São Paulo - A Alshop, associação que representa lojistas de shoppings de todo o
país, vai pedir ajuda federal para que os "rolezinhos" sejam suspensos
nos centros de compras.
Como os eventos deixaram as fronteiras de São Paulo, a associação teme o
aumento dos prejuízos. Os centros de compras têm optado por fechar as
portas para impedir a realização dos "rolezinhos".
Na avaliação da associação, os eventos também levam insegurança e perturbam os consumidores.
Os jovens que promovem os eventos pelas redes sociais dizem que só
querem se divertir, dançar, namorar e passear dentro das instalações.
"Vamos entrar em contato com a Presidência [da República] para tentar
uma reunião. A Dilma [Rousseff], que chamou as lideranças das
manifestações do ano passado, tem de chamar as lideranças desses eventos
também", diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.
Para ele, é preciso "proibir que façam esse tipo de convocação. Caso sejam menores, responsabilizar os pais".
O presidente da Alshop cobrou também mais policiamento e punição aos organizadores dos "rolezinhos".
"Se você tem uma casa e alguém a invade, vai fazer algo para não
acontecer novamente. Vamos levar até as ultimas consequências a questão
da inoperância. A lei está a nosso favor."
PREJUÍZOS
No final de semana, o shopping JK Iguatemi, na zona oeste de São Paulo,
fechou as portas quase dez horas antes do horário normal porque um grupo
de cerca de cem pessoas queria entrar no local para fazer uma
manifestação contra o racismo.
Lojistas do estabelecimento relataram prejuízos de até R$ 40 mil com o dia perdido.
Um funcionário da Ofner, que não quis se identificar, afirmou que a
doçaria deixou de ganhar ao menos 90% do que costuma faturar em um
sábado normal.
Já o restaurante Forneira San Paolo informou que deixou de ganhar cerca de R$ 10 mil com o fechamento.
No Rio, o Shopping Leblon não funcionou ontem com receio de um "rolezinho" combinado pelas redes sociais para o local às 16h30.
"No shopping tem mulheres grávidas, crianças, pessoas idosas que entram
em pânico quando o local é invadido por 400 ou 500 jovens que saem
correndo pelos corredores. Estamos revoltados. Os consumidores estão
revoltados", diz Sahyoun.
Segundo a Alshop, os centros de compras geram 1,5 milhão de empregos no país.
Donos dos centros comercial têm procurado a Justiça para conseguir
liminares que impeçam a realização dos atos. A medida deve continuar
sendo tomada.
"Entramos na Justiça para conseguir proteção, para evitar que bandos
entrem no shopping, mas isso não foi suficiente. As autoridades não
tomaram uma atitude no sentido de proteger esses empreendimentos."
POLÍCIA
Após ação policial em um "rolezinho" no shopping Metrô Itaquera, no
começo do mês, com bombas de gás e balas de borracha, movimentos sociais
como o dos sem-teto passaram a apoiar e a promoverem também eventos
dentro de centros de compra.
Nesta semana, ao menos dez encontros estão marcados pelas redes sociais para acontecer em shoppings e parques de todo o país.
