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20 de abril de 2015

Em homenagem ao Dia do Índio, deputado Wellington do Curso visita tribo indígena


Grande Ilha - Em homenagem ao Dia do Índio, o deputado Wellington do Curso (PPS) visitou, no último domingo (19), a Aldeia Tabocal, da tribo indígena Guajajara, localizada no município de Bom Jardim, a 275 km de São Luís.

Na oportunidade, Wellington, que tem se destacado na luta pela defesa das minorias, ouviu o cacique Erismar Guajajara, bem como os anseios da tribo, que conta com aproximadamente 152 habitantes
e cerca de 35 famílias.

"É um motivo de alegria, não só para mim, mas para todos desta tribo estar recebendo a visita e o apoio do deputado Wellington, que esteve aqui durante a campanha e retornou, desta vez em agradecimento e para nos prestar esta homenagem. Enquanto tantos aparecem somente no período eleitoral, ele fez diferente e ganhou mais ainda nossa admiração e respeito. Nós acreditamos nele como nosso representante", declarou Erismar. 

Ao verificar as necessidades e problemáticas da comunidade, o parlamentar ressaltou o seu compromisso com a dignidade humana.

"A visita à tribo me permitiu ter um conhecimento de fato sobre o contexto em que os indígenas maranhenses estão inclusos. Ao ouvir o cacique e demais índios, percebo que as principais problemáticas fazem referência à precariedade da educação, assim como a ineficiência dos serviços de saúde do programa Mais Médicos. 

Mais do que uma mera visita, reafirmo o compromisso, enquanto parlamentar, de garantir que tal precariedade seja ao menos atenuada, enfatizando o cumprimento dos direitos fundamentais e zelando por aquilo que é assegurado constitucionalmente a todo e qualquer cidadão: a dignidade humana", afirmou o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e das Minorias.

BNC Cidadania

24 de outubro de 2014

Equipamentos culturais da Prefeitura recebem programação da Aldeia Sesc

São Luis - Espetáculos teatrais e shows musicais vão ocupar o Teatro da Cidade e a Galeria Trapiche, equipamentos culturais da Prefeitura de São Luís administrados através da Fundação Municipal de Cultura (Func). As atrações terão início a partir desta quinta-feira (23) pela nona edição da Aldeia Sesc Guajajara de Artes, evento promovido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc/MA).

A entrada para as atividades será gratuita e os espetáculos serão apresentados até o dia 30 deste mês. Na sexta-feira (24), às 18h, o grupo maranhense DRAO Teatro da (In)constância apresenta o espetáculo teatral “Tenho a leve impressão que lhe conheço” no Teatro da Cidade. A narrativa da peça aborda o tema da velhice e o texto foi construído coletivamente, a partir de experiências pessoais dos integrantes do próprio grupo.

“Dentro da companhia, nós desenvolvemos um processo de criação coletiva com atividades de dramaturgia que envolvem temas diversos. Na construção desta peça começamos a refletir sobre perdas e a relação com a velhice emergiu naturalmente”, explicou Ivaldo Júnior, integrante do grupo DRAO.

A peça trata de dois personagens que, representam o mesmo homem em tempos diferentes e, se encontram em um banco de praça para conversar sobre a vida, o passado, as perdas e o tempo. O grupo explora o teatro do absurdo e tem a participação dos atores Felipe Correa e André Dhamas.

No sábado (25), às 17h, será a vez da criançada entrar no universo lúdico do espetáculo infantil “A viagem do barquinho”, do Grupo Universitário de Teatro (GUT), também no Teatro da Cidade. Na história, as crianças são convidadas a ir à busca de um barquinho de papel e realizar uma viagem de peripécias, alegrias, fantasias e grandes surpresas. O texto é de Sylvia Orthof, escritora e dramaturga premiada no gênero da literatura infantil.

A programação continua na segunda-feira (27), com shows musicais com artistas da nova cena musical de São Luís. Às 19h, sobe ao palco do Teatro da Cidade o cantor e compositor Tiago Máci, com o show “Mete o amor, forte”. Às 20h, é a vez do grupo Sampler B.

Já na terça-feira (28), às 18h, o performer Yuri Azevedo apresenta o espetáculo “Corpo descartável”, questionando as relações efêmeras e superficiais do homem na contemporaneidade. O copo descartável é utilizado como metáfora da modernidade para discussões filosóficas sobre o homem e a natureza, o homem e a relação com o outro e o homem consigo mesmo. O espetáculo não é recomendado para menores de 10 anos.

A programação no Teatro da Cidade encerra na quarta-feira (29), às 18h, com leituras dramáticas de quatro textos teatrais: “O Rato no Muro”, com o grupo Panapanã de Teatro; “Roda Viva”, com o Núcleo Artístico Feminino (NAFEM); “Lázzaro”, com a Cia. Cambalhotas, e “Eles não usam Black Tie”, com o grupo Petite Mort.

