25 de novembro de 2013

BLOG ROBERT LOBATO: Sexta-feira Quente com Haroldo Saboia PARTE II

Depois de uma considerável atraso, o Blog do Robert Lobato publica a segunda e última parte da entrevista com o ex-deputado federal Haroldo Saboia, que justificou o retardamento no envio das respostas em função de um compromisso partidário com o deputado Marcelo Freixo (Psol/RJ), ocorrido ontem.
Confira o fechamento da entrevista em que Saboia falou sobre a sua opção por fazer oposição ao grupo Sarney, o rompimento de José Reinaldo com o sarneysismo,  o governo e a cassação de Jackson Lago – fez duras críticas a Aziz Santos -, o projeto do Psol para 2014 e muito mais. Veja:
“A eleição do jovem Edivaldo Junior foi um equívoco do eleitorado de São Luis que foi levado ao erro pela ambição do consórcio que o escolheu e o lançou candidato. Equívoco só comparável a eleição de Conceição Andrade, em 92, e de Gardênia Gonçalves, em 85″
OS PARENTES SARNEYSISTAS
Antes de tudo, tenho a informar que não cabe a mim monitorar as amizades dos meus familiares: irmãos, sobrinhos, primos, tios etc, pela ligação deles com o Sarney. Eles seguem o caminho, a trajetória que que a vida lhes possibilitou.
Já tenho a enorme responsabilidade de compartilhar com a minha companheira Fernanda, da maravilhosa tarefa de educar meus três filhos José, de 17 anos; Haroldo, 14 anos; e Joaquim de 7 anos.
E é importante deixar claro que, contrariamente ao que você afirma, caro Robert, não “preferi fazer oposição radical ao Senador José Sarney” ou qualquer outra personagem. Não balizo a minha ação política em termos de pessoas e, sim, de idéias. Faço, na verdade, uma radical oposição à fome, a miséria, a exploração capitalista, às injustiças sociais, à exploração econômica dos países centrais sobre os países periféricos e a muitas outras mazelas entravam o desenvolvimento e o bem estar da humanidade.
O senador Sarney é uma figura menor em todo esse processo. Só adquire alguma dimensão devido ao imenso atraso econômico, social e cultural do nosso querido o Maranhão.
APRENDIZADO DAS ELEIÇÕES MAJORITÁRIAS 
As vezes que concorri a cargos majoritários – para o Senado ou para a prefeitura de São Luis – foram para desempenhar missões políticas, tarefas partidárias. Em nenhuma delas tive a minima estrutura necessária para desenvolver uma campanha competitiva.
Mesmo assim, em 1992, fui o terceiro colocado entre os 11 candidatos. Quase chego ao segundo turno, ultrapassando o João Alberto, candidato da Oligarquia.
Em 98, fui vitorioso nas maiores cidades (São Luis, Imperatriz e varias outras) na disputa pelo Senado também contra o João Alberto.  Coloquei uma diferença de mais de 200 mil votos nas urnas eletrônicas e acabei perdendo com o resultado da apuração  manual.
,O João Alberto, quando as cadeias nacionais de televisão me davam como senador eleito, se apressou a declarar na TV Mirante que seria vitorioso, no final, “quando chegassem as urnas de saco“, segunda suas próprias palavras. Em 2002, alcancei a casa de 500 mil votos também na disputa para o Senado da República.
Enfim, cada eleição reflete um determinado momento e, sabemos, a história acompanha os fluxos e refluxos dos movimentos sociais .
ROMPIMENTO DE ZÉ REINALDO COM O GRUPO SARNEY
A ruptura, em 2005, do então governador José Reinaldo com o grupo Sarney  foi, sem duvida, um fator importantíssimo para a derrota da oligarquia no ano seguinte, em 2006, com a vitoria do Jackson Lago para o governo do Estado.
Contudo, é importante registrar que o PSB, controlado pelo então governador José Reinaldo, e o PcdoB , já dirigido pelo Flavio Dino que acabara de deixar a magistratura, lançaram a candidatura à governador do Edson Vidigal para vencer e não para ajudar eleição do Jackson.
