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5 de janeiro de 2014

Análise: Líbano vive turbulência com vazio de poder e conflito na Síria

Uma onda de instabilidade atingiu o Líbano, levando o país a terminar um ano volátil de forma turbulenta. A violência na capital, Beirute, e o crescimento de tensões sectárias por todo o país crescem em meio a uma paralisia política e às repercussões do conflito na Síria. 

Em 2011, quando a erupção popular começou na Síria, o governo libanês assumiu uma política de imparcialidade, tentando afastar o país do que viria a ser uma sangrenta luta entre o regime do ditador sírio Bashar al-Assad e os rebeldes armados. Seu objetivo fracassou com o envolvimento direto de grupos libaneses na guerra da Síria. 

Tanto a explosão no reduto do Hizbullah no sul de Beirute, na quinta-feira, como o assassinato do estrategista anti-Assad Muhammad Chatah na semana anterior têm ligações com o conflito na Síria. A decisão do Hizbullah de se envolver militarmente na Síria em maio, lutando ao lado das forças do regime de Assad, foi um convite à retaliação dentro do Líbano. 

Politicamente, a intervenção afastou o Hizbullah, o maior grupo xiita do país, da luta contra Israel e fortaleceu a oposição entre sunitas e xiitas, sobretudo na Síria. 

A atitude do Hizbullah, ao mesmo tempo em que contribui em larga escala para que Assad mantenha uma vantagem militar contra os rebeldes na fronteira com o Líbano e no entorno de Damasco, fez o Líbano mais vulnerável. 

Desde o ultimo verão, o bairro do grupo no sul de Beirute, conhecido pela segurança, foi alvo de três carros bombas. 

O grupo Brigada Abdullah Azzam, identificado como organização terrorista afiliada à Al-Qaeda pelos EUA, reivindicou responsabilidade. 

A proeminência da Brigada Azzam não é isolada. O crescimento de grupos extremistas sunitas no Líbano é também consequência do vazio de poder e da crise de liderança sunita. A paralisia dominou a cena política no país desde a renúncia do primeiro-ministro Najib Mikati, em março de 2013. 

A ausência de líderes moderados com credibilidade depois do assassinato do primeiro-ministro Rafik Hariri em 2005 frustrou os sunitas e possibilitou a ascensão de radicais religiosos. 

Há uma escalada de tensão na maior cidade sunita do Líbano, Trípoli, onde são frequentes confrontos entre sunitas e alauitas (ramo dos xiitas) armados. 

O Líbano precisa sair da espiral de mandatos instáveis e formar um governo que atenda às demandas dos sunitas e fortaleça o funcionamento do Estado. 

Até que isso aconteça, o país, que já foi celebrado como a "Suíça do Oriente Médio", permanecerá no olho do furação, propenso a mais instabilidade e inquietações políticas. 

JOYCE KARAM é correspondente do "Al-Hayat", jornal árabe internacional sediado em Londres. 
BNC Mundo

24 de abril de 2013

BNC NOTICIAS APRESENTA PARA VOCÊ: 1964 Um Golpe Contra o Brasil - Documentario de Alípio Freire COMPLETO

O Núcleo de Preservação da Memória Política e a Televisão dos Trabalhadores colocaram o documentário 1964 – Um Golpe Contra o Brasil na rede [na íntegra e em capítulos]. Com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, a produção lançada no dia 2 de março no Memorial da Resistência de São Paulo foi dirigido pelo jornalista, poeta e artista plástico, Alipio Freire. O Núcleo produziu 200 cópias em DVD do documentário, que estão disponibilizadas para organizações da sociedade civil interessadas em promover discussões sobre a participação de civis no golpe militar de 1964. Podem ser retiradas na sede do Núcleo: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2.344, conjunto 45, São Paulo (SP), tel. [11] 2306-4801, e-mail: contato@nucleomemoria.org.br.