Na terça-feira, às 19h, a Galeria Trapiche receberá a apresentação da Companhia Pessoal de Teatro, do Mato Grosso, que integra o Projeto Palco Giratório, na programação da Aldeia. No espetáculo “Cidade dos Outros”, dois personagens aparecem amarrados em uma máquina enquanto jogam na loteria. A expectativa do resultado marca o tempo de espera, a metáfora da vida como um jogo.

SOBRE O EVENTO
Integrante da Rede Sesc de Intercâmbio e Difusão de Artes Cênicas no país, a Aldeia Sesc Guajajara de Artes chega em 2014 à sua nona edição. A programação, inteiramente gratuita, segue até o dia 30 de outubro e ocorrerá em São Luís e no município de Raposa.

Entre os objetivos da Aldeia destaca-se a valorização da produção artística maranhense e sua programação contempla, além das apresentações de espetáculos e performances em artes cênicas, shows musicais, exibições de filmes, contações de histórias, exposições, intervenções urbanas, instalações e ações formativas.

Esta edição da Aldeia Sesc Guajajara de Artes tem como tema “Tecendo Redes” e sua programação integrará diversos eventos que já acontecem, com o funcionamento em rede, ao menos em algum nível, como o movimento Sebo no Chão, A Vida é uma Festa, O Circo tá na Rua e o Brechó no Olho da Rua, entre outros.

BNC Cidade

26 de junho de 2014

"Dilma acha que precisamos consumir e ter chuveiro quente", diz líder indígena

Brasília - A escalada de conflitos que envolvem índios no país desnudou o racismo dos brasileiros contra seus povos nativos, diz Sônia Guajajara, uma das maiores líderes do movimento indígena nacional. "Até uns dez anos atrás, negavam nossa presença, faziam de conta que não existíamos. O racismo estava escondido", afirma Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). "Hoje o preconceito é muito mais visível e declarado".

Em entrevista à BBC Brasil no fim de maio, quando esteve em Brasília ao lado de outros 500 índios para protestar, ela atribui o acirramento das tensões no campo à suspensão das demarcações de Terras Indígenas pelo governo federal.

Segundo a líder, integrante do povo guajajara, do Maranhão, o governo paralisou as demarcações para não desagradar políticos ligados ao agronegócio e buscar o apoio deles à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Guajajara, de 40 anos, diz ainda que Dilma desconhece os índios brasileiros e ignora suas aspirações. "Ela pensa que, para ficarmos bem, precisamos ter bens, chuveiro quente, casa de alvenaria". "Nossa lógica e nosso modo de vida são outros: qualidade de vida para nós é liberdade, e liberdade é ter nossos territórios livres de ameaças e invasões para produzir sem destruir, como fazemos milenarmente."

Procurados, o Ministério da Justiça e a Presidência não se pronunciaram sobre as críticas de Guajajara. Leia os principais trechos da entrevista.


BBC Brasil - A relação dos índios com o governo federal piorou?
Sonia Guajajara - Piorou bastante, e o desgaste tem ocorrido por conta da omissão do ministro da Justiça [José Eduardo Cardozo] em relação à questão de demarcação de terras. Os conflitos no campo se acirraram, e ele simplesmente suspendeu todos os processos de demarcação em curso.

A Dilma demarcou apenas dez terras em quatro anos de mandato, o pior resultado para um governo desde que nossas terras começaram a ser demarcadas. Há 12 processos de demarcação na mesa do ministro Cardozo que dependem somente da assinatura dele. Esses processos já estão concluídos e não envolvem conflito nenhum. Mesmo assim, ele não assina. Eles não querem perder o apoio da bancada ruralista para a eleição da Dilma.

BBC Brasil - O ministro diz que os processos foram paralisados para evitar conflitos e que as soluções devem ser negociadas.
Guajajara - Todas as medidas do governo para tentar resolver agravaram os conflitos. Quando em 2012 saiu a portaria 303 da Advocacia Geral da União [que define a posição do órgão federal quanto à demarcação de terras e, entre outros pontos polêmicos, admite obras nessas áreas se houver "relevante interesse público da União"], grandes fazendeiros voltaram a áreas que haviam sido retomadas por indígenas, e só na Bahia índios instalaram 64 acampamentos de retomada de terra.

Temos a sensação de que as mesas de diálogo não são para resolver. Como se pode fazer diálogo se apenas uma das partes tem de ceder sempre? Não são mesas de diálogo, mas de imposição.

BBC Brasil - O governo e associações rurais dizem que várias das terras reclamadas pelos índios hoje não são ocupadas por grandes fazendeiros, mas sim por pequenos agricultores, que têm os títulos dessas áreas.
Guajajara - Nosso problema não é com o pequeno agricultor. Em quase todas as áreas a serem livradas de intrusos ou devolvidas a indígenas, os pequenos agricultores aceitam sair se receberem indenização. Quem está lutando contra isso e pressionando são os grandes. E o governo não está a fim de pagar, por isso fica se escondendo atrás desse argumento falso.

BBC Brasil - O clima ruim com o governo se deve somente à atuação do ministro da Justiça?
Guajajara - O ministro da Justiça obedece ordens superiores. A Dilma não está nem aí para nós. Para ela, nem existe índio no Brasil. O interesse dela é o avanço da economia e o desenvolvimento, não importa quem estiver no meio.

