A campanha mundial 16 Dias de Ativismo foi lançada em 1991 pelo
Center for Women’s Global Leandership (Centro de Liderança Global de
Mulheres), exigindo a eliminação de todas as formas de violência de
gênero. No mundo, é mobilizada entre 25 de novembro e 10 de dezembro. No
Brasil, a mobilização se antecipa a partir de 20 de novembro, pela
importância do dia nacional da consciência negra.
Neste ano a OMS – Organização Mundial da Saúde – realizou o primeiro
estudo sobre os impactos da violência de gênero no mundo. O relatório
apontou que mais de um terço das mulheres no mundo é vítima de violência
física ou sexual; quase metade das mulheres que morrem por homicídio é
assassinada por atuais ou ex-parceiros; e que as mulheres estão mais
expostas ao risco de violência em casa do que na rua. O relatório da OMS
conclui que a violência de gênero é uma das causas para problemas de
saúde agudos e crônicos, que vão desde lesões imediatas, até DSTs, HIV,
depressão e transtornos de saúde mental, representando um problema de
saúde global com proporções epidêmicas.
BASTA!
A violência contra as mulheres se estrutura na desigualdade social e na falta de oportunidades sendo, de certa forma, a única hipocritamente permitida na sociedade, pelo bem da ordem machista e patriarcal. Isso tem que acabar! O período da campanha 16 dias de ativismo foi escolhido por apresentar datas simbólicas de movimentos sociais por políticas afirmativas e para as mulheres do mundo inteiro. Por isso a importância do papel de cada mulher e cada homem nessa luta.
A violência contra as mulheres se estrutura na desigualdade social e na falta de oportunidades sendo, de certa forma, a única hipocritamente permitida na sociedade, pelo bem da ordem machista e patriarcal. Isso tem que acabar! O período da campanha 16 dias de ativismo foi escolhido por apresentar datas simbólicas de movimentos sociais por políticas afirmativas e para as mulheres do mundo inteiro. Por isso a importância do papel de cada mulher e cada homem nessa luta.
momentos históricos que marcam os 16 dias de ativismo
20 de novembro é a celebração do Dia Nacional da Consciência Negra, em memória a Zumbi dos Palmares, ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade, assassinado em 1965. Instituído em 1978, o dia lembra a inserção de negras e negros na sociedade brasileira e sua luta contra a escravidão.
20 de novembro é a celebração do Dia Nacional da Consciência Negra, em memória a Zumbi dos Palmares, ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade, assassinado em 1965. Instituído em 1978, o dia lembra a inserção de negras e negros na sociedade brasileira e sua luta contra a escravidão.
25 de novembro foi escolhido como o Dia Internacional da não
violência contra as mulheres, em memória a “Las Mariposas”, as
conhecidas mundialmente como irmãs Mirabal, ativistas pela liberdade
política da República Dominicana, assassinadas brutalmente pela ditadura
daquele país em 1960.
1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate à AIDS, que tem por
objetivo estimular a prevenção, diminuir a disseminação do vírus HIV e
combater o preconceito contra as pessoas soropositivas. Essa data leva à
reflexão sobre o preocupante crescimento dos casos de mulheres
contaminadas.
06 de dezembro convoca os homens de todos os países para a Campanha
do Laço Branco, em memória às 14 estudantes assassinadas na Escola
Politécnica de Montreal, em 1989. O massacre tornou-se símbolo da
injustiça contra as mulheres e mostra a importância dos homens no
combate à violência de gênero.
10 de dezembro é data comemorativa do Dia Internacional dos Direitos
Humanos. Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi
adotada pela ONU, em resposta à violência da Segunda Guerra Mundial,
onde seus artigos inspiraram inúmeros tratados e dispositivos voltados à
proteção dos direitos fundamentais.
16 dias de ativismo – essa campanha é de cada uma e cada um
Aliar os direitos humanos ao enfrentamento à violência contra as
mulheres combina um amplo debate, que nos permite desvendar e
desconstruir as amarras da cultura milenar, machista e patriarcal que
estruturou e consolidou as desigualdades de gênero. Infelizmente, o foco
no debate sobre violência de gênero ainda se encontra nas consequências
visíveis, que deixam marcas físicas, mas não consideram a violência
moral e psicológica como prejuízo real às mulheres em situação de
violência.
Como ação estratégica, a campanha 16 dias de ativismo tem relevante
papel na promoção desse debate e propõe dar visibilidade às várias
formas de violência contra as mulheres, estimulando o reconhecimento de
condutas aparentemente banais e corriqueiras como formas de violência e a
adoção de comportamentos críticos, de resistência e de combate a essas
condutas.
Por isso a importância da participação de cada uma e cada um nessa
construção para a transformação em políticas públicas, movimentos
sociais, escolas, comunidades e locais de trabalho. Porque uma vida sem
violência é sim direito das mulheres. Comprometa-se. Tome uma atitude.
Exija um mundo melhor para todas e todos!
Neliane Cunha – mulher, mãe, feminista, educadora e
diretora do Sinpro na Secretaria de Políticas para as Mulheres.
diretora do Sinpro na Secretaria de Políticas para as Mulheres.