Por David Pogue
Podemos aprender três lições com a chegada nos novos iPhones 5C e 5S.
Lição 1: A Apple pode estar sendo vítima de sua própria competência
Ano após ano, Steve Jobs chegava até nós com produtos que
achávamos que não queríamos. Agora, dois anos após sua morte, ainda
esperamos que novos iPhones limpem nossas cozinhas, façam nossa pipoca e
levitem. Assim, quando há apenas algumas atualizações de hardware,
ficamos desapontados.
E, fato, logo depois que a Apple mostrou seus dois novos
iPhones na semana passada, as ações caíram. Os analistas argumentaram
que os aparelhos não traziam nada realmente inovador. O grupo dos
“anti-Apple” fez a festa.
O modelo mais simples, o iPhone 5C, vem em cinco cores e, nos EUA, custa US$ 550 no modelo de 16 GB desbloqueado (nota da redação, ainda não há previsão de lançamento do aparelho no Brasil)
. Ele é idêntico ao atual iPhone 5, a não ser pela lateral e pela
traseira feitas de uma peça única de plástico, em vez de metal e vidro.
Na verdade, não é justo falar em “plástico”. A capa do
iPhone 5C é feita de policarbonato e a traseira tem uma curva suave. Dá
para saber a posição do celular no bolso apenas com o toque.
É um aparelho muito bom. O preço é justo. Muitas unidades
serão vendidas. Mas apenas cobrir o aparelho do ano passado com
plástico não é um grande avanço.
Lição 2: O produto smartphone está maduro
A App Store solucionou muitos problemas dos usuários. O
assistente Siri veio para ajudar nos comandos de voz. A tela Retina de
alta resolução ajuda a compensar o tamanho pequeno das telas.
Mas, atualmente, todo smartphone tem esses recursos. Os
grandes vazios foram preenchidos. Talvez a era dos avanços gigantescos a
cada ano tenha chegado ao fim.
O novo iPhone 5S (nos EUA, US$ 650 desbloqueado) é
exatamente igual ao iPhone 5 por fora. As cores agora são cinza escuro,
prateado e dourado.
iPhone 5S traz leitor de digitais
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A Apple diz que o chip do 5S é duas vezes mais
poderoso do que o anterior. Ninguém estava reclamando da velocidade do
iPhone, mas, tudo bem, é muito rápido. Como é um chip de 64 bits, a
Apple diz que os avanços de velocidade são notados principalmente em
games com efeitos 3D.
Há ainda um segundo chip, dedicado a monitorar os
sensores do aparelho (bússola, giroscópio e acelerômetro). A Apple diz
que esse segundo processador ajuda a poupar bateria quando o usuário usa
aplicativos de fitness. Isso porque o segundo chip pode monitorar as
atividades físicas o dia inteiro, gastando menos energia do que o chip
principal, que fica desligado.
Mas essas duas mudanças são invisíveis para quem compra.
Já a nova câmera traz avanços mais perceptíveis. O sensor
é 15% maior, e o tamanho dos pixels também foi aumentado. Na comparação
de fotos com o iPhone 5, a diferença é fácil de notar: fotos com pouca
luz são melhores no novo aparelho. Mais nítidas, com cores mais
vibrantes.
O iPhone 5S também tem dois flashes do tipo LED. Um
puramente branco e outro de tom alaranjado. Quando usados em conjunto,
eles criam uma luz de mesma tonalidade da cena (luz da Lua, postes,
luzes fluorescentes etc.). Segundo a Apple, é a primeira vez que esse
tipo de recurso aparece em câmeras ou celulares.
Realmente funciona na prática. As fotos com flash ficam
muito melhores. Diga adeus às peles com tom branco demais ou azulado à
la Avatar.
A câmera do iPhone 5S também oferece o burst mode (tira
dez fotos seguidamente em um segundo), zoom de 3x durante filmagens,
filtros de fotos parecidos com os do Instagram e efeito de câmera lenta.
O recurso mais promovido do aparelho é o leitor de
digitais, embutido no botão Home. Você aperta o botão, deixa o dedo ali
por meio segundo e pronto, destrava um celular que ninguém mais pode
destravar, sem usar senhas. E sim, senhas são chatas de usar, boa parte
dos usuários de smartphone nem chega a configurar uma.
A melhor parte é que o recurso realmente funciona.
Funcionou absolutamente todas as vezes em meus testes. Não se parece
nada com outras ferramentas de leitura de digitais de equipamentos do
passado. É realmente excelente, quem odeia a Apple terá que se
conformar.
O 5S também pode usar sua digital para aprovar compras de
livros, músicas e vídeos na loja da Apple, mas esse recurso não
funcionou tão bem.
O iPhone 5S pode reconhecer até cinco impressões
digitais. Podem ser todas de uma só pessoa ou uma para cada pessoa que
usará o aparelho.
A Apple diz que a impressão digital é armazenada somente
no aparelho, criptografada e nunca é transmitida pela internet. E o uso
do leitor digital é opcional. Quem quiser pode continuar a digitar
senhas.
A qualidade de som dos novos iPhones é excelente, tanto
com fones de ouvido quanto com o alto-falante. A Apple diz que a bateria
dura 25% a mais do que a do iPhone 5. Em meus testes tive dois dias de
bateria com uso moderado.
Então, sim, a lição 2 é que a velocidade da inovação é
menor, mas não fique decepcionado. Foque no lado bom, agora dá pra ficar
mais tempo com um celular sem se sentir ultrapassado.
Lição 3: se o hardware evolui mais devagar, a evolução do software está no começo
Os novos iPhones vêm com o iOS 7, um sistema operacional
remodelado. Ele também pode ser usado em outros iPhones, iPads e iPods
Touch recentes.
| iOS 7 traz visual renovado |
O software não se parece nada com o antigo iOS. Ele é
mais “clean”. A Home e caixas de diálogo usam fontes finas e uma paleta
de cores fortes.
Acima de tudo, o novo sistema abandona
completamente o princípio de design da Apple, em que os elementos da
tela copiavam elementos do mundo real (folhas amareladas e com linhas
para aplicativo de anotações, prateleiras de madeira no aplicativo de
livros).
Você pode adorar esse tipo de design, odiá-lo
ou acostumar-se a ele. Mas o fato é que o iOS 7 é mais fácil de navegar,
porque nada na tela é só decoração. Tudo é um botão.
Além disso, a Apple trouxe vários novos
recursos. Alguns deles são importantes, como o Siri, que agora ficou
muito mais rápido nas respostas e ganhou mais comandos.
Um centro de controle muito útil oferece atalhos para
recursos muito usados, como Wi-Fi (valeu pela ideia, Android!). O
AirDrop transfere fotos e contatos para outros aparelhos com iOS
rapidamente.
Os rivais da Apple com sistema Android estão cada vez
mais fortes. Entre os concorrentes estão aparelhos tão bonitos quanto o
novo iPhone (da HTC), aparelhos com comandos de voz avançados (da
Motorola) e aparelhos com telas de todo tamanho imaginável (da Samsung).
Mas isso não significa que o iPhone tenha sido derrotado.
O ecossistema do iPhone é um atrativo enorme: os melhores aplicativos,
as melhores lojas de música e vídeo, sincronização perfeita de dados
entre dispositivos Apple, quantidade gigantesca de capas e acessórios.
Se as três lições desse artigo fossem resumidas em um
parágrafo, seria assim: a Apple ainda acredita em design refinado e
extremamente caprichado. O iPhone não é único aparelho que deixará o
usuário satisfeito por dois anos, mas é um dos poucos.
Fonte; IG
BNC Mercado