29 de outubro de 2013

Em SP, protesto por morte de rapaz termina em violência

A morte de um adolescente por um policial militar no domingo, na Zona Norte de São Paulo, provocou protestos que terminaram em quebra-quebra, veículos incendiados e saques entre a noite do próprio domingo e ontem. Uma pessoa foi baleada. Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, foi atingido por um tiro no tórax durante uma abordagem policial por volta das 14 horas do domingo. De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, teria sido um tiro acidental, disparado quando os policiais atendiam a uma denúncia de perturbação de sossego no bairro do Jaçanã. O adolescente foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento. O corpo foi sepultado na tarde de ontem.

Revoltados com a morte de Rodrigues, moradores iniciaram um protesto pelas principais ruas do bairro ainda durante a noite de domingo. Ao menos dois ônibus foram incendiados na Avenida Roland Garros. Carros também foram queimados e duas agências bancárias foram depredadas. Uma loja ainda foi saqueada durante a confusão.

Entidades criticam agressões a jornalistas

De 11 de junho até ontem, 102 jornalistas foram agredidos em protestos no Brasil, de acordo com novo levantamento feito pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Desse total, 77 foram vítimas da polícia, e 25, de manifestantes.

No estado de São Paulo foi contabilizado o maior número de agressões: 39 casos de violência contra profissionais da imprensa. No Rio de Janeiro, foram 23, oito a mais do que em Brasília.

— Nos últimos três anos, observamos um aumento nos casos de agressão contra jornalistas — disse Guilherme Alpendre, diretor executivo da Abraji, informando que, em média, entre cinco e oito jornalistas são assassinados anualmente no Brasil no exercício da profissão.

Neste ano, o crescimento da violência teve uma proporção inédita, segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), Guto Camargo.
— Desde a ditadura não acontecem tantos atos de violência. E a pesquisa mostra que, em quase 80% dos casos, a agressão parte da PM. Portanto, trata-se de um problema político. Em última instância, o estado é responsável por essa agressão.

A situação tem repercussão internacional, completa o dirigente sindical. Para ele, é fundamental divulgar qualquer ato de agressão, porque o silêncio retroalimenta a violência.

BNC Sudeste

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