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8 de março de 2015

SÍMBOLO DE LUTA DAS MULHERES, MARTA SUPLICY PODE DEIXAR O PT

Mulheres petistas em choque: Marta dispara pesado contra Dilma
 
São Paulo - Uma das maiores representantes do movimento feminista no Brasil, a senadora Marta Suplicy está em litígio com o PT. Ela cogita ingressar no PSB para ser candidata à Prefeitura de São Paulo, em 2016.

O PSB é aliado do governador tucano Geraldo Alckmin, interessado em derrotar o prefeito petista Fernando Hadad.

Marta voltou a ser colunista da Folha de São Paulo e no seu artigo de reestreia, dia 6, intitulado “A vaca foi pro brejo?”, dispara artilharia pesada contra a presidente Dilma Roussef.

O título do artigo é uma descortesia da pior espécie.

A vaca no atoleiro é fruto da realidade negada e da estratégia errada, sentenciou Suplicy.

Nos golpes seguintes contra Dilma, a senadora petista poupa Lula. Segundo Marta, o ex-presidente tentou aconselhar o governo, mas foi afastado e requerido de última hora para socorrer Dilma na reeleição.

Marta foi prefeita de São Paulo e ministra nos dois governos petistas. Em 2014, deixou o Ministério da Cultura atirando em Dilma, seu alvo predileto.

A senadora é um pote até aqui de mágoas com o PT, o partido que lhe deu tudo, mas tem negado sucessivas vezes as suas tentativas de candidatura majoritária.

Depois de ser prefeita de São Paulo, Marta considera-se alijada das grandes disputas.

O artigo na Folha é cruel. Segundo a senadora petista, o Brasil vive uma roubalheira sistêmica e a estratégia de culpar FHC “não faz sentido, pois o tamanho do rombo atual faz com que tudo pareça manobra diversionista.”

Por fim, ironizou o discurso petista de que as denúncias contra a Petrobras são uma orquestração das elites, visando privatizar a petroleira.

Depois de tudo que escreveu na Folha, Marta quase não deixa dúvidas: o PT é passado.

Em março, mês da mulher, ele pede divórcio do PT.

Maio, mês das noivas, casa com o PSB.

30 de novembro de 2014

De saída do governo, Marta parece seguir a trilha de Marina Silva

Brasília - Em meados de 2008, se pudesse espiar o futuro para saber como será o ambiente político em 2014, o eleitor petista teria certa dificuldade em acreditar nas notícias da última semana. Falo em 2008 porque, naquele ano, o PT se unia em torno da candidatura de Marta Suplicy para voltar à Prefeitura de São Paulo. O adversário a ser batido era Gilberto Kassab, candidato do DEM apadrinhado pelo arquirrival petista José Serra (PSDB).


Marta saiu derrotada da eleição - o que, de quebra, enfraqueceu a possibilidade de ser lançada candidata ao governo paulista dali a dois anos. Desde então, muita coisa mudou. Parte da cúpula do primeiro governo Lula está presa, entre os quais José Genoino e José Dirceu. Muitos saíram do partido. Marina Silva, que deixara o Ministério do Meio Ambiente em 2008, para em seguida se filiar ao PV logo, se afastou tanto do ponto de origem que, seis anos depois, numa conversão inimaginável, entrava de cabeça na campanha de um candidato tucano à Presidência. As ironias: Maria, a ambientalista, agora é inimiga, e Katia Abreu, a ruralista, amiga.


Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, foi ungida candidata pelo presidente Lula à sua sucessão e se tornou presidenta da República. O PT retomaria a prefeitura de São Paulo somente em 2012, mas não com Marta: o escolhido foi o então desconhecido Fernando Haddad. Haddad, como Dilma, era chamado pelos opositores de “poste” de Lula, numa crítica ao fato de que qualquer indicado pelo ex-presidente venceria qualquer eleição.


Marta, que não era poste, foi eleita senadora em 2010 em um quase voo solo, mas logo foi nomeada ministra da Cultura como recompensa pelo empenho na reta final da campanha do futuro prefeito paulistano. Ela dividiria por pouco tempo a bancada petista no Senado com o ex-marido Eduardo Suplicy. Após 20 anos no cargo, ele não conseguiu se reeleger em 2014. Perdeu a vaga para o ex-governador José Serra (PSDB), que para se eleger senador teve de bater o ex-afilhado político Gilberto Kassab.


O que poucos apostariam em 2008 é que Kassab, num ato de rebeldia, sairia por aí reunindo apoio para montar o seu partido próprio, o PSD, e se tornaria aliado de primeira hora do governo federal. Tanto que a presidenta petista, que já disse não falar em nome do PT, mas do governo, não poupa elogio ao ex-adversário. Kassab também é só elogios a Dilma Rousseff. Marta, por sua vez, é pura mágoa: mal encerrada a campanha, ela aproveitou a viagem da chefe ao exterior para deixar em sua mesa uma carta de demissão. 

Na despedida, desejou “luminosidade” à presidenta que até ontem era chamada pelos opositores de “poste”: “Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país”.


Em 2014, a profecia do beato que dizia que o sertão viraria mar e o mar viraria sertão parecia cumprida. A seca na terra da garoa soa como alegoria para uma época de metamorfoses. Mas governar é fazer escolhas, e fazer escolhas exige perdas. Sem espaço no governo, Marta, ao que tudo indica, está de saída do partido. Sua proximidade com o ex-presidente Lula talvez não o convença a desistir de lançar Fernando Haddad à reeleição em São Paulo. Se isso acontecer, não estranharia se, a partir de agora, a ex-prefeita seguisse o caminho já traçado por Marina Silva, Luiza Erundina, Heloisa Helena e outros antigos ícones do partido em direção à oposição.


*Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Fonte: Yahoo!
BNC Política