José Reinaldo e Flávio Dino queriam levar o Vidigal para o segundo turno. Eles não acreditavam em uma vitória de Jackson sobre a Roseana no segundo turno. A candidatura de Vidigal, que deixou a presidência do Superior Tribunal de Justiça em março, era um projeto de poder do José Reinaldo e do Flavio Dino. Fizeram tudo para que o Vidigal ultrapasse o Jackson, que acabou indo para o segundo turno pelo imenso acúmulo político eleitoral que possuía e devido a sua enorme determinação. Por outro lado, não esqueçamos também que foi de grande importancia para a derrota da Roseana Sarney,em 2006, foi o fato de ter havido segundo turno na eleição presidencial.
Se o Lula tivesse derrotado o Geraldo Alkimin, candidato do PSDB, no primeiro turno, o quadro da disputa para o governo do Maranhão no segundo turno poderia ter sido bem diferente.
Imaginemos o Lula, reeleito no primeiro turno, desembarcando vitorioso no Maranhão com o Sarney, espalhando seus ministros com as burras e verbas governamentais pelo nosso interior, coagindo prefeitos para que fizessem campanha para a Roseana… Poderia ser um massacre, um Deus-nos-acuda. Não esqueçamos que, com o apoio do Planalto e dos tribunais, o Sarney é perigossíssmo.
Assim, o fato do Lula estar preso, imobilizado, na disputa contra o Alkimin no segundo turno beneficiou bastante a vitoria de Jackson em 2006.
O GOVERNO JACKSON LAGO E A CASSÃÇÃO
Antes de tudo não concordo a avaliação de que o governo Jackson Lago estivesse tendo um bom desempenho. Ao contrário, tínhamos um secretariado medíocre: o Abdalaziz no Planejamento [Aziz Santo]; o Lourenço Vieira da Silva [Educação]; a Telma Pinheiro [Infraestrutura], entre outros.
Abdalaziz Abdalaziz Aboud Santos, o todo poderoso no Planejamento, controlava os recursos orçamentários e, pior, imobilizava politicamente o Governo. Autoritário, influente e centralizador, Aziz foi o principal responsável pela quebra de dialogo do governo Jackson com o funcionalismo público e com os movimentos sociais.
Nesse contexto, a oligarquia foi monitorando passo a passo a popularidade do Governo Jackson Lago. A medida que Jackson perdia apoio na população, o processo de cassação de seu mandato avançava nos tribunais.
Cassação – A trapaça, o golpe judiciário, a cassação do mandato popular do governador legitimamente eleito se consumou, quando Jackson Lago e seu governo já não tinham mais a mínima capacidade de mobilização e de resistência .
A oligarquia e seu chefe, José Sarney, são medrosos, tem medo do povo, pavor dos movimentos sociais. Só avançaram no momento que, visivelmente, Jackson Lago já estava isolado politicamente e, sobretudo, sem o apoio popular na Ilha Rebelde.
O movimento de resistência, a luta dos bravos balaios, temos que reconhecer, não foi além de heroicas manifestações de algumas centenas de generosos militantes.
Para quem viu a população da Ilha ir as ruas delirantemente comemorar em 29 de outubro de 2006 a vitoria das oposições, a eleição de Jackson governador e a derrota de Roseana Sarney , – deixar o Palácio dos Leões e acompanhar o governador, cassado por uma decisão vergonhosa do TSE, seguir caminhando da Pedro II a sede do PDT na rua dos Afogados , foi um verdadeiro calvário .
E o suplício maior foi ter que presenciar a apatia e a resignação popular !!!
A queda de Jackson foi um terrível retrocesso histórico que permitiu a repactuação das elites em torno do velho projeto de poder caduco de cinco décadas .
E o pior é que certos setores que se dizem de oposição e que cruzaram os braços e não defenderam o mandato popular de Jackson Lago parecem acreditar que abreviaram seus sonhos, ambições e veleidades de conquistar os Leões.
Hoje, após mais quase seis anos de governo de Roseana Sarney o balanço é catastrófico: o Estado endividado e o povo ainda mais empobrecido.
GOVERNO EDIVALDO HOLANDA JÚNIOR
A eleição do jovem Edivaldo Junior foi um equívoco do eleitorado de São Luis que foi levado ao erro pela ambição do consórcio que o escolheu e o lançou candidato. Equívoco só comparável a eleição de Conceição Andrade, em 92, e de Gardênia Gonçalves, em 85.
