Em entrevista concedida ao jornalista Waldemar Terr, publicada na edição do Jornal Pequeno deste
domingo (14), a deputada estadual Francisca Primo (PT) faz uma balanço
da CPI da Mulher, da qual é presidente, onde garante que a comissão,
embora tenha enfrentado dificuldades no tocante ao apoio político e
institucional na Assembleia Legislativa, pode-se considerar que obteve
resultados relevantes para a defesa dos direitos da mulher e no combate à
violência doméstica.
A parlamentar petista também fala sobre o
Processo de Eleição Direta do PT (PED/PT) e sobre a política de aliança
que defende para o partido nas eleições de 2014. Veja:
A deputada estadual Francisca Primo
(PT), apesar de estar no exercício do primeiro mandato, tornou-se
presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito de Combate à Violência
contra a Mulher, a CPI da Mulher, instalada em abril deste ano com o
objetivo de apurar a situação da violência contra a mulher no Maranhão e
investigar denúncia de omissões por parte do poder público com relação à
aplicação de instrumentos instituídos em leis para proteger as mulheres
em situação de risco.
Também ocupou nos dois primeiros
anos de mandato a 4ª Vice-Presidência da Assembleia Legislativa, período
em que idealizou a criação da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar
e Nutricional do Maranhão, da qual é presidente. Mesmo integrando a
base do governo Roseana Sarney, a deputada petista garante que não tem
havido pressão do Palácio dos Leões para que a CPI da Mulher não
aprofunde as investigações e denúncias que têm chegado à comissão.
“Sou da base do governo, mas nesta
CPI meu trabalho é independente, enquanto parlamentar for, sempre serei
sensível às causas das mulheres. A CPI é um instrumento do parlamento e
assim deve ser visto”, assegura.
Formada em Serviço Social e
Magistério, casada, mãe de dois filhos, a deputada nasceu em 28 de março
no município de Presidente Dutra; einiciou sua trajetória política no
município de Buriticupu-MA, onde tem residência fixa desde a
adolescência, sendo eleita deputada estadual pela primeira vez em 2010.
Francisca Primo também é a atual presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto.
A seguir a entrevista.
“A CPI é um instrumento do parlamento e assim deve ser visto, no caso desta CPI da Mulher, ela pode contribuir como linha auxiliar para futuras políticas governamentais conduzidas pela governadora Roseana Sarney, que como mulher, sabe das dificuldades das maranhenses.”
JORNAL PEQUENO – Qual a avaliação que a senhora faz dos trabalhos da CPI da Mulher até aqui?
DEPUTADA FRANCISCA PRIMO – No geral os
trabalhos da CPI foram bons, pois nunca um assunto tão importante como é
o caso da violência contra as mulheres foi levado para o âmbito do
parlamento maranhense. Entendo que a CPI pode dar o início para uma nova
fase de debates e formulações de políticas públicas que defendam e
garantam os direitos da mulher no Maranhão.
JP – Então a senhora está satisfeita com os resultados da CPI?
FP – Satisfeita completamente não posso
afirmar que eu esteja, aliás, nem eu e nem a comissão como um todo. A
CPI surgiu com claro objetivo de apurar a situação da violência contra a
mulher no Maranhão e investigar denuncia de omissões por parte do poder
publico com relação à aplicação de instrumentos instituído em leis para
proteger as mulheres em situação de violência. Nesta primeira fase a
CPI avançou bastante mesmo com as adversidades que surgiram.
JP – Quais adversidades, por exemplo?
FP – Não recebemos o apoio prático e
concreto da Assembleia Legislativa em relação à CPI da Mulher. Na
instalação da mesma houve muita polêmica sobre a composição,
principalmente para a ocupação dos cargos de presidente e relator,
depois de instalada, não houve o empenho esperado do conjunto dos
integrantes da comissão, tanto que a CPI foi dada como “morta” ou sem
sentido de continuar.
JP – O que já foi feito de fato pela CPI da Mulher que possa justificar a sua instalação ou eventual prorrogação dos trabalhos?
