A Câmara realizará na noite desta segunda-feira uma sessão
extraordinária destinada a apreciar a Medida Provisória dos Portos. Mas a
votação só acontecerá na terça-fera, disse ao blog o presidente da
Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
A oposição tentará
obstruir. “Essa medida não pode ser votada.”, afirmou Ronaldo Caiado,
líder do DEM. E Henrique: “É natural que alguém queira fazer obstrução
política. Mas espero que a Câmara responda com maturidade. O Brasil
deseja que essa matéria seja decidida pelo Parlamento. E nós vamos
votar.”
O Brasil, em verdade, não foi ouvido. É Dilma Rousseff
quem deseja mais ardorosamente que a MP dos Portos seja aprovada. Não de
qualquer jeito, mas nos termos do relatório do senador Eduardo Braga
(PMDB-AM), líder do governo.
Otimista quanto à votação, Henrique
Alves não assume nenhum compromisso em relação ao conteúdo. “Os
deputados vão aprovar o que acharem melhor”, diz ele. “Pode haver
mudanças. Cabe aos líderes decidir, junto com suas bancadas.” O que não
pode existir, acredita o deputado, é a “omissão”.
Segundo Henrique
Alves, “o governo também está atuando e pode chegar a algum tipo de
entendimento” com os parlamentares. O próprio vice-presidente Michel
Temer participa do esforço. Chama-se Eduardo Cunha (RJ) o deputado que
pisa nos calos do Planalto, obrigando o governo a se mobilizar.
Líder
do PMDB de Henrique e de Temer, Eduardo comanda a articulação para
modificar a MP editada por Dilma em dezembro do ano passado. O deputado
fala em “aperfeiçoar” a medida. Para o Planalto, Cunha não quer
melhorar, mas desfigurar a MP.
Há na pauta 28 emendas à medida
provisória dos portos. A pretexto de encurtar o processo de votação,
Eduardo Cunha juntou nove dessas sugestões de ajustes num único emendão.
Recebe o nome técnico de “emenda aglutinativa.”
O Planalto não
quer nem ouvir falar do emendão de Eduardo Cunha. E o líder do PMDB
afirma, em privado, que Dilma não deseja ter aliados no Congresso, mas
vassalos. Um papel que o deputado diz não querer para si.
Espertamente,
Eduardo Cunha cutuca Dilma com varas alheias. Nenhuma das nove emendas
que juntou traz a assinatura dele. Os signatários são deputados de
diversos partidos. Por mal dos pecados, consta da lista Luiz Sérgio
(PT-RJ). Além de petista, é ex-ministro de Dilma. Antecedeu Ideli
Salvatti na coordenação política do governo.
A votação na Câmara
deveria ter ocorrido na quarta-feira da semana passada. Mas a sessão
desandou depois que o líder do PR, Anthony Garotinho, subiu à tribuna
para afirmar que o emendão de Eduardo Cunha é a “emenda Tio Patinhas”.
Ele rebatizou a MP dos Portos de “MP dos Porcos” e insinuou que os colegas trocavam voto por propinas. Instaurou-se a confusão. E Henrique Alves encerrou a sessão.
Em entrevista
ao repórter Valdo Cruz, a ministra Gleisi Hoffmann declarou que um
lobby empresarial breca a MP dos Portos. A encrenca se desenrola contra
um pano de fundo tisnado pela guerra
que travam dois grupos empresariais – o que explora portos públicos
mediante concessão do governo e o que deseja abrir terminais por conta
própria.
Espertamente, Eduardo Cunha cutuca Dilma com varas
alheias. Nenhuma das nove emendas que juntou traz a assinatura dele. Os
signatários são deputados de diversos partidos. Por mal dos pecados, um
deles, Luiz Sérgio (PT-RJ), foi ministro de Dilma. Antecedeu Ideli
Salvatti na coordenação política do governo.
BNC Brasília