9 de fevereiro de 2014

INSATISFEITOS: Para estudantes no Rio, tarifa de ônibus grátis não compensa aumento

Rio de Janeiro - A revolta com o aumento da tarifa de ônibus no Rio de Janeiro --de R$ 2,75 para R$ 3--, que passou a valer a partir de sábado (8), e a insatisfação com a qualidade do serviço do transporte público foram unanimidade entre os estudantes ouvidos pelo UOL ao longo da semana que antecedeu o reajuste.

 Já a ampliação da gratuidade da passagem, que já contemplava alunos dos ensinos fundamental e médio da rede pública e, desde a última segunda-feira (3), também vale para universitários cotistas e bolsistas do Prouni (Programa Universidade para Todos), foi considerada, apesar de positiva, insuficiente pela maioria dos estudantes. Eles pleiteiam que o benefício seja concedido para todos os alunos e acham que as novas gratuidades não compensam o aumento de 9,09% na tarifa municipal.

A falta de qualidade do serviço de ônibus foi o principal argumento dos alunos para condenar o reajuste. "Os ônibus são péssimos. E estão ficando cada vez piores, mais cheios. Com o trânsito ruim do jeito que está, num calor desse, então, é pior ainda", afirma a estudante de engenharia elétrica da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Carla Paiva, 28. "A gente fica mais de uma hora dentro, muitas vezes em pé. Se é de graça para os alunos dos ensinos fundamental e médio da rede pública, não tem por que não ser para os do ensino superior." Ela não será beneficiada com a gratuidade.


Para Lia Figueiredo, 20, que estuda engenharia cartográfica, também na Uerj, a extensão da gratuidade para cotistas, bolsistas do Prouni e alunos que tem baixa renda familiar é justa.


"Se fosse de graça para todos os estudantes, seria mais um motivo para eles aumentarem ainda mais [a tarifa]", comenta a estudante. Na opinião dela, no entanto, "os ônibus são caros demais para o serviço que oferecem".


A estudante Patrícia Ximango, 24, entrou na Uerj por meio do sistema de cotas. Apesar de ser uma das beneficiárias do decreto do prefeito, ela acredita que as gratuidades não compensam o novo valor da tarifa.

 "O trabalhador que usa bastante os ônibus pra trabalhar é quem vai pagar a conta. O número de bolsistas é muito pequeno dentro do todo. Os outros universitários, que não terão gratuidade, também vão pagar o pato", afirma Patrícia, que, por utilizar ônibus intermunicipais, já que mora em Niterói, cidade vizinha ao Rio, nem chegou a fazer o RioCard.

A decisão de aumentar o valor da tarifa e alterar os critérios de gratuidade consta em decreto do prefeito Eduardo Paes (PMDB) publicado no "Diário Oficial do Município" no último dia 30. Os beneficiados terão direito a 76 viagens de ônibus mensais, inclusive em fins de semana.

Anteriormente, os alunos beneficiados tinham direito a 60 viagens por mês, apenas em dias úteis. Antes da decisão, universitários que ingressaram no ensino superior por cotas ou pelo Prouni pagavam meia passagem.


A gratuidade integral também vai passar a valer, a partir de segunda (10), para universitários com renda familiar per capita de até um salário mínimo. Quem se enquadrar nessas condições deve se dirigir às agências do RioCard na capital fluminense para fazer o cadastro, apresentando a comprovação de matrícula e de renda.

BNC São Paulo

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