Sílvio Guedes Crespo
São Paulo - O Brasil subiu 23 posições em um ranking de melhores países para fazer negócios, elaborado pela agência de informações financeiras Bloomberg.
O
país passou do 61º lugar, na edição do ano passado, para o 38º, no
ranking atual. Com isso, o Brasil superou países emergentes como Rússia e
Índia, mas manteve-se atrás da China, do Peru e do Chile, assim como de
todas as nações desenvolvidas e de algumas em crise, como a Grécia.
Hong Kong se manteve em primeiro lugar, seguido pelo Canadá, que subiu quatro posições, e pelos Estados Unidos, que caíram duas.
A
Bloomberg analisou 157 países e deu uma nota de 0 a 100 nos seguintes
quesitos: “grau de integração econômica” (peso 10), “custo de iniciar um
negócio” (peso 20), “custo do trabalho e do material'' (peso 20),
“custo de transporte de bens” (peso 20), “custos menos tangíveis” (20) e
“mercado consumidor” (10).
Análise
A olho nu, o ranking da Bloomberg parece destoar de muito do que vem sendo constatado historicamente no Brasil.
No
quesito “grau de integração econômica”, em que o Brasil teve a maior
nota (75,6 pontos), o estudo avalia, entre outras coisas, se as tarifas
de importação são baixas e se o grau de “codependência com o mercado
global” é alto.
Nossos números não corroboram nem o primeiro nem o segundo ponto. Segundo a Câmara de Comércio Internacional, o Brasil é o país mais protecionista do G-20 (grupo que reúne sete dos países mais ricos, 12 emergentes e a União Europeia).
Em
relação ao “custo de iniciar um negócio”, item em que o Brasil teve sua
segunda maior nota (68,1 pontos), a Bloomberg analisa o custo não só
para abrir uma empresa, como também para financiar um negócio e para
trazer dinheiro ao país na forma de investimento estrangeiro direto.
O
Banco Mundial, quando examina o custo de abrir uma empresa, em um
estudo chamado Doing Business, coloca o Brasil em 130º lugar. Vale notar
que a metodologia do BM é criticada por diversos especialistas,
inclusive pela Organização Internacional do Trabalho.
Mesmo
se descartarmos totalmente o trabalho do Banco Mundial, ainda teremos
diversos indícios de que a burocracia no Brasil é excessiva. Nos demais
itens analisados, também não há sinais de uma melhora tão abrupta.
O que, então, justificaria uma elevação tão considerável do Brasil no ranking de fazer negócios da Bloomberg?
Uma hipótese está na taxa de câmbio. Diferentemente
do Doing Business, o ranking da Bloomberg é muito focado em custos, não
tanto em tempo gasto. Custo de abrir uma empresa, custo do trabalho e
dos insumos (bens usados na produção), custo de mobilidade dos bens etc.
Quando
o real se desvaloriza, os custos no Brasil ficam mais baixos, do ponto
de vista dos estrangeiros. Mesmo que a eficiência dos nossos portos e
aeroportos não melhore, mesmo que os preços do transporte não caiam,
mesmo que o custo da mão de obra não baixe, para quem vem de fora o
Brasil fica mais barato quando o real perde valor.
No ano passado,
o dólar subiu cerca de 15% em relação ao real, o que representou uma
alta considerável em comparação com outros países.
A tabela ao
lado contém um levantamento da consultoria Economática e mostra a
variação da moeda dos EUA em seis países da América Latina. Aponta,
ainda, a variação do dólar descontada a inflação do país. Por exemplo,
no Brasil, o poder de compra da moeda americana aumentou 8% no ano
passado.
BNC Economia
