Com o objetivo de demarcar uma
posição do parlamento da capital maranhense quanto ao descaso da falta de
investimento da Vale, antiga CVRD(Companhia Vale do Rio Doce) em São Luís e
mais vinte e três (23) municípios atingidos pela atuação da mineradora no
Maranhão, a vereadora Rose Sales (PCdoB) coordenou uma audiência pública na
Câmara Municipal de São Luís, na manhã desta quinta-feira, (06), “para darmos
uma demonstração de que a Vale não é maior que o povo do Maranhão, do que vinte
e três gestores, câmaras municipais, e mais ao movimento Rede de Justiça dos
Trilhos”, justifica a parlamentar comunista. A iniciativa faz parte da ação do
COMEFEC(Consórcio dos Municípios da Estrada de Ferro Carajás no Maranhão) e
visa discutir os encaminhamentos sobre as compensações sociais e ambientais, em
favor dos vinte e três municípios afetados pela estrada de ferro da Vale no
Maranhão.
Segundo a vereadora do PCdoB, “essa
iniciativa num momento diferencial histórico-político do Maranhão, que vem
somar esforços a voz dos movimentos sociais que ecoam pelo Maranhão pedindo
justiça”. Lembra ela que a Vale tinha um fundo social destinado a todo
município onde passasse, “e com a privatização ficou apenas R$ 85 milhões para
ser gerido pelo BNDES, e onde ficam os investimentos sociais?” indaga a
vereadora para acrescentar: “não queremos migalhas, pois antes tínhamos 8% e
hoje nada, e nesses 30 anos o Maranhão tem perdido muito, pois acolheu de forma
equivocada investimentos e empeendedores, o que só fortaleceu a prostituição, o
subemprego, os choques ambientais e a pobreza só se ressaltou diante da
riqueza”.
Ao dizer que “nós reconhecemos a
pujança da Vale , não estamos desmerecendo e nem rechaçando, apenas queremos aplicação
justa de investimentos, mas deixar claro que não estamos aqui para fazer
patuscada”, Rose Sales enfatiza que “um outro detalhe é que não podemos deixar
a área Itaqui-Bacanga um eixão de São Luís mais impactado não tenha retorno de
investimentos”. Acrescenta ela “desejamos saber quem tanto protege a Vale para
ela desrespeitar o Maranhão e a todos, não estamos colocando a Vale contra a
parede, mas vai chega o momento dela tomar assento e dizer a que veio, e não só
passar o trilho por cima e deixando a miséria embaixo”.
Riqueza versus pobreza – Tendo como a tônica de suas manifestações
riqueza versus pobreza, seguiram-se oradores como Leôncio Lima, diretor
administrativo do Comefec, apresentando uma mostra de slide sobre o histórico
da Vale desde sua implantação até os dias atuais, deixando patente o que era
mostrado como pretensão na sua chegada e a realidade atual. Logo após, o
advogado Abdon Marinho, assessor jurídico do consórcio, fez uma abordagem sobre
os enclaves econômicos, englobando a Vale, enfatizando que “nós devemos acordar
para a luta e não aceitarmos que as empresas venham levem nossas riquezas e não
deixem nada em troca, violando a cidadania com a Vale deixando s´o pó de ferro
e doenças”.
Já o prefeito Raimundo Neto, do município
de Tufilândia e vice-presidente do Comefec, falou que a estrada de ferro da
mineradora passa em sua cidade pelo povoado Serra, “talvez o mais pobre do
Brasil, onde cerca de 95% de suas casas são de taipa cobertas de palha, onde
seus moradores vêem só a riqueza passar e os diretores da Vale não sabem que o
lugarejo existe”.
A vereança – Ainda pela Câmara Municipal se pronunciaram os
vereadores Ivaldo Rodrigues (PDT) e Professor Lisboa (PCdoB). O parlamentar
pedetista lamentou da Vale ter proposto benefícios logo no início, quando de
sua implantação, e da criação do Comefec, “que já começa vitorioso, como uma
terceira via política para o Maranhão, na construção de unidade da causa maior
dessa luta”. Por sua vez, o vereador comunista disse que “essa causa não é só
dos vinte e três municípios, mas de todos que amamos nossa terra, e é hora de
acordarmos dessa letargia de não ficarmos só vendo nossas serem levadas, mas
invocar interesse de brigar e garantir vida saudável para nosso povo”.
Representando o prefeito Edivaldo Holanda Junior, usou a tribuna do Legislativo
Ludovicense o secretário Municipal de Meio Ambiente, Rodrigo Maia Rocha.
Também fizeram uso da palavra a senhora Isabel, como
representantes da luta dos moradores da Vila Cristalina; Josuel Silvestre,
liderança da comunidade da área Itaqui-Bacanga, que sugeriu ao Comefec para
criar em sua estrutura comitês e grupos para discutir o modelo de
desenvolvimento que desejam. Já Manoel Ferreira, um dos coordenadores da Bacia
Itaqui-Bacanga e Associação dos Moradores da Salina do Sacavém, atribuiu a
atual situação “ao desleixo das autoridades, e ao descaso do governo para com a
vida das pessoas”.
As prefeitas – A prefeita Lidiane Rocha, do município de Bom
Jardim, fez um rápido pronunciamento destacando a luta do Comefec, e aproveitou
para fazer uma abordagem sobre a situação em que se encontra sua cidade,
citando inúmeras mazelas como a prostituição, a pedofilia e pessoas com
problemas pulmonares e outras doenças. A presidente do Comefec, prefeita
Cristiane Damião, afirmou que “estamos na luta pela valorização do nosso
Estado, do nosso solo e nosso território, onde a Vale faz sua logística sem
deixar nada, a não ser seus erros, e para a luta contra toda esta situação é
necessário a união de todos os segmentos nessa maior bandeira que já surgiu
nesses cinqüenta anos”.
Ainda fizeram uso da palavras
outras lideranças que participaram da audiência pública, que teve a Mesa
Diretora composta pelos vereadores Rose Sales (PCdoB) – que presidiu o evento –
e Ivaldo Rodrigues (PDT), além do secretário Municipal de Meio Ambiente,
Rodrigo Maia Rocha; Cristiane Damião, presidente do Comefec e prefeita de Bom
Jesus das Selvas; Leôncio Lima, diretor administrativo do Comefec, e Manoel
Ferreira, coordenador da Bacia Itaqui-Bacanga e Associação dos Moradores da
Salina do Sacavém.
BNC Parlamento Municipal
