Durante 40 dias, a família da comerciante Albertina Rodrigues de Lima, de 42 anos, teve de viver ao relento, na laje de sua casa na cidade de Trizidela do Vale, uma das mais atingidas pelas enchentes no Maranhão.
Expulsos de dentro do imóvel pelas águas, que chegaram até o teto, Albertina, o marido, a filha de sete anos, o filho de dez, um cachorro, um gato, quatro galinhas e um galo passaram dias e noites ao relento.
O único espaço para se abrigar da chuva e do sol era uma pequena lona amarela, que também servia para proteger alguns móveis, roupas e utensílios salvos da enchente.
"De dia, o sol queimava a 40 graus. De noite, chovia sem parar", diz Albertina, que somente na semana passada pôde voltar para dentro de casa e ainda tenta limpar a sujeira e a lama deixadas pelas águas.
Ao lado do marido, Genésio Alves de Souza, de 58 anos, Albertina administra o bar Faça Farra, que funciona em um dos cinco cômodos de sua casa e onde vende cerveja, refrigerantes, carne de sol e espetinhos.
Ela conta que a família tomou a decisão de morar na laje, em vez de ir para a casa de parentes ou para um abrigo, por medo de furtos.
"Ficamos lá, noite e dia, para não roubarem nossas coisas", diz Albertina.
São comuns em Trizidela do Vale e em outras cidades do Vale do Mearim atingidas pelas enchentes relatos de furtos de telhas, móveis, roupas e até portas das casas abandonadas.
"Muitas pessoas foram roubadas aqui. De nós, não levaram nada", diz a comerciante.
Apesar da chuva ter aliviado e os rios voltado a sua normalidade, o sofrimento e a dor ainda atormentam a população riberinha.
Fonte: NBC NOTICIAS