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8 de abril de 2015

Deputado Cabo Campos lamenta falecimento do professor Luiz Fernando.

Grande Ilha - O deputado Cabo Campos (PP), usou a tribuna da Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (07) para lamentar a morte do professor, Luiz Fernando Arruda de Carvalho. “Era professor e não militar, porém esteve sempre presente em ações paredista, como a que aconteceu no ano de 2014.  Foi um grande professor como poucos e que deixou um legado, para família militar", disse Campos.  

Cabo Campos disse que o professor Luiz Fernando era tido por quem o conhecia como um grande profissional e tem certeza que os alunos das instituições de ensino onde lecionava e no meio militar onde lutava pelas melhorias da categoria lamentam o seu falecimento. "Ele comprou as lutas dos militares, dos excedentes, infelizmente complicações nos ruins, fígado, o levou a óbito. Porém  o seu legado foi deixado aqui nessa terra, onde por longos anos iremos nos lembrar daquilo que fez, finalizou o deputado.  

O professor Luiz Fernando, faleceu por complicações em sua cirurgia, onde estava  internado em estado grave na cidade de Teresina. O velório está marcado para acontecer na residência  de seu pai, no Cruzeiro do Anil, próximo da garagem da empresa Guanabara. 

BNC Parlamento estadual

6 de março de 2015

Seu Jessé, pai do cantor Zeca Pagodinho, morre aos 87 anos

Rio de Janeiro - O pai do cantor Zeca Pagodinho morreu na madrugada desta sexta-feira. Jessé Gomes da Silva, de 87 anos, estava internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul da cidade. 

Ele sofria de insuficiência cardíaca e deu entrada na unidade para fazer a troca do seu marcapasso, porém, como não estava apto a fazer a cirurgia, aguardava que seus exames se equilibrassem para que pudesse passar pelo procedimento.

BNC Famosos

16 de dezembro de 2014

Dados sobre violência em São Luís são considerados insuportáveis pela ONU

Grande Ilha - O Centro de Apoio Operacional do Controle Externo da Atividade Policial (CAOp-CEAP) publicou em sua página, no site do Ministério Público do Maranhão, dados atualizados até novembro a respeito da violência em São Luís.

Estão disponíveis dados como “Números de mortes ocorridas, na Grande São Luís, do ano de 2010 a novembro de 2014, conforme os dados do IML”; ”Números de homicídios e de mortes violentas ocorridas em 2013, na Grande São Luís, conforme diversas fontes”; “Comparativo do número de homicídios e de mortes violentas (CVLI) ocorridas, na Grande São Luís, até o mês de novembro de 2014, conforme diversas fontes” e ”Gráfico de assaltos a coletivos ocorridos, na Grande São Luís, de 2009 a novembro de 2014”. Veja neste endereço os dados:

Em novembro, segundo o CAOp-CEAP, 140 pessoas - sendo quatro mulheres e 136 homens - foram mortas em decorrência dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), metodologia de produção de estatísticas para o crime de homicídio e demais delitos intencionais com resultado morte, sugerida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão do Ministério da Justiça.

O número supera em 18 % o valor dos crimes violentos letais intencionais ocorridos no mês de julho deste ano (119),  maior valor até então registrado no ano na apuração realizada pelo CAOp-CEAP diretamente dos livros do IML.

Comparando com o mês de novembro de 2013, quando ocorreram 103 delitos intencionais resultando em morte, os crimes violentos letais intencionais cresceram 36 %. Além disso, a arma de fogo, segundo os registros do IML, foi o instrumento que mais vezes foi utilizado em homicídios na Grande São Luís. Foram 111 crimes, o que representa 79,28 % do total.

A Organização Mundial da Saúde da ONU considera que 10 assassinatos para cada 100 mil pessoas por ano é a relação suportável. Acima desse número a violência torna-se epidêmica. Considerando que 1.381.459 de habitantes é a população estimada pelo IBGE, em 2014, para os municípios de São Luís, Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar, conclui-se que o número levantado pelo CAOp-CEAP, em novembro, já supera o valor aceitável do ano todo segundo a relação estimada pela organização.

