Elas usavam nomes "de guerra", mudaram de casa com frequência e fizeram
poucos amigos. Viviam clandestinamente no Brasil ou exiladas em outros
países. Viram a mãe depois de ser torturada, o pai morto, ou esperaram
sua volta em vão.
São crianças que viveram a ditadura militar no Brasil e que hoje,
adultas, começam a contar sua história à Comissão da Verdade do Estado
de São Paulo. O colegiado realiza de hoje a sexta-feira a semana
"Verdade e Infância Roubada", com uma série de depoimentos de filhos de
ex-presos políticos.
Uma das histórias que serão conhecidas é a da família do ex-deputado
federal Aldo Arantes (PC do B), que se exilou em Montevidéu após o golpe
de 1964, com a mulher Maria Auxiliadora. Lá nasceu, no ano seguinte,
seu filho André. Ele e a irmã Priscila, nascida como clandestina no
Brasil, em 1966, conheciam apenas seus sobrenomes falsos: Guimarães
Silva.
BNC Cotidiano