Tal qual o ex-governador Jackson Lago (PDT), que empanturrava o Sistema Mirante com verbas publicitárias, mas acabou cassado e morto, o prefeito Edivaldo Holanda Junior (PTC) despeja dinheiro nas empresas de comunicação da oligarquia Sarney, onde apanha todo dia.
Homem temente a Deus, não é conveniente ao prefeito a prática de masoquismo político. Mas, é o que parece ser.
De segunda a segunda, quanto mais dinheiro em publicidade o prefeito deposita na conta dos Sarney, mais açoitado ele é.
O jornal "O Estado do Maranhão" de
domingo, 20, trouxe na capa e na editoria de política um rosário de
denúncias contra o prefeito, inclusive levantando suspeitas sobre
licitações viciadas.
Na rádio Mirante AM, no programa noturno
de hoje, 21, as matérias do jornal impresso de ontem foram fartamente
repercutidas, com o adicional de críticas pesadas ao secretário da
Semosp (Obras e Serviços Públicos), José Silveira.
Alcunhado de "Silveirinha", o secretário
foi adjetivado de "cara de pau", "bunda mole" e que não manda na
Semosp, onde quem dá as cartas, segundo o titular do programa, é o pai
do prefeito Holanda Junior, o Holandão (PTC).
As críticas ao secretário Silveira foram
desferidas logo após a leitura do anúncio testemunhal da Prefeitura,
distribuído ao longo de vários programas da rádio Mirante AM.
Testemunhal é um texto publicitário,
geralmente elogioso ao anunciante (no caso, a Prefeitura de São Luís),
que é lido ao vivo pelo apresentador do programa.
É compreensível o desespero da
Prefeitura de São Luís, que precisa anunciar na rede de maior audiência -
o Sistema Mirante - a fim de chegar mais rápido e à maioria da
população com as boas notícias da administração municipal.
Ocorre que a Prefeitura anuncia no mesmo lugar onde apanha muito,
todos os dias, com as pautas sobre buracos, terminais da integração abandonados,
escolas em cacarecos, o caos no trânsito etc.
O secretário municipal de Comunicação,
Marcio Jerry, deve ter o mapa da relação custo/benefício entre os
anúncios e os ataques do adversário.
Ademais, a destinação de verba publicitária não é uma condição para silenciar
os meios de comunicação contratados para veicular anúncios
institucionais.
BNC Comunicação
Ou seja: o fato de a Prefeitura pagar o
Sistema Mirante ou qualquer outra empresa de mídia não desobriga os
meios de comunicação de cobrir os fatos de interesse público.
No entanto, o mesmo não ocorre com o
Governo do Estado, controlado por Roseana Sarney, irmã de Fernando
Sarney, gerente máximo do Sistema Mirante.
Nesse caso, a mesma família paga e
recebe as verbas publicitárias e os meios de comunicação deles fecham os
olhos para as mazelas do Maranhão, exceto nos casos em que o repórter
de rede da Globo foge à regra.
No Sistema Mirante há bons
profissionais. Talvez os melhores do mercado. Eles, por vontade própria,
não são pessoas maléficas ao erário. Muitos são pais e mães de família
que precisam trabalhar para sobreviver. Outros, iniciando a carreira,
têm lá uma oportunidade de estágio.
O problema não está nos profissionais
assalariados, mas em outras circunstâncias conjunturais do coronelismo
eletrônico e do clientelismo político no Maranhão. Essa é a questão
principal.
Demonizar os jornalistas não resolve o problema.
Rádios e TVs são
concessões públicas e devem receber verbas publicitárias mediante um
contrato. Isso não significa que devam ceder aos caprichos do
contratante. Infelizmente, nesse Maranhão medieval, a regra não vale.
É uma obviedade, mas precisa ser dita: o
Sistema Mirante ataca a gestão de Holanda Junior para atingir Flavio
Dino (PCdoB), principal adversário da oligarquia Sarney no plano
estadual em 2014.
Se o prefeito fracassar, significa uma
derrota de Flavio Dino, o mentor do jovem Holanda. A Mirante mira no
prefeito, mas o alvo é Dino, candidato ao posto de Roseana Sarney.
O ex-governador Jackson Lago sofreu do mesmo mau, pagando bem aqueles que o açoitavam, até ser cassado.
Ambos, Lago e Holanda Junior, lembram o mito de Sísifo. Condenado pelos deuses, Sísifo sofreu a punição de empurrar uma grande rocha montanha acima, mas a pedra sempre voltava e ele começava tudo de novo, eternamente.
Esses gregos...
Fonte: Blog Ed Wilson
BNC Política