Os dirigentes do Hospital do Câncer e do Hospital Universitário em Campo
Grande (MS) são acusados de montar um esquema para cobrar sessões de
quimioterapia de paciente mortos e por tratamento nunca realizados.
A denúncia foi feita pelo Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (5).
Segundo a reportagem, os médicos João Carlos Dorsa Vieira Pontes e
Adalberto Siufi articularam o fechamento do setor de radioterapia do
Hospital Universitário, da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do
Sul), para beneficiar clínicas particulares.
As irregularidades foram descobertas por investigações da Polícia
Federal com o Ministério Público e a Controladoria-Geral da União na
capital do Estado.
Os desvios de dinheiro público começaram, segundo a reportagem, depois
que o setor de radioterapia foi desativado, em 2005. Os pacientes
passaram a ser encaminhados para o Hospital do Câncer e, em seguida,
para a clínica privada de Siufi.
Na ocasião, Dorsa era diretor do Hospital Universitário, e Siufi, do Hospital do Câncer.
Segundo a Controladoria, a clínica de Siufi recebeu quase metade do que o
Hospital do Câncer gastou entre 2008 e 2011, R$ 11 milhões.
Uma auditoria feita pelo Ministério da Saúde também revelou que o hospital cobrava por mais sessões do que as que foram feitas.
O médico deixou a diretoria, mas continua atendendo no hospital. Ele diz
que não foi quem determinou a quantidade de pacientes e os valores
repassados para sua empresa.
Siufi também alega que como os pacientes moram no interior, a clínica
não fica sabendo das mortes e continua cobrando pelos tratamentos.
Em nota, o MEC (Ministério da Educação), responsável pelo Hospital
Universitário, diz que a transferência da radioterapia para a clínica
foi decidida pela Comissão Intergestores Bipartite do Mato Grosso do
Sul, que reúne a secretaria estadual e as secretarias municipais de
saúde do Estado.
Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal mostram a farmacêutica
Renata Buerale e a administradora do Hospital do Câncer, Betina Siufi,
filha de Adalberto Siufi, conversando sobre a troca de medicamentos.
O médico também falou sobre supostas intervenções do governador do
Estado, André Puccinelli, nas investigações. Ele chegou a se encontrar
com o procurador de Justiça, Humberto Brite, que confirmou a reunião e
disse que o suspeito alegou inocência,
Em nota, o governo do Mato Grosso do Sul nega que o governador se reuniu
ou intermediou encontros com os dirigentes dos hospitais.
O advogado de Rene Siufi disse que vai provar que não houve abuso.
Na última terça (30), o setor de radioterapia do Hospital Universitário
voltou a funcionar. Os dois médicos deixaram os cargos de dirigência.
Fonte: Folha de São Paulo
BNC Polícia