17 de novembro de 2008

Padre, Igreja, e a família, uma combinação em debate

O conflito com o celibato na Igreja Católica é um dos grandes desafios do sacerdócio. Perturba os padres há séculos e é um problema para o Vaticano. Mas nem sempre foi assim. O celibato só se tornou obrigatório no século 16.
"Penso eu que a igreja não tende a modificar isso, tanto é que o Código do Direito Canônico foi promulgado em 1983 e continua com esta prescrição: o celibato para o sacerdote”, acredita Dom Ancelmo Chagas de Paiva, doutor em Direito Canônico.
"O celibato não tem nada a ver com o dogma. É uma opção política e jurídica da igreja. O papa pode, quando quiser, se quiser, dizer: acabou o celibato”, afirma o padre João Tavares, coordenador do Movimento dos Padres Casados do Brasil.
Na periferia de São Luís, no Maranhão, o padre Caetano, celibatário por 18 anos e casado há quatro, ingressou na Igreja Vétero Católica, uma dissidência da Igreja Romana, para poder continuar celebrando ritos religiosos. No lugar, nós encontramos um grupo de padres casados.
"Eu passei a sentir necessidade, vontade de constituir uma família, então, para não haver escândalo, problema, escandalizar, eu disse: prefiro sair”, conta o padre Ronaldo Farias.
A Igreja Católica tem no Brasil aproximadamente 18 mil padres. O número era maior. Nos últimos anos, muitos resolveram assumir o relacionamento que mantinham secretamente, se casaram e por isso foram obrigados a abandonar a batina. Estima-se que pelo menos 7 mil padres deixaram o altar para assumir o casamento.
Muitos deles hoje querem ser aceitos de volta na Igreja Católica, sem abrir mão da família. “Eu tenho um processo no Tribunal Roto-Romano, eu poderia tranquilamente voltar para exercer minhas funções como padre casado”, conta o padre José Caetano Souza.
A Igreja Católica sob o comando do papa tem duas grandes divisões em seus ritos: o latino adotado na Europa, África e nas Américas, e o oriental. As igrejas do rito oriental, embora subordinadas ao Vaticano, aceitam padres casados, desde que o casamento tenha ocorrido antes da ordenação.
"No nosso caso, que somos da igreja latina, sempre se achou que havia uma adequação muito boa entre celibato e ministério sacerdotal. Mas pode ter um momento que isto mude também", diz Dom José Belisário, arcebispo de São Luís.
"Ninguém está imune ao amor. O amor pode chegar na vida de uma pessoa depois de uma escolha definitiva”. O mineiro Fábio de Melo, 37 anos, é padre, professor, cantor e compositor. Apesar do sucesso e da tentação do assédio, ele é a favor do celibato obrigatório.
"O celibato está a favor do meu sacerdócio, porque ele me ajuda a ser mais livre. Ele me ajuda ter mais tempo para a minha missão. Como é que eu lido com o assédio? Tratando com respeito, pedindo esse respeito e ao mesmo tempo delatando o que precisa ser delatado”, afirma padre Fábio.

O celibato é uma opção, haja vista os casos recentes de pedofilia, homossexualidade, e relações amorosas, a cada dia tem se agravado e em determinados momentos a Igreja tem sido questionada, mas até o momento tem reafirmado a importância da vida sacerdotal, o seminarista ao longo da sua vida pode escolher, pois vive uma experiência constante, pois atua na comunidade. Se perceber que não está preparada o melhor é confessar sua fé de outra forma, como tem feitos alguns padres.

Esse deve ser o rumo que alguns sacerdotes devem trilhar para poder satisfazer sua vontade de ter família e ao mesmo tempo celebrar, é algo novo no Brasil, essa postura da sociedade, de fazer uma defesa mais afirmativa com relação ao celibato na Igreja Romana. Isso não vai resolver muito os casos citados a reflexão tem que ser feita mais profundamente, a começar pelos padres, sociedade e igreja, sem esquecer o foco principal que é Jesus Cristo.
O vaticano prefere sempre reafirmar a importância do sim para obra de Deus, enquanto o número de padres que deixam a igreja católica é grande, mas fica a pergunta, até quando manter o celibato.

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