NOVOS DADOS
O Centro Apoio de Operacional do Controle Externo da Atividade Policial publicará nesta quarta-feira, 17, os valores parciais dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CLVI) ocorridos nos municípios da Grande São Luís até o dia 15 de dezembro de 2014. No início de janeiro serão divulgados o valor total dos crimes violentos ocorridos no ano de 2014 e os números de assaltos ocorridos em coletivos na Grande São Luís.

5 de dezembro de 2014

Parentes denunciam divulgação nas redes sociais de imagens de jovem que não tem participação com morte de policiais

São Luis - A deputada Eliziane Gama recebeu na manhã desta quinta-feira (04/12) em seu gabinete nova denúncia de divulgação indevida de fotos de um jovem nas redes sociais, citando o rapaz como envolvido na morte de policiais ocorrida no mês passado.

Eliziane Gama recebeu parentes do jovem Kaique Ferreira Campelo Ribeiro, de 19 anos que denunciam a veiculação de imagens dele mesmo residindo em outra cidade e não tendo nenhum envolvimento na morte dos policiais militares John David Chapuí Araújo, de 23 anos, e José David Sousa Silva, de 29, ocorrida no sábado (22/11) em Paço do Lumiar.

Eles contaram que a foto do jovem está sendo divulgada, principalmente pelo wathsapp. Ele é morador do interior do estado e estava sala de aula na hora do crime.

“Meu neto nunca teve nenhum envolvimento com qualquer tipo de crime. Ele estava na sala de aula quando os policiais foram mortos. Ele não sai mais de casa e está com medo de ser confundido com bandidos. A vida dele está em risco e nós estamos muito assustados”, relatou a avó do rapaz.

Eliziane Gama voltou a chamar a atenção para a veiculação de imagens em redes sociais, blogs e na imprensa dos jovens, considerando que os mesmos não constam como acusados em inquérito policial e nem nas investigações do caso.  

Ela orientou a família do rapaz a buscar a Justiça, já que a família já fez registro do Boletim de Ocorrência.

“Vamos continuar acompanhando estes casos, pois famílias de bem não podem ser penalizadas”, destacou a deputada.

Outro caso

Na semana passada a parlamentar também recebeu denúncia de ameaça às famílias dos jovens que estão sendo apontados como envolvidos no crime, mas não tiveram participação. Os parentes de um adolescente que era colega dos envolvidos denunciou que estão sendo ameaçados, mesmo não tendo sido notificados pela polícia e nem o nome dele ter sido citado no inquérito policial.

Eliziane Gama entrou em contato com o delegado responsável pelo caso, Carlos Alberto Damasceno que informou que o nome do adolescente G.M não consta no inquérito, mesmo a imprensa tendo dado ampla cobertura e divulgação da foto do menor.

A informação do delegado de polícia é que dos três participantes do crime, dois estão mortos e um foragido, este é identificado como Mateus, o ‘Pato’.

Diante das informações, a deputada Eliziane Gama pediu detalhes sobre as investigações do caso.

BNC Parlamento Estadual

1 de dezembro de 2014

SANTA INÊS: Bandidos roubam paredão de som e matam proprietário

Fernando Oliveira
Fernando Oliveira
O proprietário de um paredão de som foi vítima de latrocínio na madrugada deste domingo (30), na cidade de Santa Inês. Ele foi identificado como Fernando que trabalha em uma lotérica na cidade.
Pelas informações, o crime poderia ter sido encomendado. O mandante seria do município de Buriticupu. Os assaltantes e assassinos teriam recebido R$ 15 mil para roubar um paredão de som, mas o alvo mesmo seria o proprietário.
Fernando estava em companhia da esposa, no momento em que foi abordado pelos elementos. O casal foi levado para a BR, onde Fernando foi executado. Ele ainda teve tempo de mandar a esposa correr, enquanto se atracava com os assaltantes. A mulher disse que só ouviu os tiros à distância. A polícia já prendeu oito envolvidos.
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“Eles pararam a gente na rua do milho. Levaram a gente pra curva da AABB e mandou a gente se ajoelhar. Foi nessa hora que ele disse: corre amor que eu vou morrer”, disse a mulher.
A populacão está tentando invadir a delegacia para resgatar os envolvidos no crime para fazer linchamento. O clima é tenso em frente à Delegacia Regional de Santa Inês.
Fonte: O Estadão Online
BNC Polícia

