Jornal
Pequeno – O PSB enfrentou graves disputas internas nas últimas
eleições. O senhor está bem no partido ou está cogitando sair dele?
José Reinaldo Tavares –
O PSB é um partido que tem um candidato a presidente da República.
Eduardo Campos, governador de Pernambuco, é um homem de muita tradição
na política, muito inteligente, muito preparado e muito competente. Como
governador de Pernambuco, ele vem fazendo um governo admirável. O salto
que Pernambuco deu – um Estado que estava estagnado alguns anos atrás,
vendo a Bahia avançar e o Ceará chegando perto. Hoje Pernambuco é o
Estado líder do Nordeste.
De forma que eu vou ter uma conversa com o presidente do nosso partido,
Eduardo Campos, e depois me decidir, ver o que eu vou fazer. Mas eu me
sinto bem dentro do PSB, porque é um partido que não tem dono. Eu vejo
muitas declarações de pessoas falando que o PSB vai fazer isto, vai
fazer aquilo. O PSB, durante todo o tempo que estou lá, sempre decidiu
as coisas no voto. Os componentes do PSB é que decidem os rumos do PSB.
No momento, com a candidatura do Eduardo Campos, que é o presidente do
nosso partido, quem manda no partido hoje é o Eduardo Campos. Ele vai
precisar de um palanque aqui.
Então o partido estará com esta pessoa que formará o palanque para ele.
Não tem dúvida nenhuma. Então não adianta a Roseana tentar levar o
partido, alguns pensarem em agradá-la dizendo que vão levar o partido
para lá. Porque não vai levar. Quem vai decidir é o Eduardo. E o Eduardo
não vai ficar ao lado de Roseana, de maneira nenhuma. Porque Roseana
vai apoiar a Dilma e o Eduardo vai ser uma outra candidatura. Pelo
menos, é o que está esboçado até agora.
JP – Na sua avaliação, há um risco de o PSDB ir compor com o grupo Sarney em 2014?
José Reinaldo –
O PSDB é um partido muito importante para a oposição. Sempre foi,
sempre esteve junto da oposição. É o partido que, dentre os partidos da
oposição, é o que tem o maior tempo de televisão, é o que tem maior
estrutura no Estado. De forma que é um erro nós pensarmos numa campanha
para governador, sem pensar no PSDB.
A meu ver, e se dependesse de mim, eu estaria trabalhando era para
trazer o PSDB para fortalecer esta luta, com todos os outros partidos da
oposição. Inclusive porque nós vamos precisar deste tempo de televisão.
O governo virá com um tempo imenso. E a gente sabe que o governo mente
muito na televisão. As propagandas deles não têm parâmetro na realidade.
E nós precisamos de tempo para mostrar a realidade para a população.
Eu acho que a chave para conseguir que o PSDB esteja conosco é o
ex-governador e ex-prefeito João Castelo. Ele é um grande quadro da
oposição. Eu convivi com ele em 2006, sei da importância que ele teve
para a vitória que obtivemos em 2006. Eu acho que a gente tem que deixar
de lado as querelas de eleições recentes e passar a pensar no futuro,
porque vamos precisar unir a oposição.
JP – A fusão do PPS com o PMN acrescenta algum fato novo à política no Maranhão?
José Reinaldo –
Eu acho que esta fusão não vai ter efeito. Porque os partidos do
governo acham que isto é prejudicial à campanha pela reeleição da
presidente Dilma. E vão colocar todo tipo de empecilho. Não adianta um
partido que não tenha direito a tempo de televisão e que não tenha
direito ao Fundo Partidário. Então, não vai atrair ninguém desta
maneira. E já passou uma lei na Câmara, que agora só falta ser aprovada
no Senado, exatamente para impedir que esta fusão se materialize.
JP – Como o senhor analisa a disputa que vai se dar em 2014, no Maranhão, pela vaga ao Senado
José Reinaldo –
O Senado é muito importante. Se eu tivesse sido eleito, por exemplo, em
2010, as coisas seriam muito diferentes aqui. Porque eu teria hoje um
convívio muito grande com o governo federal, poderia influir e corrigir
muitas das coisas erradas que são feitas aqui. Mas vejo aí um açodamento
e eu até digo que estou aprendendo muito com política.
Porque o que se fala é que os candidatos ao Senado na eleição de 2014
foram escolhidos na eleição para prefeito em 2012. Eu nunca tinha visto
isto. Quer dizer: estou aprendendo estas coisas inusitadas aqui no
Maranhão. Eu não vejo o menor sentido nisto, mesmo porque nós não
podemos ficar apenas com aqueles partidos. Nós temos que pensar é em
ampliar a coligação. E estes cargos – de governador, de senador – tem de
ser discutidos com todos os partidos que vão fazer parte da base do
nosso candidato, que deve ser Flávio Dino.
Então, não vejo sentido neste açodamento agora. Se nós todos nos unirmos
em torno do nosso candidato, o Flávio, que é muito forte, nós teremos
chance de ganhar de qualquer pessoa aqui, para o Senado inclusive.
