Agnaldo da Silva Guimarães Filho*
A
primeira escola da qual fazemos parte é a escola da vida, onde o
aprendizado, apesar de presencial, possui apenas um professor: O mundo.
Quando nascemos, apesar dos cuidados que nos são oferecidos, através dos
nossos pais, passamos a fazer parte de uma estrutura social composta
pelo pai, mãe e filhos: a família, a primeira escola, concreta que
temos. São os pais os nossos primeiros professores, com eles aprendemos a
balbuciar as primeiras palavras, a comer com as nossas próprias mãos, a
conhecer o sentido da vida, a aprender os valores sociais e morais,
enfim preparando-nos a exercer a nossa cidadania.
Num
momento posterior, vamos fazer parte de outra escola: a instrutiva,
aquela que através de conhecimentos culturais, científicos e religiosos,
moldam cada um de nós para o exercício profissional e, neste momento,
contamos com a participação efetiva dos nossos professores. São eles os
grandes baluartes, responsáveis pela nossa formação sócio-pedagógica que
nos ensina a ver o mundo de um ângulo diferente, alicerçado não somente
no conhecimento instrutivo, mas, também, respeitando a identidade de
cada um, de acordo com a realidade em que vivem.
Costumo
aventar, vez em quando, que ser professor não caracteriza,
simplesmente, abraçar uma profissão; ser professor significa exercer um
sacerdócio. O professor exerce várias tarefas que são alheias à sua
profissão, tais como: conselheiro, pai, mãe, tio, tutor, enfim, sempre
preocupado com o bem-estar do seu aluno e, quando não consegue atingir
os seus reais objetivos, independentemente de qualquer que seja o fator
impeditivo para tal, vira uma crucial preocupação levando-o a repensar
os seus métodos de ensino, no sentido de proporcionar meios que tornem a
aprendizagem mais efetiva.
O
papel do professor, entre tantas atribuições que lhe são delegadas,
consiste no preparo de cada aluno para torná-lo um cidadão honesto,
sério e respeitado, além de contribuir para o exercício da vida, da
cidadania e da liberdade. Convém, portanto, enfatizar que é necessário,
na maioria das vezes, que ele haja com veemência, em certas ocasiões,
ainda que determinadas decisões, tomadas, sejam motivos de choque, de
descontentamento, mas, quando há necessidade de fazer, que o faça, doa a
quem doer.
Portanto,
ser professor é quebrar barreiras da desigualdade, é aglutinar
conhecimentos, é laborar cotidianamente no exercício da multiplicidade
do querer saber, é compreender os reveses dos seus aprendizes, é
fomentar idéias que procurem somar esforços que, de forma coletiva,
possam atingir os verdadeiros objetivos sócio-educacionais e, também,
equacionar a proporcionalidade entre a importância de cada aluno e o seu
efetivo conhecimento.
O
Professor não é um sábio, somente naquilo que procura fazer como
ninguém: ensinar. Ele é, antes de tudo, um construtor de idéias que
busca lapidar o homem na sua essência, tornando-o capaz para enfrentar
os reveses que a vida lhe proporcionará. São esses os estigmas que fazem
dessa profissão uma atividade árdua, que tem como principal requisito a
paciência. É valorizada por uns, mas também, sem a mínima importância
para outros.
É
assim que nós, professores, vamos caminhando nessa estrada íngreme,
espinhosa, e de difícil acesso, procurando, na medida do possível,
escrever a história de cada um dos nossos alunos.
*Professor da Rede Pública Estadual de Ensino
do Estado do Maranhão