29 de setembro de 2014

NOTA DE PESAR PELA MORTE DO JORNALISTA ALDIONOR SALGADO

A Prefeitura de São Luís manifesta profundo pesar pelo falecimento do jornalista Aldionor Salgado, ocorrido na manhã deste domingo (28), no Hospital Universitário Presidente Dutra, onde estava internado. 

Aldionor Salgado formou-se em jornalismo na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) foi vereador de São Luís na década de 80 e militante social pelo PDT. 

Ex-secretário de Comunicação de São Luís, atuou com responsabilidade e eficiência no comando da pasta. Marcou sua passagem por veículos da imprensa local com reconhecido talento e profissionalismo. Também foi assessor especial do ex-governador Jackson Lago, assessor de imprensa da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e atualmente prestava assessoria especial à UFMA.

O prefeito Edivaldo e os servidores da Prefeitura de São Luís solidarizam-se com a família e os amigos reforçando os votos de fé e esperança de que Deus conforte-os neste momento de dor.
 
BNC Nota

29 de agosto de 2014

A violência no campo no Brasil: questões e dados para o debate (por Sérgio Botton Barcellos)

Brasília - Recentemente foram divulgadas uma série de denúncias pelo Ministério Público Federal do Mato Grosso (MPF/MT), envolvendo ruralistas, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e o parlamentar relator da Comissão Especial da Câmara Federal, que trata da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/00, que transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso.
Na semana anterior a esse acontecimento, o dirigente de um sindicato de trabalhadores rurais, Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, foram assassinados, no município de Colniza, no estado do Mato Grosso. Os corpos foram encontrados alvejados por tiros de arma de fogo calibre 9 mm, que é de uso restrito da polícia. O casal, ainda neste mês de agosto, havia ido até Cuiabá realizar várias denúncias ao Ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva. Segundo informações, eles teria denunciado alguns políticos da região, por extração ilegal de madeira. Também denunciaram a Polícia Militar por irregularidades e órgãos do governo por emissão irregular de títulos definitivos das terras na região.
No ano de 2011, outro caso que chamou a atenção foi o assassinato dos lideres extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, que foram executados a tiros em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. A suspeita de Organizações Não Governamentais (ONG’s) e da família de Ribeiro é que ele tenha sido executado por madeireiros da região. Atualmente o caso está em apelação por parte do Ministério Público do Estado (MPE) contra a decisão do tribunal do Júri de Marabá que absolveu o fazendeiro José Rodrigues Moreira, acusado de ser o mandante do assassinato do casal.
Esses são apenas alguns dos casos exemplares das recorrentes cenas trágicas e violentas ao longo da história da luta pela terra no Brasil. A violência dos proprietários fundiários e os atos comitivos e omissivos por parte do Estado no conflito agrário, com a criminalização das lutas por terra, indicam a continuidade do processo de afronta aos diferentes grupos sociais que não sejam vinculados ao latifúndio e ao agronegócio no campo, e ao mesmo tempo trazem à tona a resistência dos mais diferentes grupos sociais que vivem nos espaços agrários ou demais ecossistemas no Brasil.
Desse modo, essa breve provocação faz parte de um esforço de reflexão sobre a realidade e para mais uma vez chamar sobre a violência no campo brasileiro na atualidade, bem como provocar e remeter a mais possibilidades de debate sobre as condições de vida no campo brasileiro.
A violência no campo no Brasil se trata de um processo de violência difusa, de caráter social, político e simbólico, materializada de diferentes formas. Em relação a esses grupos sociais, ela é exercida frequentemente com alto grau de letalidade, contra alvos selecionados (contra as organizações dos sem terra e trabalhadores rurais) e seus promotores são ligados a grupos da elite histórica agrária, fazendeiros, comerciantes locais e empresas, mediante a contratação de “pistoleiros” e milícias organizadas. Também se registra a presença do aparelho repressivo estatal, comprovado pela frequente participação das polícias civis e militares em atos de repressão e despejo em ocupações de terra (TAVARES DOS SANTOS, 2000).