FP – Como disse anteriormente, a própria
existência da CPI já é por si um aspecto positivo. Desde a instalação
foram realizadas dez reuniões entre deliberativas e de depoimentos de
convidados. Pela comissão já passaram professoras especialistas na
questão de gênero, autoridades do Governo do Estado, como a secretária
de Estado da Mulher; a Delegada da Mulher; Defensor Público e Promotora
de Defesa da Mulher etc. A ida dessas pessoas à CPI nos ajudaram
bastante, as quais levaram sugestões e dados estatísticos que nos
fizeram ter uma real situação dos fatos, tanto no estado quanto no
Brasil. Quero agradecer a todos, e ressaltar o apoio do Conselho
Regional de Serviço Social da 2ª Região. Esta CPI com certeza vai dar
uma grande contribuição histórica no combate à violência da Mulher no
Maranhão.
JP – Fale um pouco sobre as visitas da CPI nos órgãos públicos da capital e do interior do estado.
FP – A comissão visitou a Delegacia
Especializada da Mulher de Imperatriz e percebeu que, o quadro de
funcionários é deficiente, mesmo que trabalhem com afinco e dedicação. É
perceptível que os serviços poderiam ser melhores, até porque a demanda
é muito grande. Pelas normas técnicas a cidade de Imperatriz precisaria
de 03 delegadas, 42 agentes policial/escrivães ou investigadores, 04
apoio administrativo e 02 serviços gerais, no entanto a DEAM conta com
apenas 02 delegadas, 02 escrivães, 04 investigadores 04 estagiários e
uma assistente social. Outra deficiência é a distância da Delegacia para
o Instituto Médico Legal (IML) dificultado os procedimentos básicos
para o início do inquérito policial. Em nome da comissão quero agradecer
o prefeito Sebastião Madeira que nos recebeu maravilhosamente bem e
colocou a sua equipe a nossa disposição.
A Delegacia Especializada da Mulher de
São Luís é muito bem estruturada, já as localizadas em outros municípios
enfrentam muitas dificuldades, conforme relatórios recebidos das
cidades de Caxias, Presidente Dutra, Pedreiras e São João dos Patos.
JP
– A senhora faz parte da base governista. Há pressão do governo para
impedir o aprofundamento das investigações da CPI da Mulher?
FP – Sou da base do governo, mas nesta
CPI meu trabalho é independente, enquanto parlamentar for serei sempre
sensível às causas das mulheres. A CPI é um instrumento do parlamento e
assim deve ser visto, no caso desta CPI da Mulher, ela pode contribuir
como linha auxiliar para futuras políticas governamentais conduzidas
pela governadora Roseana Sarney, que como mulher, sabe das dificuldades
das maranhenses em terem os seus direitos respeitados por conta da
violência doméstica nos seus lares. Aliás, basta ver o comprometimento
da Secretaria de Estado das Mulheres com os trabalhos da CPI para
percebermos que o governo Roseana está atento a esta questão, mas que
pode melhorar.
JP – Quando será apresentado o relatório da CPI?
FP – O relatório está previsto para após
o retorno dos deputados do recesso parlamentar. Vamos apresentar um
relatório minucioso e técnico sobre os trabalhos da CPI nestes 120 dias.
JP – Haverá pedido de prorrogação?
FP – Os membros da CPI no dia 26 do mês
passado decidiram pela não prorrogação. Eu fui a favor da prorrogação,
mas esta decisão é da maioria de seus membros.
JP – E quanto ao PT deputada, como estão os preparativos para o Processo de Eleição Direta do partido, o chamado PED/PT?
FP – O PED está sendo conduzido pela
direção estadual do PT e acontecerá em novembro deste ano. Até o momento
as correntes internas estão se articulando e montando as suas chapas.
Estou acompanhando essas movimentações e no momento certo participarei
ativamente do processo, principalmente para contribuir com uma proposta
que unifique o partido, o fortaleça nas eleições de 2014 e que esteja
firme no projeto de reeleição da presidenta Dilma.
JP – A senhora defende a continuação da aliança com o PMDB?
FP – Defendo a aliança que melhor possa
contribuir com um Maranhão mais justo socialmente, economicamente
sustentável e desenvolvido. Uma aliança em que o PT possa ser
companheiro de verdade e dividir o protagonismo político durante e
depois das eleições 2014, se o PMDB for tudo isto, ficaremos juntos
novamente. Sempre defenderei a aliança que seja melhor para o povo
maranhense.
BNC Notícias
