Brasília - Começou na segunda-feira, dia 10 de fevereiro, e segue até o dia 14, o 6º
Congresso Nacional do Movimento dos Sem Terra – MST. Mais de 15 mil
camponeses, representantes do maior movimento civil organizado do
Brasil, vieram de todas as regiões para reafirmar a luta por uma
sociedade mais justa. O evento está acontecendo no Centro Esportivo de
Brasília, no Ginásio Nilson Nelson, se estendendo por todo o
estacionamento da área.
Com 30 anos de fundação, o MST traz em sua pauta
novos desafios. O movimento que iniciou-se com o propósito de organizar a
luta pela reforma agrária e o fim do latifúndio improdutivo, pretende
hoje, requalificar a luta histórica pela terra. Em um país no qual a
combinação da mais oferta de emprego na cidade e políticas sociais se
sobrepôs à reforma agrária como opção política para combater a pobreza,
condenando esta última à invisibilidade.
“A questão luta pela terra hoje está fora da pauta da sociedade e do
governo. Está cooptada por muitos intelectuais que acham que a reforma
agrária e a luta pela terra não existe mais. Portanto, a luta pela terra
está despolitizada. Ela tem acontecido, seja a luta dos indígenas, dos
quilombolas, dos pescadores, a nossa luta. Mas está escondida, abafada”,
afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST.
De acordo com sua assessoria de imprensa, o principal objetivo do
Congresso Nacional do MST é discutir e fazer um balanço crítico da atual
situação do Movimento, traçar novas formas de luta pela terra, pela
Reforma Agrária e por transformações sociais, além de comemorar seus 30
anos de existência.
Na programação serão realizados debates em torno do desafio
organizativo do Movimento, o papel político dos assentamentos, a
participação da mulher e dos jovens na luta, além de ato político em
defesa da Reforma Agrária, marcha, e atividades culturais as noites.
Na tarde de quarta- feira (12/02), os Sem Terra realizam uma grande marcha em defesa da Reforma Agrária pela capital federal. Durante a noite será realizado uma festa em comemoração ao aniversário de 30 anos do MST.
Na quinta-feira (13/02), acontece o ato político pela Reforma
Agrária, com a participação de movimentos sociais, intelectuais,
partidos políticos que representam a esquerda brasileira, como o
governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, o governador do Amapá,
Camilo Capiberibe, e Rui Falcão, presidente nacional do Partido dos
Trabalhadores (PT), além dos convidados internacionais.
Simultaneamente ao Congresso, durante os dias 10 a 13 de fevereiro,
ocorre a Mostra Nacional da Cultura e Produção Camponesa, ao lado do
Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Será um espaço de demonstração e
comercialização dos alimentos produzidos pelos assentamentos de Reforma
Agrária, além de apresentações culturais do campo. Nesse mesmo espaço,
ainda serão montadas 12 pequenas agroindústrias de beneficiamento, entre
elas de erva mate, cachaça, e farinha.
A Agência Abraço, vinculada a Abraço Nacional (Associação Brasileira
de Radiodifusão Comunitária) realiza a cobertura completa do congresso, e
disponibilizará os principais registros do evento.
Bruno Caetano
Da Redação
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