Durante todo o governo fomos recebidos uma só vez por ela, em junho de 2013, durante as manifestações. Foi até muito simpática, prometeu que nenhum ato de governo seria implantado em Terras Indígenas sem nos ouvir.

Mas o que vemos é o avanço das hidrelétricas e as obras do PAC ocorrendo sem qualquer consulta. Na região do Tapajós [no Pará], quando os munduruku resistiram à construção das hidrelétricas que estão planejadas lá, a presidente publicou o decreto 7957 [que regulamenta o emprego de forças federais em conflitos ambientais]. O decreto permite a entrada da Força Nacional nas Terras Indígenas para facilitar estudos ambientais, mas a presença dela acaba inibindo manifestações.

BBC Brasil - Há espaço para os índios no modelo de desenvolvimento pregado pelo governo?
Guajajara - A Dilma acha que temos que comprar, consumir e fazer cooperativas para ter dinheiro. Ela pensa que, para ficarmos bem, ter qualidade de vida, precisamos ter bens, chuveiro quente, casa de alvenaria.

Nas grandes obras, às vezes oferecem às comunidades algum dinheiro, achando que vão resolver os problemas. Mas para o indígena o dinheiro acaba sendo um ponto de conflito, porque não temos o costume de lidar com ele. Não temos essa coisa de acumular riquezas.

Nossa lógica e nosso modo de vida são outros. O que a maioria dos indígenas nas aldeias quer é tranquilidade. Qualidade de vida para nós é liberdade, e liberdade é ter nossos territórios livres de ameaças e invasões para produzir sem destruir, como fazemos milenarmente.

BBC Brasil - Quem o movimento indígena vai apoiar nas eleições?
Guajajara - Estamos numa sinuca de bico. O governo Dilma foi muito ruim para nós, e não há nada que possa mudar nossa revolta, inclusive contra o PT. Mas outro governo de direita do PSDB seria muito ruim também. O Eduardo Campos, apesar de aliado com a Marina Silva, não sabe nem o que são povos indígenas. A Marina acabou se enrolando bastante. É um cenário político muito ruim, que não apresenta nenhuma perspectiva para nós.

BBC Brasil - Quais os temas mais urgentes para os índios hoje?
Guajajara - Tudo é relacionado à terra. Na Amazônia, a demarcação avançou bastante, mesmo assim praticamente todas as Terras Indígenas sofrem a exploração ilegal de recursos naturais.

Em outras áreas os índios ficaram quase sem terra nenhuma. Em Mato Grosso do Sul, a questão é mais urgente por conta da violência. Os pistoleiros entram nas aldeias, e morre gente todo dia. Em São Paulo, tem uma área, a Terra Indígena Jaraguá, em que 600 índios vivem em pouco mais de um hectare!

No Sul, os indígenas também estão sem terras e há mais de 60 acampamentos à beira da estrada. Quando eles resolvem fazer retomada e lutar pelo direito territorial, são presos.

E tem a situação no Nordeste, onde, além da criminalização e falta de terras, os indígenas têm que lutar pelo seu reconhecimento enquanto etnias, enquanto povos. Lá se acirrou muito o preconceito dos que acham que não é índio quem não tem as características físicas associadas aos indígenas. Sabemos que a violência do processo de colonização, que teve abusos de todos os tipos, inclusive sexual, mudou muito as características desses povos. É uma situação que demonstra o preconceito no Brasil contra os indígenas.

BBC Brasil - O preconceito tem aumentado?
Guajajara - Ao mesmo tempo que aumentou bastante o número de brasileiros que se autodeclaram indígenas, aumentou muito mais ainda o preconceito e o racismo. Até uns dez anos atrás, negavam a nossa presença, faziam de conta que não existíamos. O racismo estava escondido. Hoje o preconceito é muito mais visível e declarado.

Teve aquele caso no sul do Amazonas, onde população da cidade de Humaitá se revoltou com os índios, tacando fogo nas aldeias e nos prédios públicos que cuidam das questões indígenas [os ataques ocorreram em dezembro de 2013 após a morte de três moradores que sumiram enquanto cruzavam uma área da etnia tenharim; desde então, seis índios foram presos e acusados pelas mortes, mas negam o crime].

BBC Brasil - Tem havido no Brasil um forte avanço das políticas afirmativas, especialmente em favor dos negros, como as cotas em universidades e em concursos públicos. Os índios, porém, parecem ainda não ter conquistado o mesmo espaço nessas políticas e nas instituições do Estado. Por quê?
Guajajara - De fato tem avançado bastante a inserção do negro na universidade, inclusive em ministérios e no Parlamento. Mas isso não quer dizer que a situação deles melhorou lá na ponta. Veja a situação dos quilombos. Eles têm as mesmas dificuldades que nós. Temos a preocupação de não ter representantes só por ter. Queremos indígenas nos espaços de decisão, mas com autonomia. 

Fonte: Uol Notícias
BNC