Para Fernandes (2005) e CPT, (2012), a violência pode ser praticada por particulares ou pelo Estado e é constituída principalmente por assassinatos, tentativas de assassinato, ameaças, despejos e expulsões da terra e outras formas que causem danos físicos ou psicológicos aos trabalhadores rurais e camponeses ou a seus bens. A criminalização da luta pela terra é outro exemplo de violência indireta contra os camponeses, e que pode gerar formas de violência direta no seu cumprimento. A conflitualidade da questão agrária brasileira, segundo Fernandes (2005), é formada pelo conjunto de conflitos sociais relativos a um determinado tipo de modelo de desenvolvimento.
Em relação à questão agrária, o conflito surge da distinta inter-relação entre interesses e estratégias divergentes, e a resolução dos conflitos ocorre geralmente com parcialidade por meio da intervenção do Estado. Exemplos de como outros processos de violência se combinam é a sua mediatização na configuração da sociedade atualmente e estão contidas nas chacinas de moradores de rua, ações militares e invasão de domicílios em favelas, remoções violentas feitas pelas tropas de choque, o número gritantes de jovens negros que morrem em função da violência urbana e rural e, em grande medida, em função da ação do Estado (IPEA, 2014).
Uma das características da questão da violência no campo no Brasil atualmente é que ela é um aspecto histórico persistente desde o período colonial que, num período histórico mais recente, com a ditadura militar, consolidou bases mais fortes com o modelo agrícola da modernização conservadora agrícola. Sob essa perspectiva, as heranças do regime ditatorial que ficaram engendradas pós-ditadura no Brasil estão ainda contidas nas instâncias políticas, jurídicas e institucionais e uma reduzida participação popular mais direta sobre decisões políticas. Assim, ainda percebe-se que as políticas agrícolas vinculadas a este histórico não foram invertidas e alteradas suficientemente a ponto de reduzir os conflitos no campo pelo Brasil.
Os dados sobre a violência no campo nos últimos 30 anos
Em relação aos dados gerais sobre os conflitos no campo, as informações divulgadas pela CPT dão conta de um crescimento de 15% no número total de conflitos no campo em 2011, em relação à 2010, que passaram de 1.186  para 1.363. As pessoas envolvidas foram 559.401 em 2010 e 600.925 em 2011, ou seja, um aumento de 7,4%. Estes conflitos compreendem 1.035 conflitos por terra, 260 conflitos trabalhistas e 68 conflitos pela água (CPT, 2012).
Os conflitos por terra foram os que apresentaram um crescimento mais expressivo. Passaram de 835, em 2010, para 1.035 em 2011, um crescimento de 24%. O número de famílias envolvidas cresceu 30,3%, passou de 70.387, para 91.735. Este crescimento[1] se deu em 17 das 27 unidades da federação, mas foi mais expressivo na região Nordeste, onde chegou a 34,1%, sendo que de 369 conflitos envolvendo 31.952 famílias em 2010, passou para 495 conflitos envolvendo 43.794 famílias (CPT, 2012).
De acordo com a CPT (2012), nos conflitos por terra incluem-se as ocupações de terra e os acampamentos às margens das rodovias ou nas proximidades de áreas que se reivindicam para desapropriação. As ocupações por famílias sem terra ou a retomada de áreas por comunidades indígenas ou quilombolas apresentaram um crescimento de 11,1% e passaram de 180 em 2010, para 200 em 2011. Já o número de famílias envolvidas apresentou crescimento de 35,1%, chegando a 22.783 em 2011. Os acampamentos sofreram uma redução de 35 para 30, com o número de famílias passando de 3.579 para 3.210 (redução de 10,3%).
Em 2013 os movimentos sociais foram responsáveis por 244 conflitos (230 ocupações e 14 acampamentos), 18,9% do total. Isso quer dizer que 81,1% dos conflitos são provocados pela ação de fazendeiros, grileiros, madeireiros, empresários ou mineradores – Poder Privado – através de assassinatos ou expulsões, ou pela ação do Poder Público, através das ações do Poder Executivo e do Judiciário por meio de prisões e ações de despejo.
Chama a atenção nos conflitos por terra o aumento em 75,7%. no número de famílias expulsas, que passaram de 1.216 em 2010, para 2.137 em 2011. Também teve crescimento significativo o número de famílias ameaçadas por pistoleiros, com aumento de 50,4% (de 10.274 para 15.456). É o poder privado voltando à liderança das ações[2],  responsável por 50,2% das ocorrências de conflitos por terra, 689 de um total de 1.035. Por outro lado, a ação do poder público nos despejos decresceu 12,8%, foram 8.064 famílias despejadas em 2010 e 7.033 em 2011.
