Brasília - O presidente da Eletrobras, José da Costa, disse na manhã desta
sexta-feira que não há como assegurar que o sistema elétrico do país
seja totalmente à prova de raios. Os comentários foram feitos depois de a
Eletrobras vencer o leilão da linha de transmissão da usina de Belo
Monte, em parceria com a gigante chinesa State Grid.
Nesta
quinta-feira, em sua primeira manifestação oficial depois do apagão que
atingiu 12 estados do país, além do Distrito Federal, a presidente
Dilma Rousseff disse que o sistema elétrico brasileiro tem de ser “à
prova de raios” e cobrou do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
que apure se os operadores estão fazendo a manutenção adequada de sua
rede de para-raios. A afirmação foi feita em mensagem lida pelo
ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Thomas Traumann,
no início da noite.
Na
quinta-feira à tarde, o ONS havia informado que a região onde ocorreram
as falhas de transmissão que levaram ao apagão da última terça pode ter
sido alvo de uma tempestade no momento do blecaute e que a hipótese de
raios não está descartada.
— Nós não podemos dizer que nós não
temos problemas. Mas o que dizemos é que a performance nossa é boa e
que queremos cada vez aprimorar mais. (...) Alguma coisa sempre acontece
— disse Costa nesta sexta-feira, sobre os sistemas de segurança do
setor e recusando-se a assegurar que tais linhas são efetivamente à
prova de raios.
Costa
explicou que, quanto menor a tensão de uma linha de transmissão, mais
vulnerável ela estará. Teoricamente, portanto, o linhão de Belo Monte,
que vai trabalhar em extra alta tensão de 800 kilovolts terá
fornecimento mais seguro, segundo ele.
— A rede de distribuição
que opera com tensão de 128 KV para baixo é muito mais sujeita a
desligamento. Primeiro, pelo nível de isolamento. Segundo porque muitas
vezes não tem uma faixa própria, e terceiro porque está mais sujeita a
abarroamentos — explicou, referindo-se às redes mais próximas dos pontos
de consumo.
De acordo com o presidente da Eletrobras, no ano
passado não houve nenhum desligamento no sistema do grupo que tenha
causado interrupção de mais de 500 megawatts, frisando que a empresa tem
“uma performance muito boa”. Outro indicador que é muito usado no
setor, acrescentou ele, é o índice de desligamento por quilômetro.
— No sistema Eletrobras temos hoje 2,1 defeitos por 100 quilômetros de linha por ano, que internacionalmente é baixo — detalhou.
Ele
reiterou diversas vezes que em linhas de transmissão como a leiloada na
manhã desta sexta-feira, o risco de desligamentos por raios é bem
menor.
— Quando se vai para uma tensão elevada, de até 800
kilovolts, já quase a tensão do raio, você já fica muito mais protegido —
disse, para completar: — O que estamos fazendo sempre é trabalhar para
que essas redes de extra alta tensão tenham o menor nível de defeito
possível, que não é só decorrente por descarga atmosférica. Mas, além
disso, buscamos que o sistema tenha uma robustez tal que, se der algum
defeito, o consumidor nem fica sabendo. Porque o resto do sistema se
ajustou.
Fonte: O Globo
BNC Energia