Então, nós temos é que nos unir. Esta é a chave da vitória.
JP – O seu projeto para 2014 é sair candidato ao Senado?
José Reinaldo –
Se for dentro deste quadro de composição, para fortalecer a candidatura
do nosso candidato a governador, e uma composição entre todos os nossos
partidos, e a aceitação de todos, eu irei, se for assim. Se não for
assim, se for dividido, se for mais de um, aí nós não teremos chance
nenhuma de eleger o senador, e a oposição vai se ressentir disto no
futuro.
JP – O senhor acredita que a governadora Roseana Sarney irá sair candidata ao Senado?
José Reinaldo –
Não tenho dúvida de que ela sairá candidata, por duas coisas. Primeiro:
com a saída do Sarney do quadro político nacional, a família precisa de
um senador ligado à base do governo, para defender os interesses
comerciais, e todos os tipos de interesse da família. E também, se não
tiver um senador da família, quem vai tomar conta da política é Lobão,
que é o senador que terá mais quatro anos pela frente. E eles não pensam
jamais em entregar para Lobão tudo aquilo que o Sarney há 50 anos vem
fazendo. Não vejo nenhuma alternativa para Roseana que não seja sair
candidata ao Senado.
JP – Então o senhor acha que o senador Sarney não será mais candidato?
José Reinaldo –
Eu acho que o Sarney tem condições políticas, mas não terá condições
eleitorais de ser candidato a senador pelo Amapá, em 2014. Hoje, lá no
Amapá, além de João Capiberibe, cujo filho é o governador do Estado, há
outro nome, que é o senador Randolfe Rodrigues, do PSOL, que é a grande
liderança hoje do Amapá, e que acabou de eleger o prefeito de Macapá. E
aqui no Maranhão, muito menos. O que trava o Sarney, pelo orgulho que
ele tem e pela biografia que ele quer escrever, é que ele jamais
encerrará sua carreira política com uma derrota. Para ele isto não cabe.
De forma que eu acredito que ele não irá se expor a uma candidatura
onde ele tem grandes chances de perder.
JP – E o senador Edison Lobão, ao seu modo de ver, ainda tem chance de sair candidato ao Governo do Maranhão?
José Reinaldo –
Acho que o Lobão tem muitas chances. Não acredito que Luís Fernando vá
se tornar realmente este candidato que o Jorge e a Roseana estão
querendo fazer. Ele tem dificuldades na classe política. E eu estou
vendo e estou sabendo, por meio de pessoas que são minhas amigas, que
este governo itinerante, por exemplo, que foi feito para montar a
candidatura do Luís Fernando virou um fiasco.
A governadora chega lá prometendo uma porção de coisas e assinando
papéis. O pessoal bate palmas. Mas um político diz baixinho um para o
outro: vou votar é para o Flavio Dino. De modo que eu não acredito nesta
candidatura afastada de uma sensibilidade política maior. Acredito que o
candidato do Sarney, se o Lobão tiver saúde, é o Lobão. Se o Lobão não
tiver saúde, é o João Alberto. Eu acho que o Luís Fernando é o terceiro
dentro da linha, mesmo porque ele divide muito. No próprio governo, há
muitos políticos que não preferem Luis Fernando de maneira nenhuma.
JP – Quais são, de fato, as chances que Flávio Dino tem de se eleger governador do Maranhão?
José Reinaldo –
Quando o Flávio Dino veio conversar comigo, à época em que eu era o
governador em 2006, ele me disse que havia cumprido todo o ciclo, dentro
da magistratura, e que como juiz ele ajudava uma pequena parcela da
população no Maranhão, que entrava em demanda e que ele podia ajudar. E
que como político – ele ainda não falava ainda no sonho de ser
governador – ele podia ajudar muita gente, de uma vez. Confesso que não
vi nele uma grande liderança política, naquele momento. Mas eu via nele
aquele líder carismático, o estadista que o Maranhão estava precisando. O
homem que veio da política estudantil e que se acostumou a fazer
justiça. Aquilo estava e está imbuído nele. E o Maranhão precisa muito
de justiça nas ações do governo.
De forma que eu acredito que o Flávio é um homem preparadíssimo para ser
o governador do Estado e eu sempre o incentivei, sempre, a se
candidatar a cargos majoritários, depois que ele se elegeu deputado, com
um sucesso extraordinário no Congresso Nacional. Eu ia à Câmara Federal
e todo mundo me falava dele. Ele ficou conhecido no Brasil inteiro. E
hoje todo mundo sabe quem é o Flávio Dino.
Eu sempre o incentivei a concorrer às eleições aqui – para prefeito e
para governador. De forma que com ele foi criada, durante todo esse
tempo, pela própria presença dele na política, essa urgência que hoje a
população tem pela renovação, pela mudança. Quem encarna isso, a única
pessoa que eu vejo que realmente hoje encarna isso no Maranhão é Flávio
Dino
Fonte: Jornal Pequeno
BNC Eleições 2014
