31 de janeiro de 2014

CRISE NO INCRA: NOTA DO MST NO MARANHÃO COM RELAÇÃO A OCUPAÇÃO A CIPÓ CORTADO



O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST vem a público, denuncia e informar a sociedade da situação de conflito instalada na zona rural de Senador La Roque no Maranhão.

A situaçõe:
-Uma milícia armada cerca, desde a terça-feira, 21/01, o Acampamento Cipó Cortado em Senador La Roque. O grupo é chefiado por um vulgo “Ceará” e se instalou no local após o despejo, irregular, de um dos três acampamentos da Gleba Cipó Cortado. Há policiais militares no local, e por incrível que pareça, dando suporte aos milicianos.

-O bando armado vem aterrorizando as 226 famílias acampadas no local. Os mesmos chegam a disparar tiros contra o acampamento e passeiam com caminhonetes cheias de homens armados na frente da comunidade intimidando os trabalhadores.

Histórico:
-A Ocupação da Cipó Cortado existe desde novembro de 2007. Desde então os trabalhadores sofrem agressões, ouve casos de invasão do acampamento por homens armados, de trabalhadores seqüestrados e torturados, e até de trabalhadores baleados.

- A Cipó Cortado é um complexo de áreas da União Federal de cerca de 9 mil hectares e que foi grilada nas décadas de 70, 80 e 90.

-O Programa de Regularização Fundiária “Terra Legal”, há mais de cinco anos, constatou que a área é da União, e está atuando no processo de arrecadação das quatro áreas que compões o complexo. Em novembro passado 2700 hectares foram arrecadados, mas este montante não chega a 40% da área e não dá pra assentar nem metade das famílias ali acampadas. 

-Por 16 vezes o acampamento recebeu liminar de despejos, que não foram cumpridas por se tratar de terras federais, o que torna a justiça local sem competência no caso.

-O Despejo realizado no dia 21/01, semana passada, foi ilegal devido a Justiça Comum não ter competência no caso. O despejo, autorizado pelo Major Markus do Comando da PM de Imperatriz, feriu ajustamentos de condutas realizados antes, a fim de evitar conflitos maiores em despejos. Antes do atual comando, nenhum despejo na região era realizado sem que as famílias acampadas, imprensa, órgãos responsáveis pela questão agrária e entidades de direitos humanos fossem comunicadas. O Atual comando da PM colocou em risco as famílias acampadas quando tentou fazer um despejo surpresa. Por sorte, dois Defensores Públicos acompanharam o despejo e fizeram exigências práticas durante a operação.

Diante da situação:
- O MST vem a publico informar que a área não será desocupada, pois as famílias já sobrevivem do local, tem escolas nas comunidades, é lá que estas produzem a sua existência, e que a Cipó Cortado é uma terra pública e deve ser entregue para os trabalhadores e não para os grileiros. 

 - O MST denuncia a lentidão do INCRA, do Programa Terra Legal e do Governo Federal, que se mostram incompetentes para fazer a reforma agrária até em terras publicas, e que até o momento não se posicionaram sobre a situação de conflitos e do despejo irregular das famílias.

- Cobra e exige da Advocacia Geral da União (AGU), dos responsáveis pelo Terra Legal e do Ouvidor Agrário Nacional, agilidade na arrecadação das áreas griladas para os trabalhadores. 

 - Exige que o comando da PM retire seus agentes do local. Que a Secretaria de Segurança Publica do Estado do Maranhão e o Delegado Agrário do Estado apure os crimes de pistolagem na região, que desarmem a milícia ali instalada e que de fato venham a proteger os cidadãos que vivem ali.

MST-MA. Imperatriz, 29 de janeiro de 2014
BNC Notícias

Nenhum comentário:

Postar um comentário

quero comentar