19 de setembro de 2013

MAIS MÉDICOS, MENOS CORRUPÇÃO NA SAÚDE

O debate sobre o programa Mais Médicos deve ser posto no seu devido lugar: o confronto entre os interesses público e privado que atravessa o campo da Saúde no Brasil.
 
Nesse contexto, os médicos distribuem-se em pelo menos três situações: 

1) os mercenários e gananciosos que fazem da profissão um negócio altamente lucrativo; 


2) os operadores da saúde-negócio, que priorizam os hospitais privados e os consultórios; 


3) os plantonistas híbridos e múltiplos que, para manter um padrão de classe média, desdobram-se em jornadas de trabalho excessivas.


Há também os abnegados, cuja dedicação aos hospitais públicos é quase um sacerdócio.


Observa-se, também, uma contradição: o governo que criou o Mais Médicos, sob o argumento de que teria um maior número de profissionais na rede pública, é o mesmo que impôs a Ebserh aos hospitais universitários, pavimentando-lhes o caminho da privatização.


MÍDIA E MÉDICOS


A situação empresarial e laboral dos médicos ganhou visibilidade midiática após as gigantescas manifestações de junho de 2013. Pressionado pela voz das ruas, o governo Dilma Roussef (PT) tomou algumas medidas de impacto para atenuar a tensão social.


Sem qualquer planejamento, o programa Mais Médicos foi um bordão publicitário criado pelos marqueteiros petistas para acalmar o povo nas ruas. Porém, de nada adianta contratar mais profissionais de Medicina se os hospitais e postos de saúde estiverem sem estrutura, equipamentos e remédios.


Diante desse contraste, o Mais Médicos já começa a fazer baixas, acusando uma dupla derrota para o governo: não agradou nem aos médicos e nem à população!


Os médicos reagiram com gosto de sangue na boca, porque a vinda dos estrangeiros expôs os brasileiros a uma concorrência, digamos, agressiva!


O TRABALHADOR MÉDICO


Acostumados a exibir um status de profissionais bem pagos, com chances de enriquecimento ainda na juventude, os médicos brasileiros de início de carreira tiveram de passar pela humilhação de reduzir o faturamento mensal a R$ 10 mil.


O encolhimento do dinheiro abalou a imponência e a arrogância da maioria dos profissionais de branco, cuja pose de elite foi arrastada para a vala comum dos baixos salários.


De repente, a corporação médica elitizada viu-se rebaixada à incômoda exposição pública de uma categoria sociológica com a qual não estavam acostumados – a de trabalhador.


A condição de se sentir trabalhador mal pago e a exposição midiática de uma situação rebaixada, se comparada ao status de antes, provocaram a reação irada dos médicos brasileiros contra o governo.


É importante registrar que nem todos os médicos buscam apenas enriquecer rapidamente na Medicina privada e nas prefeituras, onde costumam rejeitar salários elevados ou aceitá-los em troca de poucos dias de trabalho ou de promissoras carreiras políticas.


Há bons e dedicados profissionais trabalhando arduamente nos hospitais públicos e nas prefeituras, em jornadas excessivas, com precárias condições de infra-estrutura e sem equipamentos. Alguns são verdadeiros heróis!


NO SOCORRÃO E NA UNIMED


Uma combinação explosiva de corrupção e hierarquia de interesses sempre colocou a Saúde pública em segundo ou terceiro plano no Brasil.


Do desvio das AIHs (Autorização para Internação Hospitalar) até a corrupção deslavada nos hemocentros, o campo da Saúde é perpassado por corrupção.

As condutas abusivas são evidentes não só nos hospitais públicos. Na Medicina privada os escândalos podem ser ainda maiores, a exemplo do colapso da Unimed no Maranhão.


A Unimed expõe à humilhação milhares de contribuintes que passaram até 17 anos financiando uma elite de médicos, acreditando em um serviço pago, caro, e são relegados ao mais vil dos tratamentos.


Além da falta de cumprimento do contrato, a Unimed trata com total desrespeito o juramento de Hipócrates, algo que deveria ser sagrado à profissão de médico.


Ao deixar milhares de contribuintes sem atendimento, a Unimed faz pouca diferença em relação ao Socorrão, que mais parece um hospital de guerra.


Por fim, o programa Mais Médicos, feito a toque de caixa pelo governo Dilma, não resolve o problema maior na Saúde: a corrupção!


Cada vez mais aliada e dependente dos setores corruptos, do PMDB, do PT e aliados, Dilma faz da Saúde uma jogada de marketing perigosa, que pode ser viral, para o bem ou para o mal.


Por fim, um ensinamento antigo, já repetido outras vezes: não se faz política saudável em aliança com gente que desvia dinheiro dos hospitais, da merenda escolar e das escolas. Isso deveria ser crime hediondo!  
A corrupção é a doença incurável da política.
Fonte: Blog Ed Wilson
BNC Saúde

Nenhum comentário:

Postar um comentário

quero comentar