17 de fevereiro de 2014

MST – Um grande aliado na luta pela Democratização da Comunicação no Brasil

Brasília - Milhares de camponeses e camponesas organizados pelo MST realizaram seu VI Congresso Nacional em Brasília. A Agência Abraço de Cultura e Comunicação Comunitária realizou a cobertura completa do grandioso evento. Na pauta de debates, a organização e luta do movimento para os próximos cinco anos e a apresentação do novo programa agrário, a chamada Reforma Agrária Popular. Uma marcha com 15 mil pessoas ocupou Brasília e a praça dos Três Poderes e foi o 5º assunto mais comentado no mundo através do Twitter. Após isso, uma reação policial que indignou cada militante social ali presente. 

Mas além da luta pela Reforma Agrária, o MST se mostra um dos grandes aliados para a Democratização dos meios de comunicação no Brasil. De acordo com a jornalista e jornalista e mestra em Ciências Sociais, integrante do setor de comunicação do MST e do Conselho Diretor do Intervozes, Mayrá Lima, a comunicação popular é fundamental no processo coletivo de formação e organização, sendo mais antiga que o próprio MST, como movimento nacional, que completou 30 anos em janeiro. O Jornal Sem Terra, por exemplo, é um dos precursores do jornalismo popular camponês. Lançado em 1981, no acampamento da Encruzilhada Natalino, em Ronda Alta (RS), o jornal é mais que um instrumento de divulgação das bandeiras de luta; ele serve para a formação e mobilização de camponeses e camponesas Sem Terra.

A jornalista revela que o MST conta com uma série de outros meios de comunicação. A página do movimento na internet, por exemplo, é um contraponto à mídia burguesa em uma série de matérias e reportagens que mostram a vida no campo de forma diferente dos grandes jornais alinhados à visão política do monopólio midiático. “”As rádios dentro dos assentamentos são outro exemplo de luta e organização. São rádios populares, que representam a grande comunidade que é um assentamento rural. Outra iniciativa está na inserção política do MST nas redes sociais, em uma experiência de tornar coletivo o que é individual por natureza, como é o caso do Facebook e o Twitter”, afirma Mayrá.

Mais recentemente, o movimento passou a investir na formação de comunicadores populares através do curso de jornalismo da terra na UFC (Universidade Federal do Ceará). Em 2013, 44 filhos e filhas de assentados romperam as cercas da universidade e, hoje, estão capacitados para atuar na comunicação de seus estados, realizando coberturas das ações e do dia a dia do MST.

Vale ressaltar que a legislação brasileira acerca da comunicação dificilmente leva em conta o campo brasileiro. Se citarmos o rádio, o limite de 1km de alcance de transmissão imposto para o funcionamento de uma rádio comunitária não atende nem de perto às grandes extensões dos assentamentos rurais. Ao mesmo tempo, a internet, já dentro do cotidiano das áreas urbanas, ainda é um problema nas áreas camponesas, onde o sinal telefônico não chega – o que dizer então da banda larga. “E quando se trata da organização dos trabalhadores camponeses, o enfrentamento às barreiras do monopólio é cotidiano. A criminalização e a “invisibilização” das lutas camponesas faz parte de um posicionamento da grande mídia monopolizada em poucas famílias e ideologicamente alinhadas ao latifúndio e ao agronegócio”.

Assim, o MST se soma à luta pela democratização da comunicação e faz dela uma de suas principais bandeiras. “Está firme na coleta de assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular da mídia democrática e é um aliado de peso contra o latifúndio da comunicação, tão cruel quanto o latifúndio da terra. Nesses 30 anos do MST, essas duas lutas caminham mais juntas do que nunca”, conclui Mayrá Lima.

Bruno Caetano
Da Redação
Coma a colaboração da Assessoria de Comunicação do MST e Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares
BNC Brasilia

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