A decisão, que ela já estava propensa a tomar após revelações de
espionagens feitas no Brasil pela Agência de Segurança Nacional dos EUA
(NSA), foi reforçada na sexta-feira, em encontro com o conselho político
informal com o qual costuma se reunir.
A viagem, anunciada em maio, seria a única visita de Estado de um
presidente estrangeiro aos EUA neste ano. E a primeira de um brasileiro
em quase duas décadas.
Categoria diplomática mais alta concedida a estrangeiros, a visita de
Estado é reservada a parceiros estratégicos mais próximos dos EUA e
implica em formalidades como um jantar de gala na Casa Branca e uma
cerimônia militar na chegada.
Nem Lula recebeu a honraria. O último líder brasileiro a fazer uma visita assim foi Fernando Henrique, em 1995.
Na reunião de sexta, na Granja o Torto, além de Dilma, estavam
presentes o ex-presidente Lula, os ministros Aloisio Mercadante
(Educação), José Eduardo Cardozo (Justiça), o presidente do PT, Rui
Falcão, o ex-ministro das Comunicações Franklin Martins, o publicitário
João Santana e o chefe do gabinete presidencial, Giles Azevedo.
Ali, Dilma comunicou que já decidira não fazer a visita de Estado. Todos apoiaram a decisão, sobretudo Lula.
Ontem, a assessoria da Presidência procurou a Folha para informar que não há uma definição sobre o cancelamento da viagem.
Os EUA não pediram desculpas e não deram explicações convincentes
sobre a espionagem no Brasil, que atingiu a comunicação da própria
presidente com auxiliares. O país chegou a dar a entender que manteria a
prática de monitorar o Brasil.
BNC Mundo
