São Luis - Eleição, às vezes, é decidida em um detalhe. No Maranhão,
essa minúcia pode ser construída artificialmente ou originada por erros dos
próprios candidatos.
Repentinamente, os pormenores transformam-se em fatos
relevantes, porque acionam dispositivos até então ocultos nas batalhas
eleitorais.
Quando todos os ventos pareciam favoráveis ao pré-candidato
Flavio Dino (PCdoB), eis que surge um processo do comunista contra o jornalista
Marco Aurélio d’Eça – destacado atacante do Sistema Mirante na internet e no
jornal O Estado do Maranhão.
A coordenação da campanha de Luis Fernando Silva (PMDB),
reunida no Palácio dos Leões, vibrou quando soube do processo judicial.
Na interpretação dos estrategistas do governo, Dino
demonstrou insegurança, como se tivesse escorregado na casca de banana deixada
de propósito em uma das calçadas destruídas de São Luís.
A maior parte dos ataques a Flavio Dino vem de Marco d’Eça,
em textos com palavras agressivas para desqualificar o comportamento, as ações,
os gestos, mexer nas afetividades familiares e até no visual do comunista.
O processo é motivado pelos textos de
d'Eça relacionados ao caos no sistema penitenciário do Maranhão, nos
quais acusa Dino de tirar proveitos eleitorais com a onda de violência
dentro e fora dos presídios.
O jornalista abusou das interpretações, Dino sentiu os golpes e decidiu dobrar d'Eça na Justiça.
VENTO E VENTANIA
Considerando que Flavio Dino lidera as pesquisas com folga,
podendo até ganhar no primeiro turno, o processo foi um erro e virou uma arma nas
mãos dos adversários.
É só uma questão de tempo para o conflito judicial ser usado
contra Dino, atribuindo a ele os adjetivos de carrasco, perseguidor de
jornalistas, censor, ditador etc, adicionados ao grotesco título de “chefão do
comunismo”.
Flavio Dino tem fama de autoritário, traço característico da
magistratura, onde ele militou como e juiz federal e antes advogando.
Nas circunstâncias de candidato a governador pelo PCdoB, partido
onde vigoram o centralismo democrático e resquícios do stalinismo, ele seria
a pessoa menos indicada para processar um jornalista fiel a Sarney.
ARTIFICIALIDADES
No laboratório de maldades da oligarquia Sarney, até um
falso defunto já foi criado para derrotar o então candidato da oposição
Epitácio Cafeteira, em 1994.
À época, tentaram relacionar Cafeteira à suposta morte do
ferroviário Reis Pacheco, posteriormente encontrado vivinho da silva, mas já
era tarde. Cafeteira estava derrotado.
Em condições bem mais favoráveis que Cafeteira para sepultar
politicamente Sarney, Flavio Dino demonstrou inabilidade política para lidar
com o ódio – a maior das paixões em campanhas eleitorais.
Certos ódios servem para alimentar os egos dos políticos.
José Sarney sabe disso. Flavio vai aprender com o tempo.
Processando d'Eça, Flavio Dino desperdiçou munição no começo da guerra. Pode faltar depois.
Fonte: Blog Ed Wilson
BNC Eleições 2014