Cabe destacar que ao longo dos 20 anos (1985-2006) analisados no Atlas de Conflitos no Campo Brasileiro (CPT- LEMTO – GeoAgrária, 2013), isto é, desde a redemocratização no Brasil, o período entre 2003 e 2006, no primeiro mandato de Lula, foi o que registrou o maior número de conflitos, de famílias envolvidas e de outros indicadores de violência[3]. Segundo CPT (2013), nos últimos três anos, governo Dilma, a média anual supera as médias anuais de todos os períodos analisados no Atlas, exceto o período 2003-2006.
Em relação ao trabalho em condições análogas à escravidão, uma ligeira queda foi observada nas denúncias de trabalho escravo e super exploração, passando de 230 para 168. Continuam concentradas na região Norte as ocorrências, com mais de 50% do total, e se consideramos a Amazônia Legal somam 67% dos conflitos trabalhistas.
Entre os grupos sociais que sofreram ações violentas se destacam os povos e comunidades tradicionais, desde a segunda metade dos anos 2000. Em 2013, do total de vítimas fatais (assassinatos), 61,3% pertencem a grupos/classes sociais/etnias caracterizados como populações tradicionais. Estas correspondem a 58,8% do total das categorias sociais que sofreram ações violentas. Em todas as macrorregiões do país, mais de 50% das categorias sociais envolvidas em conflitos são populações tradicionais, exceto na região Sudeste. Das populações tradicionais que em 2013 foram vítimas de algum tipo de violência, 55% se localizavam na Amazônia (CPT, 2013).
Com referência específica aos povos indígenas, no ano de 2011 foram registrados 46 casos de homicídios contra os povos indígenas, nos seguintes estados: Alagoas (1), Ceará (1), Goiás (1), Maranhão (1), Mato Grosso do Sul (19), Pará (7), Rio Grande do Sul (11), Roraima (7) e Santa Catarina (6). Em 2012 ocorreram 54 casos de homicídios cometidos contra os indígenas. Na interpretação do CIMI (2013), o governo da presidente Dilma tem cedido às pressões do agronegócio, especialmente da bancada ruralista no Congresso Nacional, e pouco tem feito no tocante à regularização de terras indígenas. As práticas de violência contra os povos indígenas têm aumentado circunstancialmente e são constituídas por invasões possessórias, a exploração ilegal de recursos naturais, os danos ambientais, bem como a lentidão do poder público nos procedimentos de demarcação e a paralisação de processos de retirada de invasores e ocupantes de áreas já homologadas.
Desse modo, nos últimos 10 anos, os levantamentos do CIMI mostram que pelo menos 563 indígenas foram assassinados no país, com média anual de 56,3 indígenas. Como nos anos anteriores, Mato Grosso do Sul se destaca: 60% das ocorrências em 2012 e 55% das ocorrências nos últimos 10 anos, totalizando, pelos levantamentos do CIMI, 317 indígenas vítimas de assassinatos.
Até o ano 2013, percebe-se a ratificação da violência como suporte do padrão de desenvolvimento capitalista no Brasil. Destaca-se que por meio da PEC 215/00, os setores econômicos ligados ao agronegócio e às empresas de capital internacional que controlam o setor (Monsanto, Bayer, Basf, Syngenta, Cargill, Bunge e outras), buscam interferir na implementação de direitos sociais de titulação de terras quilombolas e indígenas, bem como na criação de novas unidades de conservação ambiental, afirmou o CIMI (2013).
Evidencia-se que o modelo agrícola e agrário hegemônico em constituição no Brasil, que é o praticável dentro das regras do atual estágio do capitalismo, é retroalimentado pela crescente concentração da terra, exploração de mão de obra e da renda, no qual provoca o enfrentamento permanente entre o modelo do agronegócio e outras formas de vida e relação socioambiental na produção agrícola e extrativista. Assim, o modelo de desenvolvimento social e econômico no Brasil nos últimos 30 anos está ocorrendo permeado pela violação dos direitos humanos, especialmente dos povos indígenas e dos diversos povos e comunidades tradicionais do país, daqueles que optam em não participar e cooperar, ou mesmo resistir, com a “corrida desvairada” desenvolvimentista por índices como o Gini e o PIB no atual estágio do capitalismo global.
Sérgio Botton Barcellos é pesquisador.

