Sã Paulo - O grupo organizador do protesto contra a Copa do Mundo, realizado no
último sábado em São Paulo, criticou a atuação da Polícia Militar
durante o ato e convocou uma nova manifestação para o dia 22 de
fevereiro.
O ato, segundo o coletivo, acontecerá às 17h na praça da República,
região central de São Paulo –mais de 4.500 pessoas já confirmaram a
presença na manifestação.
Para os organizadores, o ato do final de semana foi convocado com
objetivos pacíficos e previamente acordados com a Polícia Militar. A PM,
disse o grupo, descumpriu essas garantias.
"[Os] objetivos foram publicamente expressos em manifesto na presença da
Polícia Militar. Esta polícia garantiu; um. A presença de duas
ambulâncias, dois, a não obstrução das ruas durante o curso do ato e
três, a não utilização de armas letais. Garantias que foram sumariamente
descumpridas", disse Denis Jacob Machado, 28, representante do coletivo
"Sem direitos não vai ter Copa".
Procurada, a PM ainda não se manifestou a respeito da acusação.
FIM DAS ARMAS LETAIS EM PROTESTOS
O coletivo também pediu o fim do uso de armas letais em manifestações
populares. "Os acontecimentos do último sábado demonstram porque armas
letais jamais deveriam ser usadas em manifestações populares de qualquer
natureza", afirmou Machado.
Logo após o protesto contra a Copa do Mundo no centro de São Paulo, o
estudante Fabrício Nunes Fonseca Mendonça Chaves, 22, foi alvo de três
tiros, disparados por dois PMs, na esquina das ruas Sabará e Piauí, em
Higienópolis, logo após o ato que acabou em vandalismo, com agências
bancárias e lojas depredadas.
"Maior absurdo ainda são as declarações do governador Geraldo Alckmin
defendendo a ação truculenta da polícia. Não é a primeira vez que vemos
esse tipo de repressão da Polícia Militar. Dessa forma, dizemos não as
armas de fogo em manifestação.", disse um dos organizadores da marcha do
último sábado.
O estudante ferido pelos PMs continua internado em estado grave na Santa
Casa de São Paulo. Segundo o hospital, os tiros causaram hemorragia e a
perda de um testículo. Fabrício deixou o coma induzido ontem e respira
sem aparelhos.
Médicos relataram à família a chance de sequelas como a perda de movimentos do braço direito.
O mesmo coletivo que organizou o ato contra a Copa do Mundo, faz desde
domingo uma vigília em frente a Santa Casa em prol ao estudante. A
iniciativa chama-se "Somos todos Fabrício" e reúne cerca de 10 pessoas.
Os PMs que agiram durante a ação que feriu o estudante serão investigados pela Corregedoria da Polícia Militar.
BNC Brasil
