7 de fevereiro de 2014

CRISE: Presidente da Eletrobras admite que não há sistema elétrico à prova de raios

Brasília - O presidente da Eletrobras, José da Costa, disse na manhã desta sexta-feira que não há como assegurar que o sistema elétrico do país seja totalmente à prova de raios. Os comentários foram feitos depois de a Eletrobras vencer o leilão da linha de transmissão da usina de Belo Monte, em parceria com a gigante chinesa State Grid.

Nesta quinta-feira, em sua primeira manifestação oficial depois do apagão que atingiu 12 estados do país, além do Distrito Federal, a presidente Dilma Rousseff disse que o sistema elétrico brasileiro tem de ser “à prova de raios” e cobrou do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que apure se os operadores estão fazendo a manutenção adequada de sua rede de para-raios. A afirmação foi feita em mensagem lida pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Thomas Traumann, no início da noite.

Na quinta-feira à tarde, o ONS havia informado que a região onde ocorreram as falhas de transmissão que levaram ao apagão da última terça pode ter sido alvo de uma tempestade no momento do blecaute e que a hipótese de raios não está descartada.

— Nós não podemos dizer que nós não temos problemas. Mas o que dizemos é que a performance nossa é boa e que queremos cada vez aprimorar mais. (...) Alguma coisa sempre acontece — disse Costa nesta sexta-feira, sobre os sistemas de segurança do setor e recusando-se a assegurar que tais linhas são efetivamente à prova de raios.
Costa explicou que, quanto menor a tensão de uma linha de transmissão, mais vulnerável ela estará. Teoricamente, portanto, o linhão de Belo Monte, que vai trabalhar em extra alta tensão de 800 kilovolts terá fornecimento mais seguro, segundo ele.

— A rede de distribuição que opera com tensão de 128 KV para baixo é muito mais sujeita a desligamento. Primeiro, pelo nível de isolamento. Segundo porque muitas vezes não tem uma faixa própria, e terceiro porque está mais sujeita a abarroamentos — explicou, referindo-se às redes mais próximas dos pontos de consumo.

De acordo com o presidente da Eletrobras, no ano passado não houve nenhum desligamento no sistema do grupo que tenha causado interrupção de mais de 500 megawatts, frisando que a empresa tem “uma performance muito boa”. Outro indicador que é muito usado no setor, acrescentou ele, é o índice de desligamento por quilômetro.

— No sistema Eletrobras temos hoje 2,1 defeitos por 100 quilômetros de linha por ano, que internacionalmente é baixo — detalhou.

Ele reiterou diversas vezes que em linhas de transmissão como a leiloada na manhã desta sexta-feira, o risco de desligamentos por raios é bem menor.

— Quando se vai para uma tensão elevada, de até 800 kilovolts, já quase a tensão do raio, você já fica muito mais protegido — disse, para completar: — O que estamos fazendo sempre é trabalhar para que essas redes de extra alta tensão tenham o menor nível de defeito possível, que não é só decorrente por descarga atmosférica. Mas, além disso, buscamos que o sistema tenha uma robustez tal que, se der algum defeito, o consumidor nem fica sabendo. Porque o resto do sistema se ajustou.

Fonte: O Globo
BNC Energia

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