A morte de um adolescente por um policial militar no domingo, na Zona
Norte de São Paulo, provocou protestos que terminaram em quebra-quebra,
veículos incendiados e saques entre a noite do próprio domingo e ontem.
Uma pessoa foi baleada. Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, foi
atingido por um tiro no tórax durante uma abordagem policial por volta
das 14 horas do domingo. De acordo com a versão apresentada pela Polícia
Militar, teria sido um tiro acidental, disparado quando os policiais
atendiam a uma denúncia de perturbação de sossego no bairro do Jaçanã. O
adolescente foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento. O corpo foi
sepultado na tarde de ontem.
Revoltados com a morte de Rodrigues, moradores iniciaram um protesto
pelas principais ruas do bairro ainda durante a noite de domingo. Ao
menos dois ônibus foram incendiados na Avenida Roland Garros. Carros
também foram queimados e duas agências bancárias foram depredadas. Uma
loja ainda foi saqueada durante a confusão.
Entidades criticam agressões a jornalistas
De 11 de junho até ontem, 102 jornalistas foram agredidos em
protestos no Brasil, de acordo com novo levantamento feito pela
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Desse total,
77 foram vítimas da polícia, e 25, de manifestantes.
No estado de São Paulo foi contabilizado o maior número de agressões:
39 casos de violência contra profissionais da imprensa. No Rio de
Janeiro, foram 23, oito a mais do que em Brasília.
— Nos últimos três anos, observamos um aumento nos casos de agressão
contra jornalistas — disse Guilherme Alpendre, diretor executivo da
Abraji, informando que, em média, entre cinco e oito jornalistas são
assassinados anualmente no Brasil no exercício da profissão.
Neste ano, o crescimento da violência teve uma proporção inédita,
segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do
Estado de São Paulo (SJSP), Guto Camargo.
— Desde a ditadura não acontecem tantos atos de violência. E a
pesquisa mostra que, em quase 80% dos casos, a agressão parte da PM.
Portanto, trata-se de um problema político. Em última instância, o
estado é responsável por essa agressão.
A situação tem repercussão internacional, completa o dirigente
sindical. Para ele, é fundamental divulgar qualquer ato de agressão,
porque o silêncio retroalimenta a violência.
BNC Sudeste