O deputado
estadual Carlos Amorim (PDT) usou o seu tempo na tribuna, nesta
terça-feira (4), para criticar a ação do governo federal que, a pedido
da Fundação Nacional do Índio (Funai), determinou a desocupação, dentro de 40 dias, de
moradores não-índios que vivem no território indígena Awá-Guajá, em
cumprimento à decisão judicial expedida em dezembro do ano passado. O
território em questão abrange os municípios de São João do Caru, Zé Doca
e Bom Jardim.
O
problema, que atinge cerca de 1.220 familias obrigadas a deixar para
trás suas propriedades, de onde tiram o seu sustento há mais de 30 anos,
preocupa o deputado. Segundo Amorim, o governo do Estado faz descaso da
situação. “Eu fico surpreso com a omissão do governo do Estado do
Maranhão a um problema social sério como esse, que está se arrastando há
muito tempo. Não se vê uma palavra oficial do Governo em solidariedade a
essas pessoas que sairão daquela área sem saber onde e para aonde ir”,
disse Carlos Amorim.
Para o parlamentar, o Governo do Estado deveria mobilizar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do
Maranhão (Incra) para que providencie áreas destinadas ao assentamento
das famílias. "São pessoas que produzem, que sobrevivem daquilo, pessoas
que estão lá há décadas e têm crianças, e no entanto é lamentável a
omissão, a despreocupação, a frieza do Governo do Estado para com as
pessoas que habitam aquela região”.
Carlos
Amorim fez ainda uma comparação com a crise no sistema penitenciário do
Maranhão, afirmando que o “Maranhão está com sua imagem trucidada pela
fragilidade do Sistema de Segurança Pública” e que o mesmo poderá
acontecer com o caso de despejo das famílias que ocupam o território
indígena. “A qualquer momento vocês também vão ver no Jornal Nacional e
nos telejornais do país fatos envolvendo aquelas pessoas e índios em
razão dessa omissão do governo”, afirmou.
APOIO
O deputado
André Fufuca (PEN) entrou na discussão declarando total apoio ao
posicionamento de Carlos Amorim. “Conheço muito bem aquela área e muitos
moradores que ali vivem, e tenho a certeza e a convicção de que aquilo é
uma das maiores injustiças e ato de crueldade já praticado pela Funai
contra qualquer civil ou qualquer habitante de uma região. São pessoas
que nasceram naquela região, idosos com as mãos e os pés calejados e
rachados de tanto trabalhar e que hoje se encontram com uma mão na
frente e outra atrás, tendo que sair de suas casas, de seus ranchos, de
suas fazendas, de suas propriedades, que não foram compradas por má fé,
como eles próprios dizem”, ressaltou.
Fufuca finalizou afirmando que “quem
conhece as aldeias do Estado, hoje vê a concentração de miséria, a
concentração de esquecimento de que seus moradores são vítimas. São
postos de saúde sem médicos, são escolas sem professores. Ao invés da
Funai achar que simplesmente doando terras irá curar o mal de séculos,
ela deve, sim, cuidar da saúde e da educação dos seus índios. Abraço a
sua causa, conte comigo nesta luta”, completou.
BNC Parlamento Estadual