[1] O aumento mais significativo foi no Piauí, com aumento de 130,8%, que passou de 13 conflitos em 2010 para 30 em 2011, e o número de famílias passou de 611 para 1.398(mais 128,8%).
[2] Destaca-se que até 2010 a Justiça Federal de Mato Grosso do Sul determinou o confisco de 85 fazendas de pessoas acusadas de lavar dinheiro proveniente de atividades como o tráfico de drogas e corrupção. Juntas, as áreas somam 368 mil hectares. A partir delas, criminosos que movimentam grandes somas de capital ilegal conseguem esconder a origem do dinheiro sujo em operações fictícias de venda de bois e grãos – estratagema que a Polícia Federal chama de vaca-papel e soja-papel. Desde então foram confiscados 33 apartamentos, 47 casas, 86 terrenos, 18 aviões e seis barcos, além de 535 caminhões e carros (SAKAMOTO, 2008).
[3] De acordo com CPT (2013), os números elevados deste período se devem, por um lado, à iniciativa dos grupos dominantes com receio que Lula fizesse a Reforma Agrária, e por outro, pela pressão dos movimentos sociais com ações em prol da Reforma Agrária (Ver Porto-Gonçalves, Conflitos no Campo Brasil, 2004). Já no segundo mandato de Lula (2007-2010) foi estabelecida a priorização da política de exportação de commodities, por um lado e, por outro, das políticas de transferência de renda (Fome Zero, Bolsa Família e outras).

