantes da população por
meio de votação indireta) e por isso nem discutiria essa possibilidade.
Monteiro voltou atrás dessa afirmação semanas depois, após pressão de
parte da militância.
Posições – O vice-presidente petista no
Maranhão, Augusto Lobato, também é contra essa participação, mas é um
dos que defendem a discussão para a maioria decidir qual caminho seguir.
“O PT é um partido democrático. Tudo que tiver que ser decidido será por meio do voto da maioria”, afirmou vice-presidente.
Ainda segundo Lobato, entrar na disputa
pleiteando a vaga de vice novamente é uma incoerência, porque a legenda
tinha esse cargo e decidiu renunciar. “Se fosse disputar [a eleição
indireta], não poderia ser com uma composição sendo vice. O partido
tinha esse cargo, renunciou. Como agora quer ter o cargo novamente? É
incoerente”, disse.
O secretário estadual de Economia
Solidária, José Antônio Heluy, pensa ao contrário de Lobato. De acordo
com ele, o PT tem a aliança com o PMDB, participa da atual administração
e o curso normal seria compor a chapa do candidato do governo.
“O processo legal é esse. O PT deve
participar dessa eleição caso ela ocorra. Fazemos parte do governo, a
aliança é sólida e o normal é tanto apoiar o candidato do PMDB, o Luis
Fernando, quanto pleitear a vaga de vice. Não vejo problema”, afirmou.
Esse debate será definido no encontro de
tática eleitoral, uma espécie de eleição interna da executiva estadual,
que deverá ocorrer ainda este mês. A data prevista é dia 25.
Pré-candidatos a vice querem o PT no pleito
A participação do PT na eleição indireta
passa também pelo debate da vaga de vice-governador. Já existem nomes
de pré-candidatos a esse cargo. É o caso dos secretários Rodrigo
Comerciário (Articulação Institucional) e José Antônio Heluy (Economia
Solidária). Ambos defendem a entrada do PT na eventual disputa.
Rodrigo Comerciário, que desde o fim do
PED em novembro do ano passado já colocava seu nome como pré-candidato a
vice em uma composição do PT com o PMDB, quer o PT na indireta e que
seja ele o vice de Luis Fernando Silva (PMDB), nome cogitado para ser o
governador em caso de renúncia de Roseana Sarney.
“Estamos trabalhando para entrar nessa
disputa. Não vejo por que o PT não pode participar, até mesmo porque a
possibilidade de manutenção da aliança com o PMDB no Maranhão é imensa”,
afirmou.
José Antônio Heluy, outro pré-candidato,
quer ser vice de Luis Fernando e acredita que o caminho a ser seguido
no PT será esse. “Temos a maioria na executiva, a maioria dos delegados e
maioria no diretório estadual. Devemos seguir a mesma linha de 2010.
Então, antecipamos isso, e que o PT participe, sim, da eleição indireta
caso a governadora Roseana Sarney deixe o mandato”, disse Heluy.
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