O anúncio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que
colocará em votação até dezembro um projeto que fixa mandatos para
diretores do Banco Central já mobiliza – na direção oposta – os aliados
do governo no Congresso. A ideia dos apoiadores da presidente Dilma
Rousseff é enterrar a ideia o mais cedo possível.
A informação de Renan, feita na manhã da sexta-feira, surpreendeu os
integrantes da base aliada. O presidente do Senado avisou que pretende
colocar na pauta o substitutivo de Francisco Dornelles (PP-RJ),
favorável ao projeto que o ex-líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio,
apresentou em 2007.
“Não conversei com ele nem com o governo sobre aprovar uma lei que dá
autonomia ao Banco Central”, reagiu o líder do governo no Senado,
Eduardo Braga (PMDB-AM). Ele disse que pretende conversar com
integrantes do governo para fechar uma posição sobre o assunto.
Ressalvando que se tratava de uma opinião pessoal, Braga afirmou que a
matéria não poderia ir a votação sem uma reunião prévia de líderes
partidários para “avaliação do quadro”.
O senador petista Delcídio Amaral (MS) fez coro com Braga. “Para o
momento, é uma discussão que não precisa ser trazida para o debate”,
ponderou. Na avaliação de ambos, o BC já atua com autonomia. “Uma
decisão como essa precisaria amadurecer”, acrescentou o presidente da
Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ele já adverte que, se
aprovada pelo Senado, a matéria não será votada na Câmara este ano.
BNC Notícias