Rio de Janeiro - - O ano letivo para milhares de alunos de universidades e
institutos federais começa com luz amarela acesa. Cerca de 180 mil
servidores e técnicos administrativos dessas instituições podem cruzar
os braços em março deste ano. A categoria alega que, desde 2012, quando
se juntou aos professores numa greve nacional que durou meses, os
reajustes salariais obtidos após a paralisação não teriam servido nem
para repor a inflação.
Neste
fim de semana, 160 delegados da Federação dos Sindicatos de
Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) vão se reunir para
decidir o dia exato em que a greve começará. De acordo com o
coordenador-geral da Fasubra, Paulo Henrique dos Santos, a grande
maioria dos sindicatos das universidades é favorável que a paralisação
comece na segunda quinzena de março. Associações de servidores como as
da UFRJ e UFF já aprovaram indicativo de greve no mês.
- Quando o
governo estipulou no fim da greve de 2012 que teríamos reajustes em três
parcelas anuais de 5%, nós argumentamos que isso não serviria nem para
cobrir a inflação. Deu no quê deu: de 2013 a 2015, teremos aumento de
15%, e uma inflação com mais de 20% - argumenta o coordenador-geral da
Fasubra.
Com a paralisação do setor, serviços como limpeza dos
campi, bandejões e secretarias acadêmicas podem ser afetados. Com
relação às aulas, o futuro também é incerto. Do dia 10 a 15 de
fevereiro, professores organizados em torno do Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) também vão se
reunir no 33º Congresso Geral do Andes-SN, em São Luis (MA).
A
presidente do Andes, Marinalva Oliveira, explica que o sindicato apenas
"suspendeu" a greve em setembro 2012, após 135 dias de paralisação, mas
que o movimento ainda continua. Em agosto daquele ano, o governo federal
tinha fechado acordo com outro sindicato representante da categoria, o
Proifes, prevendo reajustes salariais para os docentes de 25% a 40% até
2015.
Logo após o acerto, o aumento foi incluído na Lei de
Diretrizes Orçamentárias de 2013, não dando margem para outras
negociações. Por isso, segundo Marinalva, o Andes decidiu apenas
suspender a greve.
Mas se naquele ano o motivo principal para a
paralisação era a questão salarial, desta vez o Andes quer exigir do
governo federal medidas contra a "precarização do trabalho" dos
professores. A categoria aproveitará o encontro para definir o "plano
nacional de lutas", com pautas que vão de maior autonomia universitária
até a contratação de novos professores. Além disso, professores
pretendem abordar a falta de estrutura para ensino em algumas
instituições e denunciar casos como o do campus da UFF em Rio das
Ostras, na Região dos Lagos, onde alunos têm aulas em contêineres
improvisados.
Segundo Marinalva, a "expansão desordenada" do Reuni
provocou um aumento desproporcinal do número de alunos em relação ao
ingresso de novos docentes por concurso público, fazendo com que muitos
tivessem uma jornada de trabalho incompatível com os salários. Além
disso, ela critica que a carreira desenhada pelo MEC não desvincula
ensino, pesquisa e extensão, tarefas que acabam se acumulando para o
professor. Mesmo sem antecipar se o Andes confirmará a volta da greve no
encontro, Marinalva afirmou:
- As condições estão piores, os
professores estão indignados, e isso pode conduzir a categoria a dar
alguma resposta para o governo, já que ele não nos dá uma resposta.
Acusada
pelo Andes de ter fechado acordo com o governo federal em 2012 sem
representar a classe docente, o Proifes se defende. Para o presidente do
sindicato, Eduardo Rolim, não há motivos para greve em um futuro
próximo, já que o governo federal está cumprindo em dia com os
compromissos de reajustes salariais. Ele também reconhece problemas com o
Reuni, mas prefere observar o programa de um jeito mais amplo:
-
Não acho que haja hoje uma motivação para greve como houve em 2012. O
quadro é diferente porque estamos em plena implementação dos reajustes
salariais. E não gosto de usar a palavra 'precarização'. Nunca no Brasil
tivemos uma expansão universitária como essa. Só ano passado foram
criadas mais quatro universidades federais. Em 2006, tínhamos 57 mil
professores. Hoje temos na ordem de 70 mil, um incremento de 23 mil
novos docentes. E todos tiveram esses reajustes.
BNC Educação
