Belo Horizonte - Cerca de 2.000 pessoas assistiram à missa celebrada às 11h deste
domingo (9) pelo frei Cláudio van Balen, 81, na Igreja Nossa Senhora do
Carmo, zona sul de Belo Horizonte. O frade, ligado à ala mais
progressista da Igreja Católica e defensor da Teologia da Libertação --e
que há cinco décadas celebra a missa nesse horário--, havia sido
afastado em janeiro pela Arquidiocese de Belo Horizonte e Província
Carmelita de Santo Elias, mas retornou à função após pressão dos fiéis.
A presença de 2.000 pessoas na missa representa o dobro do público que
normalmente frequentava as celebrações das 11h de domingo na igreja. O
templo, que tem capacidade para 800 pessoas sentadas, foi tomado fiéis
que acabaram ocupando espaços laterais e parte do altar, e dezenas de
pessoas ficaram do lado de fora da igreja.
Depois que o sinete do altar tocou três vezes, frei Cláudio van
Balen entrou e foi aplaudido com entusiasmo pelos fiéis --alguns
choravam. O frade, então, levantou a mão direita pedindo silêncio, e a
missa pode começar. Balen nada falou sobre seu afastamento.
"Em
nome do pai, amém. Excluídos sejam incluídos, pela nossa prática do bem.
É missão de todos a convivência transformadora", disse o frade no rito
inicial. "Apegados ao poder, maltratamos irmãos", continuou.
Após o afastamento do frade, a missa das 11h do dia 26 de janeiro (um domingo) foi tomada por uma manifestação de fiéis,
que protestavam contra a saída do religioso. As cerca de mil pessoas
que tinham ido assistir à missa impediram que ela fosse realizada pelos
frades Evaldo Xavier, 47, e Wilson Fernandes, 31, que assumiu a paróquia
no início do ano.
Após o episódio, a Arquidiocese e a Província
Carmelita proibiram as missas do frade e fecharam a igreja, mas os
fiéis compareceram ao local no último domingo (2), entoaram cânticos
católicos, rezaram e protestaram contra a ausência do frade. Foi então
que, na segunda-feira (3), a Arquidiocese e a Província Carmelita
voltaram atrás e anunciaram o retorno do frade.
Emoção
A estudante Silvia Couto Gonçalves de Souza, 26, aluna da escola da
Apae (Associação de Pais e Amigo dos Excepcionais) de Lagoa Santa, na
região metropolitana de Belo Horizonte, sentou-se ao pé do altar para
assistir à celebração, mas rezou pouco: Silvia chorou durante toda a
celebração. Olhava para o frade, abaixava a cabeça, e chorava.
"Ela gosta muito do frei Cláudio. Já se acostumou com ele", disse a mãe de Silvia.
A médica geriatra Diana Carvalho Ferreira, 33, rezou acompanhou a missa
do lado de fora da igreja. Ao lado do filho Raul, que no sábado (8)
completou um mês de idade, ela disse que a missa era "especial".
"Não poderia ficar com ele lá dentro, cheio do jeito que está. Ele
ainda não foi batizado, mas fiz questão de trazer. Essa missa é
especial. O frei Cláudio explica bem a religião na prática, no dia a
dia, na nossa vida. A gente consegue colocar os ensinamentos religiosos
em prática."
BNC Cotidiano