POLÊMICA COM A OAB-MA E CONSTITUINTE
A OAB do Maranhão foi a única seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a homenagear membros da Assembléia Nacional Constituinte. O Conselho Federal e as demais seccionais comemoraram, isto sim, os 25 anos da promulgação da Carta de 88, a Constituição Cidadã proclamada por Uliysses Guimarães.
Conselho Federal e seccionais tiveram o pudor de não reverenciar indistintamente todos os membros da Assembleia Nacional Constituinte E por que? Para não ter que condecorar personagens que manifestamente se colocaram contra os direitos sociais e individuais, contra os valores e postulados contidos no texto da Carta que restabeleceu o Estado Democrático de Direito em nosso país.
Papel do Sarney – Quanto ao papel de José Sarney no processo constituinte basta lembrar que por várias vezes o então ocupante do Palácio do Planalto afirmou que a nova Constituição iria deixar o país ingovernável. A própria História já tratou de desmenti-lo .
ELEIÇÕES 2014
“Partidos como PSB e PSDB)terão que apresentar candidaturas próprias nos Estados”
No meu entender, há um fenômeno que pode modificar substancialmente o quadro das disputas nos diversos Estados da Federação. O apoio de Marina da Silva a Eduardo Campo pode tornar a disputa entre PSB e o PSDB de Aécio Neves bastante acirrada. Parecida aquela entre Lula e Brizola pela segundo lugar contra Collor, em 1989.
A consequência, imagino, é que essa disputa pelo segundo lugar, de certa forma, vai verticalizar as eleições de 2014, já que estes dois partidos (PSB e PSDB) terão que apresentar candidaturas próprias nos Estados .
Por outro lado, também PMDB e PT poderão, mesmo juntos no plano nacional, ficar separados Estados. Como se comportarão os aqueles partidos da base do governo Dilma de menor expressão, como o PDT, PP, PR, PTB, PcdoB, etc etc ? É difícil fazer qualquer previsão diante do quadro de esgarçamento dos conflitos sociais (lembremos das explosões populares de junho) e do agravamento da crise econômica.
ENTRADA TUMULTUADA NO PSOL E O PROJETO PARA 2014
“Lutaremos para constituir uma frente de esquerda, programática, em 2014 com o PSTU e com o PCB”
O tumulto quando da minha entrada no PSOL foi maior nas páginas do jornal “O Estado do Maranhão” de propriedade da “honorável família” do que na realidade.
O que aconteceu é que um pequeno e inexpressivo grupo liderado por Paulo Rios e Saturnino Moreira aproveitou a minha entrada para anunciar uma decisão que já havia tomado de deixar o partido. Rios foi para o PSTU e de lá já saiu; não sei pra onde. Saturnino não foi para lugar algum. Ambos estão longe da militância política como sempre estiveram na prática.
E o PSOL cresceu, e muito! Quantitativa e qualitativamente. Realizamos em outubro o nosso IV Congresso Estadual que reuniu em dezenas de municipios mais de 500 militantes.
Lutaremos para constituir uma frente de esquerda, programática, em 2014 com o PSTU e com o PCB. Imaginamos que o PSOL poderá indicar o candidato ao Governo do Estado, e o PSTU e PCB os candidatos ao Senado e a Vice-Governador.
Não serei candidato em 2014. Mobilizarei todo os meus esforços em campanha pelo candidato do PSOL a Presidencia da República que deverá ser ou o senador Randolfe Rodrigues ou a ex-deputada Luciana Genro.
Como membro da Direção Nacional e delegado ao Congresso que será realizado em 30 de novembro e 1° de dezembro, em Brasília, posso manifestar publicamente minha preferência por uma chapa de unidade com Randolfe Rodrigues, presidente, e Luciana Genro, vice, para como diz Ranfolfe “para resgatar a voz das ruas e retomar as reformas de base abandonadas há cinquenta anos pela elite brasileira”
MENSAGEM AOS LEITORES
Agradeço ao Robert Lobato e aos leitores de seu blog que asseguram a pluralidade e a diversidade de pensamento neste importante espaço de discussão e informação política.
BNC Política

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