23 de julho de 2014

VIOLÊNCIA NO CAMPO: Mais um assassinato no campo maranhense

Este é o quarto assassinato no Maranhão. Na semana passada, em Chapadinha, num confronto entre posseiros, um tombou e outro se encontra à beira da morte no hospital Socorrao 2, na capital, São Luís. Nessa mesma semana, violento despejo expulsou 42 famílias de suas terras, griladas pelo latifúndio em favor da Suzano. 4 trabalhadores foram presos. No final de junho, um indígena Awa Guaja sofreu tentativa de homicídio, dentro da TI AWA GUAJA. Antes, Raimundo Brechó foi morto em Timbiras, leste do Maranhão. Seu nome constava na relação dos ameaçados de morte da CPT. O inquérito policial nunca foi concluso, e há quatro meses se encontra parado!

Atualmente, várias são as pessoas ameaçadas de morte no Maranhão, por suas lutas em defesa do território, do meio ambiente saudável e por paz. Nada foi feito nos últimos 5 anos, nem pelo Governo Federal, muito menos pelo Governo do Maranhão, para proteger os defensores dos direitos humanos.

Apesar da firme pressão, inclusive realizada pela Anistia Internacional, em várias ações urgentes lançadas para proteger líderes e comunidades tradicionais maranhenses, o Estado vira as costas para os pobres da terra. Talvez porque não façam partes do projeto econômico que solapa esta nação e o Maranhão.

Aqui fica o registro da indignação por mais um ato de selvageria e brutalidade que torna o Maranhão recordista nacional em conflitos agrários no país.

Não passarão!

Diogo Cabral

4 de maio de 2014

Morre Dom Tomas Balduíno aos 91 anos.


NOTA DE FALECIMENTO
Dom Tomás Balduino, fundador da CPT, fez a sua páscoa

“Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar
e tempo de arrancar o que se plantou...
tempo de lutar e tempo de viver em paz”. 
(Eclesiastes 3:1-8)


É com grande pesar e muita tristeza que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) comunica a todos e todas o falecimento de Dom Tomás Balduino. Fundador da CPT, bispo emérito da cidade de Goiás e frade dominicano, Dom Tomás lutou por toda sua vida pela defesa dos direitos dos pobres da terra, dos indígenas, das demais comunidades tradicionais, e por justiça social. Nem mesmo com a saúde debilitada e internado no hospital ele deixava de se preocupar com a questão da terra e pedia, em conversas, para saber o que estava acontecendo no mundo.

Aos 91 anos, completados em dezembro passado, Dom Tomás Balduino, o bispo da reforma agrária e dos indígenas, nos deixa seu exemplo de luta, esperança e crença no Deus dos pobres. Ficamos, hoje, todos e todas um pouco órfãos, mas seguimos na certeza de quem Dom Tomás está e estará presente sempre, nos pés que marcham por esse país e nas bandeiras que tremulam por esse mundo em busca de uma sociedade mais justa e igualitária.
Dom Tomás faleceu em decorrência de uma trombo embolia pulmonar, às 23h30 de ontem, 02 de maio de 2014. Ele permaneceu internado entre os dias 14 e 24 de abril último no hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar dia 24, e no dia seguinte foi novamente internado, porém desta vez no Hospital Neurológico, também em Goiânia. 

Biografia de Dom Tomás Balduino
Dom Tomás Balduino nasceu em Posse, Goiás, no dia 31 de dezembro de 1922. Ele é filho de José Balduino de Sousa Décio, goiano, e de Felicidade de Sousa Ortiz, paulista. Seu nome de batismo é Paulo, Paulo Balduino de Sousa Décio. Foi o último filho homem de uma família de onze filhos, três homens e oito mulheres. Ao se tornar religioso dominicano recebeu o nome de Frei Tomás, como era costume.

Para melhor atender a enorme região da Prelazia que abrangia todo o Vale do Araguaia paraense e parte do baixo Araguaia mato-grossense, fez o curso de piloto de aviação. Amigos solidários da Itália o presentearam com um teco-teco com o qual prestou inestimável serviço, sobretudo no apoio e articulação dos povos indígenas. Também ajudou a salvar pessoas perseguidas pela Ditadura Militar.
Em 1967, foi nomeado bispo diocesano da Cidade de Goiás. Nesse mesmo ano foi ordenado bispo e assumiu o pastoreio da Diocese, onde permaneceu durante 31 anos, até 1999 quando, ao completar 75 anos, apresentou sua renúncia e mudou-se para Goiânia. Seu ministério episcopal coincidiu, a maior parte do tempo, com a Ditadura Militar (1964-1985).
Alguns movimentos nacionais como o Movimento do Custo de Vida, a Campanha Nacional pela Reforma Agrária, encontraram apoio e guarida de Dom Tomás e nasceram na Diocese de Goiás.
Dom Tomás foi personagem fundamental no processo de criação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972, e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975.  Nas duas instituições Dom Tomás sempre teve atuação destacada, tendo sido presidente do CIMI, de 1980 a 1984 e presidente da CPT de 1999 a2005. A Assembleia Geral da CPT, em 2005, o nomeou Conselheiro Permanente.
Depois de deixar a Diocese, além de ser presidente da CPT, desenvolveu uma extensa e longa pauta de conferências e palestras em Seminários, Simpósios e Congressos, tanto no Brasil quanto no exterior. Por sua atuação firme e corajosa recebeu diversas condecorações e homenagens Brasil afora.

Foi designado, em 2003, membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, CDES, do Governo Federal, cargo que deixou por sentir que pouco ou nada contribuía para as mudanças almejadas pela nação brasileira. Foi também nomeado membro do Conselho Nacional de Educação.

Fonte: CPT Nacional
BNC Notícias

16 de abril de 2014

Morte de pai de detento é um indicativo da repercussão dos crimes que ocorrem dentro de Pedrinhas, alerta Eliziane Gama


 São Luis - A deputada Eliziane Gama (PPS) lamentou na manhã desta quarta-feira (16) a morte do vendedor de frutas, Domingos Pereira Coelho conhecido como “O Laranjeira”, que foi executado na noite desta terça-feira (15) com um tiro no bairro São Francisco.  


Ela lembrou que Domingos Coelho era pai do detento Diego Michael Mendes Coelho morto e decapitado no Centro de Detenção Provisória (CDP) no ano passado, e chegou a denunciar em janeiro deste ano, ao Jornal Folha de São Paulo a brutalidade nas mortes de detentos dentro de Pedrinhas.


 “Ontem o senhor conhecido popularmente como Laranjeiro foi barbaramente assassinado. Ele inclusive chegou a ser candidato a vereador pelo PPS na eleição municipal passada, e inclusive deu uma declaração a um jornal de circulação nacional, a Folha de São Paulo, em que falava da forma como estava acontecendo às mortes dentro do Sistema Prisional e a falta de atenção do governo”, enfatizou.


Na avaliação da parlamentar, a morte do vendedor de frutas é mais um indicativo de que a violência e as mortes que ocorrem dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas estão repercutindo fora dos muros do presídio, pois Domingos Pereira era pai do detento morto e decapitado no ano passado.


“Ao que tudo indica esse assassinato é fruto do crime organizado na Ilha de São Luís. O crime organizado que, infelizmente, a cada instante se amplia no nosso Estado. A violência e as mortes não ficam mais restritas ao sistema prisional, pois acabam tendo reverberação e  infelizmente cidadãos de bem acabam sendo vítimas, inclusive, de ordens que surgem dentro da penitenciária de Pedrinhas”, denunciou.



Violência



Na tribuna Eliziane Gama voltou a falar sobre o aumento da violência na Região Metropolitana de São Luís e lamentou a morte de uma menina de nove anos que foi vítima de bala perdida na Vila Cruzado também nesta terça-feira (15). A criança foi atingida com dois tiros e morreu na UPA do Vinhais.


“Pessoas que poderiam estar gozando da proteção do Estado, que é uma responsabilidade pública do Estado, infelizmente acabam sendo assassinadas de uma forma cruel. Ontem uma garotinha de 9 anos de idade foi assassinada barbaramente”, lamentou.


Ela falou ainda sobre a prisão de dois homens que pretendiam matar detentos que receberam o benefício da saída temporária na tarde desta terça-feira. 


“Outro fato importante foi a prisão de dois homens que estavam ontem nos arredores da Penitenciária de Pedrinhas aguardando detentos saírem para cometerem assassinatos. Graças a Deus, a polícia conseguiu efetuar a prisão dessas duas pessoas”, 


Eliziane Gama afirmou que a população está convivendo com um sentimento de insegurança e que as autoridades precisam dar uma resposta.  “A violência cresce de forma aterrorizante no Maranhão e a população fica em pânico. As famílias retornam para casa mais cedo porque têm medo do que pode acontecer. Essa semana, mais uma vez, tivemos o registro de uma residência que foi assaltada, colocando em pânico aqueles familiares. Pela forma como se deu aquele assalto, ao que tudo indica, também é fruto de ordens do crime organizado no estado do Maranhão”, asseverou.

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